Next to None: Impressionante estreia da banda do filho de Portnoy
Resenha - A Light in the Dark - Next to None
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 09 de julho de 2015
Nota: 9 ![]()
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Integrado por ninguém menos que Max Portnoy, filho da lenda das baquetas Mike Portnoy, o Next to None é um quarteto estadunidense de metal progressivo formado ainda por Thomas Cuce (vocais e teclados), Ryland Holland (guitarras) e Kris Rank (baixo), com Max no mesmo instrumento em que seu pai se consagrou.
Confesso que já comprei o álbum de estreia deles (A Light in the Dark) cheio de preconceitos. "Bah, um grupo adolescente de metal progressivo assessorado pelo papai de um deles. Vai ser mais um daqueles trabalhos entediantes, cheios de riffs nada a ver e solos sem inspiração". Bom, no fim, foi uma das minhas maiores quebradas de cara desde que fundei o blog. Se lembrarmos que o Next to None é formado por garotos em torno dos 16 anos de idade, aí sim é que o disco fica impressionante. Porque muita banda adulta não consegue fazer o que os meninos fizeram aqui.
A começar pelo instrumental, que está no caminho certo. Digo "no caminho" porque eles ainda têm uma longa estrada e muito o que evoluir. Os solos são relativamente simples, inflados por arpejos, e há poucas daquelas longas demonstrações de virtuosismo que marcam os trabalhos progressivos. Em alguns momentos, há o que se chama de "overplaying", que é quando você coloca mais notas do que a música está pedindo. São características naturais de um trabalho de músicos em desenvolvimento. O que há, de sobra, é criatividade para compor e versatilidade para não deixar as músicas entediarem, especialmente as mais compridas.
Embora seja um álbum nitidamente progressivo, notam-se influências de outros gêneros. Incluo aí os riffs de heavy metal tradicional e os vocais guturais em "You Are Not Me" e o riff eletrônico na introdução de "Lost", aparentemente inspirado por "Na Gruta do Rei da Montanha", de Edvard Grieg.
As letras não têm lá aquela profundidade típica do metal progressivo, chegam a ser até previsíveis em alguns momentos. Mas não custa lembrar que trata-se de uma banda de meninos.
A música do quarteto soa bem trabalhada - pudera, é o próprio Mike quem assina a produção. Essa parte é sempre fundamental, mas no metal progressivo ela ganha importância ainda maior, pois um som mal gravado pode comprometer a melhor das composições. O dedo de Mike também pode ser percebido no próprio filho, Max - honestamente, o garoto já faz, com menos de 18 anos, mais do que o pai provavelmente fazia na mesma idade.
Seja no interlúdio instrumental a la Dream Theater/Haken em "Blood on My Hands", na balada "A Lonely Walk" ou nos vocais rasgados de "You Are Not Me"; se você é fã de metal progressivo bem executado, provavelmente adicionará esta banda à sua lista de favoritos. E se for uma pessoa paciente e com capacidade de julgar trabalhos de acordo com o contexto em que se encontram, saberá que esta estreia é apenas uma amostra do que está por vir no futuro.
A não ser que os membros do Next to None fossem as reencarnações de Beethoven, Bach, Mozart e Chopin, que já compunham complexas peças na infância, ninguém poderia esperar que eles lançassem logo de cara um trabalho para rivalizar com Symphony X. Assim, A Light in the Dark é uma estreia convincente de uma banda nova com um futuro bastante promissor, bastando continuar com seu aprendizado musical e saber trabalhar seu som de modo a ficar cada vez mais profissional e maduro.
Abaixo, o lyric video de "Blood on My Hands":
Track-list:
1. "The Edge of Sanity"
1. "You Are Not Me"
3. "Runaway"
4. "A Lonely Walk"
5. "Control"
6. "Lost"
7. "Social Anxiety"
8. "Legacy"
9. "Blood on My Hands"
10. "Fortune Cookie" (faixa bônus da edição digital)
11. "Deafening" (faixa bônus da edição digital)
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