311: Banda ganhou novo fôlego com "Stereolithic"
Resenha - Stereolithic - 311
Por William Esteves
Postado em 26 de junho de 2015
Nota: 8 ![]()
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No início de 2014, a banda 311 anunciava que lançaria seu álbum de número 11, Stereolithic, no dia 11 de março, data que é comemorada pelos fãs ao redor do mundo como 311 Day. Quando divulgaram a capa, então, a simbologia veio à tona: Título grafado como STER3OL1TH1C. Ilustrações ocultistas, como três pontos de luz formando um triângulo subentendido ao lado de duas colunas e a representação do espaço.
Esses aspectos mexeram com o imaginário de seus seguidores, que ansiavam por uma revigoração na carreira dos caras, já que os últimos três álbuns (dois sob produção do renomado Bob Rock) haviam decepcionado. Não que a banda já não tivesse dado amostras de suas mensagens misteriosas antes, como na capa de Universal Pulse (2011). É que dessa vez, o trabalho ficara a cargo do conhecido produtor de longa data Scott Ralston, responsável pelos clássicos Transistor (1997) e Soundsystem (1999), o que gerou expectativas positivas.
Bom, o que temos aqui é o 311 mais sombrio de toda a carreira. Curiosamente, não se valeram de um instrumental mais pesado para acompanhar as emoções das letras, mais profundas e introspectivas do que de costume. O passeio pelo rock alternativo, hip hop e reggae continuam ali, como em toda a discografia, mas a abordagem e roupagem são diferentes.
A começar por "Ebb and Flow", escolha inusitada para abertura do trabalho. A música foi construída a partir de uma demo instrumental chamada "Go", um esqueleto nada simples para se montar as melodias, tal a variação entre tensão e relaxamento de suas passagens. Com primor, 311 tornou corpo o que era um rascunho. Além da faixa inicial, são mais 14 músicas pela frente. Certamente, ouvir a primeira te deixará curioso para conhecer o restante.
Primeiro single do álbum, "Five of Everything" é o típico 311 em ação, com seu riff espacial, bateria precisa e duo vocal em perfeita harmonia. Liricamente, mostra-se conflituosa, abordando a eterna busca do ser por algo além do que se tem e do que se conhece.
"Showdown", por sua vez, bebe da fonte do grunge e do ska, provando que elementos incomuns têm mais em comum do que se imagina. Poderia ser perfeita, mas não é, visto que uma parte de rap perdida no meio estraga essa relação. Ménage, nesse caso, não rola. Se tem uma coisa que essa banda faz bem, ah, é o reggae... "Revelation of the Year" faz o corpo balançar e te transporta automaticamente para um lugar cheio de luz e paisagens naturais. Se a essa altura você já se envolveu na mensagem do álbum, cante junto "Pick it up now, brother/Help another pick it up/Don’t get stuck in the destruction looming near". Pois é, agora você é um irmão da seita que eles, aparentemente, dão a entender.
Que wah-wah agradável e acordes de fácil ingestão! É "Sand Dollars", que inevitavelmente virou single. A veia pop comercial, tão abordada nos álbuns anteriores, apareceu na hora certa. Em outros tempos e com um clipe focando na cara de bom moço do vocalista Nick Hexum (o videoclipe de animação tosca não colou), poderia ser um hit.
Já "Boom Shanka" representa o suingue e funk que consagraram a banda, não mais que isso. Porém, há de se destacar o quão memoráveis estão os refrões. "Make It Rough" confirma isso e prova que o 311 sabe cativar, também, em canções simples de curta duração.
Entramos na segunda parte da bolacha com "The Great Divide". Parece, de fato, que o álbum foi divido em antes e depois dessa faixa. Se Stereolithic caminhava para ser um álbum regular, 311 coloca, a partir desse ponto, toda a estranheza sonora guardada dos últimos quinze anos para fora. Um riff um tanto ousado para o quarentão Nick Hexum, que tenta lembrar seus tempos áureos de rapper, só que com menos fúria juvenil e mais anasalado conservador na voz, diga-se de passagem. Por outro lado, S.A Martinez parece tão em forma quanto em todos os outros álbuns.
"Friday Afternoon" conduz a emoções extremas. Primeiramente, te embala como numa canção de ninar. Depois, o verso "Come closer" te aproxima de uma vibração intensa, mas ainda devagar. Breve passeio pelo reggae e de repente, imersão num riff de cavalgadas à la IRON MAIDEN, com duelo de guitarras e tudo. Alguém na sala de gravação da banda deixa escapar um "shit!" após o fim, do tipo, "Cara, olha só o que fizemos". Sim, eles fizeram mesmo.
Temos mais umas pitadas de funk em "Simple True", que impressiona pelas camadas de guitarra bem dispostas por Tim Mahoney. Ainda assim, quem carrega o piano aqui é o baixo de P-Nut. Toda a maluquice que é o 311 está representada em "First Dimension", o destaque de Stereolithic. A sensação é de estar ouvindo uma música oriunda de outro planeta. Possivelmente, passará despercebida pelo ouvinte comum, aquele que não tem paciência para ouvir 10 faixas de um álbum, ainda mais se não conhecer a banda de outros carnavais.
Para você que chegou até "Made in the Shade" e até a esse parágrafo da resenha (parabéns!), uma balada para sossegar sua alma. A letra da música aborda o tédio e desânimo que insistem em desviar o foco de quem procura atingir seus objetivos. Ou seja, deixe de preguiça que o álbum está acabando e ainda reserva gratas surpresas, como "Existential Hero", recheada de raps e um show à parte do baterista Chad Sexton. A conclusão da música é de arrepiar. "The Call" também contribui para você finalizar Stereolithic com sucesso, pois a letra e as melodias são otimistas, numa levada descompromissada.
311 optou por encerrar o trabalho com good vibes, traduzindo em canção a paz que todos querem encontrar ao partir dessa pra melhor. Para gravar "Tranquility", a banda teve que se despojar de quaisquer tipos de barreiras e tabus (se é que ainda haviam) em seu som, especialmente pelo refrão "Ah! Uh!" entoado em falsete por Hexum. O álbum atingiu mais de 55 minutos de duração, mostrando que a banda desistiu da empreitada comercial a qual se atirou em "Uplifter" (2009). Eles bebem da fonte dos ’90, contudo não parecem datados. Mostram que é possível ser futurista sem apelar pro indie ou folk rock da moda. Para o fã, é um prato cheio de todos os ingredientes que ele gosta e uma indicação de que o 311 ganhou novo fôlego.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Tracklisting:
1. "Ebb and Flow"
2. "Five of Everything"
3. "Showdown"
4. "Revelation of the Year"
5. "Sand Dollars"
6. "Boom Shanka"
7. "Make It Rough"
8. "The Great Divide"
9. "Friday Afternoon"
10. "Simple True"
11. "First Dimension"
12. "Made in the Shade"
13. "Existential Hero"
14. "The Call"
15. "Tranquility"
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