Kamala: Thrash Metal moderno, agressivo e bruto até os dentes
Resenha - Mantra - Kamala
Por Marcos Garcia
Fonte: Metal Samsara
Postado em 01 de maio de 2015
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Nesta vida, tudo é incerto. Vivemos conforme nossas sensações e sentidos. E assim, a Roda de Samsara nos prende a ela, até que transcendamos tudo aquilo que nos mantém presos ao império das nossas mentes, onde se ancoram nossos sentidos distorcidos. Uma vida, muitas vidas, sempre indo, voltando, sempre em meio à impermanência, indo do riso da alegria que nunca é satisfeita plenamente ao sofrimento constante. A mente sendo aniquilada faz com que as sensações sejam vencidas pelo caminho do meio, e o Nobre Caminho Óctuplo nos permite distinguir a verdade e perceber a totalidade do que nos cerca. E é assim que podemos representar a visão que "Mantra", novo CD do trio KAMALA, de Campinas (SP): uma autêntica libertação de visões distorcidas do que é Metal como música ou apenas como um meio de se extravasar a rebeldia (que acaba se voltando contra nós mesmos).
O trio foca suas energias em criar um Thrash Metal moderno, agressivo e bruto até os dentes, chegando a esbarrar no Death Metal por isso em alguns momentos. Mas não sejam iludidos por seus sentidos e impressões iniciais: o trabalho do grupo é algo ótimo, assentado sobre estruturas harmônicas muito bem feitas, melodias subjetivas que fazem com que as músicas tenham um ganho de requinte providencial. O trabalho do grupo é feito por vocais urrados (e algumas vezes gritados) em seus timbres mais normais, riffs de guitarra absurdamente bem feitos e brutos, com intervenções de solos com boas melodias (basta ver que existe o uso de wah-wah provedencial, como visto em "Becoming a Stone"), o baixo exibindo boa técnica em muitos momentos, e uma bateria técnica e com um peso absurdo. A música da banda é tão madura que chegamos a nos perguntar porquê grande parte do público do gênero ainda é alheio ao trabalho deles, que esbanja energia, brutalidade e bom gosto. E rompe com fronteiras e dogmas musicais sem pudor algum.

Produzido por Guilherme Malosso (que ainda mixou e masterizou o disco) e Yuri Camargo, com tudo feito no RG Estúdio, em Americana (SP) entre dezembro de 2014 e Março de 2015, fica claro que a banda realmente botou tudo de si no disco e que Guilherme e Yuri souberam trabalhar: qualidade de gravação abusivamente perfeita, seca, com tudo em seus devidos lugares, esbanjando timbres bem feitos e peso, mas clara, ao ponto de um instrumento não convencional como didgeridoo (um instrumento australiano de sopro usado pelos aborígenes locais, tocado por Vitor Martins), samplers e participações especiais de Guilherme nos vocais em "My Religion" e de Maya Silva em "Mantra", "What We Deserve" e "Erawan" ficarem bem audíveis e claras. Sim, essas presenças deram um toque de criatividade a mais ao CD. A arte de Felipe Rostodella com as fontes de Allan (baixista/vocalista do trio) é bem feita, com um layout mais simples, mas explorando bem a temática mais consciente do grupo, e as imagens estilizadas de Ganesha (deus hindu que representa a sabedoria e a força para transcender problemas de uma forma lógica) representando cada um dos membros do trio.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | O KAMALA já não anda sendo convencional desde "Seven Deadly Chacras", de 2012, e agora, resolveu transcender ainda mais as fronteiras. Óbvio que isso demanda arranjos musicais muito bem feitos (mas que são bem espontâneos), dando um forte toque oriental/indiano ao grupo, mas sem o descaracterizar. E para se compreender "Mantra" em sua plenitude, é realmente necessário fugir de velhos padrões e permitir que sua visão se torne mais ampla. "Mantra" transpira uma forte positividade, mesmo em suas letras e momentos mais brutos.
Após a intro instrumental "Warning", o disco já começa em alto nível com "Mantra", uma faixa bruta e ríspida, com andamento bem variado, forçando baixo e bateria a fazerem um ótimo trabalho. Em seguida, "Alive" mostra ainda mais adrenalina, mas com uma pegada Thrasher contagiante, com ótimos vocais e riffs insanos. "What We Deserve" já começa com um riff de guitarra instigante e bumbos duplos fantásticos, mas logo vira a típica faixa para rodas de pogo e a cabeça balançar até o pescoço doer, com belos arranjos de guitarras e energia aos borbotões, fora arranjos orientais muito bem encaixados, onde ouvimos o baixo recheando um momento mais ameno perfeitamente. Em "Better Energy, Less Anger", outro apelo ao pogo e banging sem fim, recheada por baixo e vocais esbanjando força, fora uma letra que mostra um pouco de um ensinamento sublime. Mais agressividade saindo pelos falantes é o que "My Religion" oferece, uma canção cheia de arranjos bem abrasivos, reforçando o clima opressivo e permitindo que bateria e baixo se sobressaiam bastante (reparem bem nas bases e no o solo cheio de influências orientais nas notas e entenderão o que digo), sendo os mesmo elementos que encontramos na um pouco mais rápida e cativante "Becoming a Stone" (mais um solo caprichado e belos momentos do baixo). "Airavata" é uma instrumental climática, cujo nome se refere ao elefante sagrado que é montaria de Indra, divindade hindu do trovão. Segue-se a climática, pesada e intensa "Erawan", uma faixa um pouco mais curta, mas bem abrasiva (e cujo nome se refere diretamente à cultura do povo da Tailândia, já que é de um museu de lá, adornado com um elefante de três cabeças). Fechando o disco, temos a bem trabalhada "Suicidal Attack", onde ainda temos agressividade em estado bruto, mas certo apelo melódico introspectivo permeia a canção do início ao fim, dando o encerramento com chave de ouro.

O KAMALA mostra raça e disposição para se manter na luta, "Mantra" se coloca entre os melhores discos do ano, e mostra uma banda que sabe aliar uma música excelente, letras inteligentes e que possuem muito a ensinar a todos nós.
Um CD perfeito!
Mantra - Kamala
(Voice Music - Nacional - 2015)
Tracklist:
01. Warning
02. Mantra
03. Alive
04. What We Deserve
05. Better Energy, Less Anger
06. My Religion
07. Becoming a Stone
08. Airavata
09. Erawan
10. Suicidal Attack

Lineup:
Raphael Olmos – Vocais, guitarras, guitarra acústica
Allan Malavasi – Baixo, vocal, guitarra de 12 cordas
Estavan Furlan – Bateria, percussão, vocal
Contatos:
https://www.kamalaofficial.net/
https://www.facebook.com/kamalaofficial
https://www.youtube.com/kamalaofficial
https://www.instagram.com/kamalaofficial

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
Guns N' Roses encerra turnê no Brasil com multidões, shows extensos e aposta em novos mercados
Johnny se recusou a ajudar Joey nos últimos shows do Ramones, diz CJ
Sepultura se despede entre nuvens e ruínas
População de São Paulo reclama do som alto no Bangers Open Air
10 músicas ligadas ao rock que entraram para o "Clube do Bilhão" do Spotify em 2026
A melhor música da história dos anos 1990, segundo David Gilmour
O motivo por trás da decisão de Aquiles Priester de vender baquetas do Angra no Bangers
O melhor solo de guitarra de todos os tempos, segundo Eric Clapton
Como "volta às origens" causou saída de Adrian Smith do Iron Maiden
A opinião de Fernanda Lira sobre Jessica Falchi como nova guitarrista do Korzus
Belo Horizonte entra na rota do rock internacional e recebe shows de Men At Work, Dire Straits Legac
Dave Grohl redescobriu o Alice in Chains graças às filhas
Fabio Lione posta mensagem misteriosa no Instagram; "Não direi nem uma palavra"
Baixista lamenta que letras do Bad Religion ainda sejam relevantes
Lars Ulrich, do Metallica, é um bom baterista? Mike Portnoy explica
A banda de rock "criminosamente subestimada", segundo o crítico Regis Tadeu
U2: as 10 melhores músicas de todos os tempos da banda

"Eagles Over Hellfest" é um bom esquenta para o vindouro novo disco do colosso britânico Saxon
Ju Kosso renasce em "Sofisalma" e transforma crise em manifesto rock sobre identidade
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
Carach Angren - Sangue, mar e condenação no Holandês Voador
Testament - A maestria bélica em "Para Bellum"
Pink Floyd: The Wall, análise e curiosidades sobre o filme

