Deicide: Os 20 anos profanos de "Once Upon The Cross"
Resenha - Once Upon The Cross - Deicide
Por David Torres
Postado em 18 de abril de 2015
Existem bandas e músicos que sempre foram cercados por constantes polêmicas e certamente, Glen Benton e sua banda, o Deicide, são um forte grande exemplo disso, tanto pela postura antirreligiosa e anticristã de Benton, como de suas letras e fatos que permeiam toda a trajetória da banda. Contudo, não irei adentrar nesse tipo de assunto e sim, revisitar o terceiro álbum de estúdio gravado por esses monstros do Death Metal. "Once Upon the Cross" foi lançado em 17 de abril de 1995, através da gravadora Roadrunner Records e hoje está completando 20 anos. Produzido pela banda, em parceria com o experiente produtor Scott Burns (Terrorizer, Napalm Death, Autopsy e outros), no lendário estúdio Morrisound Recording, em Tampa, Flórida (EUA), "Once Upon the Cross" é dono de uma das capas mais controversas da história do Metal e apresenta um Death Metal sem quaisquer firulas, totalmente sujo e visceral.
O álbum se inicia com um pequeno trecho extraído do longa metragem "A Última Tentação de Cristo" (1988) e rapidamente abre caminho para os "riffs" imundos da faixa título, a clássica "Once Upon the Cross". Os urros guturais de Glen Benton rasgam os auto falantes, assim como as guitarras cortantes dos irmãos Eric e Brian Hoffman e a bateria crua e nada misericordiosa de Steve Asheim. O álbum segue uma linha homogênea de composição, mas jamais desaponta. A truculenta "Christ Denied" dá continuidade ao massacre com mais uma pancada suja e direta, entregando palhetadas e solos insanos e frenéticos.

A profanação continua com uma sequência de faixas matadoras. Outro clássico, "When Satan Rules His World", possui "riffs" que impulsionam o ouvinte a "banguear" ininterruptamente. Por sua vez, a igualmente fantástica "Kill the Christian" tem uma introdução ensurdecedora e incrivelmente veloz, rumando depois para um andamento mais cadenciado e extremamente devastador. A sonoridade lembra muito o Cannibal Corpse na época do "Butchered at Birth" (1991), o que é perfeitamente compreensível, levando em conta que o produtor Scott Burns esteve por trás das duas obras.
Um segundo trecho de "A Última Tentação de Cristo" introduz "Trick or Betrayed", mais uma aula de destruição e heresias intermináveis com pouco mais de dois minutos de duração que não deixam pedra sobre pedra. A seguir, mais um clássico se inicia, "They Are the Children of the Underworld", trazendo ainda mais doses incessantes de "riffs" assassinos, urros monstruosos e uma bateria sempre contundente.
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É importante mencionar que esse álbum é muito famoso por ter uma arte original que mostrava o tronco de Jesus Cristo completamente dilacerado, com ossos e vísceras expostos. A capa era tão explícita e chocante que fez com que a banda lançasse o disco com uma capa nova, que soou como uma brincadeira irônica com a censura, colocando um tecido branco sobre o corpo esquartejado. Para não perder a arte original, ela foi inserida dentro do encarte do álbum.

Vinte anos depois e "Once Upon the Cross" ainda é um grande disco de Death Metal. Ainda que exista uma polêmica exacerbada em cima da banda, especialmente de seu "frontmen", Glen Benton, um fato inegável é que eles foram responsáveis pela criação de grandes álbuns do Metal Extremo desde o início da década de noventa. Para aqueles que curtem Death Metal e Metal Extremo em geral e nunca ouviram algum registro do Deicide ou nunca tiveram o interesse por conta das polêmicas alheias, sugiram que deixem de lado esse pensamento e parem para conferir seus trabalhos, especialmente os primeiros lançamentos da banda, como esse. Vale e muito a pena!

01. Once upon the Cross
02. Christ Denied
03. When Satan Rules His World
04. Kill the Christian
05. Trick or Betrayed
06. They Are the Children of the Underworld
07. Behind the Light Thou Shall Rise
08. To Be Dead
09. Confessional Rape
Glen Benton (Vocal/Baixo)
Eric Hoffman (Guitarra)
Brian Hoffman (Guitarra)
Steve Asheim (Bateria)

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