In Flames: Novo álbum é o melhor da banda em 10 anos
Resenha - Siren Charms - In Flames
Por Junior Frascá
Postado em 09 de setembro de 2014
O IN FLAMES, principal nome da cena do death metal melódico sueco, foi uma banda que cresceu! E cresceu tanto que angariou uma legião de fãs mundo afora, conseguindo um contrato com uma major, e, principalmente, no decorrer dos anos, mudou sua sonoridade. E mudou tanto que muitos dos antigos fãs sequer reconhecem na banda qualquer semelhança com o antigo IN FLAMES, que revolucionou a cena do metal extremo em meados dos anos 90. Assim, caro amigo leitor, você tem duas opções ao ouvir o novo álbum dos caras: compará-lo com os primórdios da banda (e, já adianto, se decepcionar miseravelmente), ou procurar escutar o disco com a mente aberta, e procurar vislumbrar o que essa nova fase tem a oferecer.
E esse fato inclusive tem levado a grande maioria das resenhas publicadas sobre este novo álbum, o 11º de sua carreira, serem bem negativas, e elegendo o trabalho como o pior lançamento do IN FLAMES. Mas será isso tudo mesmo? Bom, como dito no parágrafo anterior, depende do ponto de vista que você analisar o trabalho.
Analisando friamente "Siren Chrams", simplesmente do ponto de vista musical, a conclusão que chego é que se trata de um bom disco, com ótimas canções, construídas de forma a conquistarem o ouvinte da forma mais simples e direta possível. Ou seja, há uma certa tendência "radiofônica" e moderna que permeia a maioria do disco, que pode sim ser encarado como o mais comercial da banda até o momento. E isso é ruim? Não, muito pelo contrário.
A faixa de abertura, "In Plain View", traz bem evidente essa nova fase da banda, com um clima meio industrial, guitarras sujas, vocais melancólicos, e um refrão bem marcante e grudento, sendo uma das melhores do disco. Na sequência, "Everthing’s Gone" tem um começo brutal, remetendo aos primeiros trabalhos da banda, e possui alguns dos riffs mais legais do trabalho, e novamente conta com um belo refrão.
Mas daí pra frente a tendência mais comercial que mencionei começam a ficar mais evidentes.
"Paralyzed", por exemplo, conta com um trabalho vocal impecável, em especial nos backings, e a pop "With Eyes Wide Open", é bem melancólica e cativante, e chama a atenção pelas ótimas melodias e arranjos diversificados. Outro destaque fica para a experimental "Rusted Nail", que embora traga uma gama variada de elementos, consegue soar bem agradável e instigante.
Por sua vez, em alguns momentos a banda acabou pisando na bola, como no single "Through Oblivion", que embora possua um refrão interessante, tem uma levada melosa e irritante; e "When the Worlds Explodes", que embora tenha alguns momentos pesadíssimos, inclusive com vocais guturais de Andres, tem um refrão tenebroso, com vozes femininas desconexas.
A produção do disco é outro grande ponto a favor, sendo uma das melhores da banda até hoje, e a arte gráfica do material é belíssima, em especial na versão digibook do trabalho.
Na opinião deste que vos escreve, embora seja impossível comparar o disco com os clássicos da banda, é o melhor trabalho do IN FLAMES desde "Soundtrack to Your Escape", de 2004. Mas, como já avisado: ouça com a mente aberta, e não espere por uma volta as origens da banda, pois "Siren Charms" está bem longe de seguir por esse caminho.
Siren Charms – In Flames
(2014 – Sony Music - Importado)
Tracklist:
01. In Plain View
02. Everything's Gone
03. Paralyzed
04. Through Oblivion
05. With Eyes Wide Open
06. Siren Charms
07. When The World Explodes
08. Rusted Nail
09. Dead Eyes
10. Monsters In The Ballroom
11. Filtered Truth
Outras resenhas de Siren Charms - In Flames
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