Mad Sneaks: Ótima produção e performance que pode melhorar
Resenha - Incógnita - Mad Sneaks
Por Igor Miranda
Fonte: IgorMiranda.com.br
Postado em 28 de agosto de 2014
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O desafio de fazer rock com letras em português é grande. Mas é ainda maior quando as referências do subgênero estão bem distantes do Brasil. O Mad Sneaks, que traz o melhor do grunge e post-grunge como influência, topou o desafio de fazer uma versão tupiniquim do estilo.
O trio formado em 2009 por Agno Dissan (vocal e guitarra), Adriano Lima (baixo) e Amaury Dias (bateria) vem da minúscula cidade de Alpinópolis, sul de Minas Gerais, que tem cerca de 20 mil habitantes. Aos poucos, a banda conquistou notoriedade e repercussão no cenário independente - chegaram até a tocar em minha cidade, Uberlândia, mas não estava na cidade no dia. "Incógnita", disco de estreia do grupo, foi lançado em 2013, com produção de Jack Endino, que já trabalhou com Nirvana, Soundgarden e outras.

A abertura instrumental "Canção Sem Fim" chama a atenção pelo instrumental bem trabalhado e pelas timbragens decisivas. O baixo distorcido de Adriano Lima, a bateria de ótima sonoridade de Amaury Dias e a guitarra pesada do também cantor Agno Dissan mostram que o trio tem uma linha artística delimitada: é como uma versão um pouco mais metálica do Alice In Chains. A influência da banda de Jerry Cantrell se evidencia na faixa seguinte, "A Cura". Desde o apoio vocal mais grave à estrutura melódica, tudo soa como Seattle. Mas há um peso interessante aqui - provavelmente pelo baixo destacado. A canção peca apenas por não apresentar muitas variações.

"Pandora" dá sequência, inicialmente, sem distorção. Na calmaria do clean, Agno Dissan mostra que também é bom cantor. A música retoma a distorção, mas é um pouco mais lenta e flerta com o pop rock, apesar de não abandonar a proposta de letra "para baixo", típica do grunge e deste álbum. O solo de guitarra é gostoso de se ouvir e os elementos de orquestra no refrão são interessantes.
"Sangue Sujo", quase punk de tão simplória, cativa pela energia. Os riffs são bons e a bateria acompanha bem, mas a voz soa mal em alguns momentos. "Coma" engana: começa limpa, depois cai para o peso. A alternância acontece mais vezes ao longo da canção. A letra incisiva, a melodia de clima pesado e algumas passagens de boa interpretação vocal de Agno Dissan - especialmente antes do solo - são os destaques. Faixa tipicamente post-grunge.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | "Armas, Rosas e Fogo" é conduzida pela bateria de Amaury Dias e caminha para uma música tipicamente influenciada pelo Nirvana - fora dos hits, obviamente. A faixa "Rótulo" dá sequência e combate, justamente, o que faço ao longo do texto: explicitar alguns rótulos que definam a banda. Claro que os julgamentos citados pela boa letra são outros, o que torna a temática interessante. A canção alterna entre momentos post-grunge (versos) e punk (refrão), o que é curioso e fez com que essa se tornasse a minha preferida.

"Medeleine" foge um pouco do padrão de vocalização das outras músicas. Ora aos berros, ora em calmaria, Agno Dissan parece duas pessoas diferentes na canção. Boas linhas de guitarra também garantem essa como uma das melhores do disco. "Biocida" fecha o trabalho com um pouco do que há de mais sombrio em Seattle. Arrastada, quase toda clean e psicótica em sua primeira metade, a canção adota um peso quase hardcore na segunda parte. Faixa dinâmica.
O primeiro disco do Mad Sneaks deixa claro que algumas questões de composição e performance precisam ser repensadas. Muitas canções seguem o mesmo padrão: verso, refrão, verso, refrão, solo e refrão cantado aos berros. Campos harmônicos e até estruturas - como a que citei - precisam de mais variação para que a audição do trabalho como um todo fique mais dinâmica. Além disso, creio que Agno Dissan se sai muito melhor como guitarrista do que como vocalista. O formato de quarteto, com mais um para assumir os microfones, pode representar uma evolução à banda. Ou não - pode ser que mais experiência o dê habilidade e segurança adicionais.

Apesar dos pontos citados, "Incógnita" é um trabalho de destaque em meio ao sonolento cenário do rock nacional. Bem feito, bem tocado e bem produzido. A banda pode trazer outras influências para sua música, até para deixar de lado a perspectiva de "tributo nacional à cidade de Seattle" que é adotada em certas canções. Mas o grupo tem uma linha muito bem definida e soa confortável nela. Com um ou outro ajuste em um próximo trabalho - e com calma, já que "Incógnita" foi gravado em apenas oito dias -, sem dúvidas o Mad Sneaks vai se tornar um nome de ainda mais destaque no underground brazuca.
Mad Sneaks: "Incógnita" (2013)
Agno Dissan (vocal, guitarra, bandolim em 9)
Adriano Lima (baixo)
Amaury Dias (bateria)

01. Canção Sem Fim (instrumental)
02. A Cura
03. Pandora
04. Sangue Sujo
05. Coma
06. Armas, Rosas e Fogo
07. Rótulo
08. Medeleine
09. Biocida
Acesse:
http://www.madsneaks.com.br
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Pôster do Guns em Fortaleza gera reação da Arquidiocese com imagem de Jesus abraçando Axl
Baixista admite que saída do Korn se deu por recusa a tomar vacina
O maior cantor da história do rock progressivo, em lista de 11 vocalistas feita pela Loudwire
Mortification fará quatro shows no Brasil em 2027; confira datas e locais
Como Kai Hansen do Helloween destravou a reunião do Angra com Edu Falaschi
Slash escolhe o maior álbum ao vivo de todos os tempos; "Eu amo esse disco"
10 discos que provam que 1980 foi o melhor ano da história do rock e do heavy metal
Cavalera Conspiracy participará de evento que celebra 40 anos de "Reign in Blood", do Slayer
O disco do Sepultura que tem vários "hinos do thrash metal", segundo Max Cavalera
15 bandas de rock e heavy metal que colocaram seus nomes em letras de músicas
Rodolfo revela atitude de Danilo Gentili que o surpreendeu positivamente na TV
A balada do Aerosmith que o baixista Tom Hamilton achava "muito fraca"
Sobrinha de Clive Burr (Iron Maiden) fará estreia na WWE
O que motivou Rob Halford a aceitar abrir turnê do Kiss com o Judas Priest
O comportamento dos fãs do Queen nos shows que irritava muito Brian May
O significado de "cavalos-marinhos" na triste balada "Vento no Litoral" da Legião Urbana
O riff que foi criado "do nada" e se tornou um dos mais famosos de todos os tempos

"Eagles Over Hellfest" é um bom esquenta para o vindouro novo disco do colosso britânico Saxon
Ju Kosso renasce em "Sofisalma" e transforma crise em manifesto rock sobre identidade
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
Carach Angren - Sangue, mar e condenação no Holandês Voador
Testament - A maestria bélica em "Para Bellum"
Pink Floyd: The Wall, análise e curiosidades sobre o filme

