Trans-Siberian Orchestra: O segundo disco da trilogia natalina
Resenha - Christmas Attic - Trans-Siberian Orchestra
Por Pedro Ceballos
Postado em 31 de julho de 2014
No segundo ato de sua trilogia de Natal, o TSO apresenta uma história parecida. Desta vez, o anjo é enviado à Terra para levar algo que transforme a humanidade. No sótão de uma casa, uma criança explora um baú recheado de cartas, brinquedos e itens relacionados ao Natal.
Transsiberian Orchestra - Mais...
O sucesso de "Christmas Eve and Other Stories" não apenas encheu os bolsos e o prestígio dos idealizadores do Trans-Siberian Orchestra (hoje, o álbum é o nono disco de Natal mais vendido desde 1991) como mostrou que estavam no caminho certo. Isso garantiu que o segundo registro da trilogia natalina saísse dois anos depois, em 1998.
Seguindo os mesmos moldes do anterior, "The Christmas Attic" tem história e formato semelhante. Novamente, o mesmo anjo é enviado à Terra, porém agora, numa missão inversa, seu objetivo é levar algo que beneficie toda a humanidade, partindo apenas com sua alma, sem a permissão de levar consigo qualquer coisa do mundo celestial.
Ouvindo as preces de uma criança, duvidosa em relação ao Natal, o anjo é tocado por sua alma para atender seus pedidos. No sótão, à espera da chegada do velho Noel para que comprove a veracidade da data, a jovem se vê diante de um baú cheio de enfeites, brinquedos antigos e cartões de Natal, e motivada por um suspiro angelical, começa a revirar a caixa, lendo as cartas e as histórias ali deixadas.
Assim como no primeiro capítulo, o álbum se constrói em cima das histórias de natal que a garota lê nas cartas e artigos de jornal encontrados no baú. Há um conceito primário e várias histórias paralelas no meio das canções que compõe a história principal. Sim, há algumas boas histórias, mas no geral, pouco atraentes em relação àquelas que o grupo trouxe à vida em 1996.
Se os conceitos que o grupo traz não são os mais interessantes, musicalmente, a sensação é que a banda se afastou um pouco do clima essencialmente natalino para expandir as possibilidades e novas sonoridades. Ainda ouvimos as ótimas releituras de clássicos hinos de Natal (a melhor parte do TSO) no hit "Christmas Canon", em "Boughs of Holly", "The March of the Kings/Hark The Herald Angel" e "Joy of Man’s Desire/Angels We Have Heard on High" e as referências clássicas (à J.S. Bach, Pachelbel e Georges Bizet aqui), porém misturas com blues, jazz e rock, e o excesso de power-ballads (destaque para a blues "Music Box Blues") já mostram um repertório mais variado, mas ao mesmo tempo inconstante, sem graça e desfocado perto do excelente disco de estréia.
Ainda é possível apontar três ou quatro grandes canções (destaque para a original "Midnight Christmas Eve" e a jazzy "The Three Kings And I (What Really Happened)") dentro de "The Christmas Attic", um registro inconsistente, carente da mescla inovadora de hinos de natal, música clássica e metal progressivo, distante do que a banda se propôs a fazer dois anos antes, embora tente seguir a mesma estrutura de sucesso do álbum anterior.
Uma boa quantidade de músicas tapa-buraco, uma fórmula repetida com menos inspiração e a ausência dos épicos instrumentais que apenas os músicos do Savatage/TSO sabem fazer, é o que fazem deste registro, apenas mais do mesmo e consequentemente, o mais fraco da trilogia.
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http://www.discosconceituais.com
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