Badlands: 25 anos do disco de estreia
Resenha - Badlands - Badlands
Por Igor Miranda
Fonte: IgorMiranda.com.br
Postado em 11 de maio de 2014
Um dos discos mais imponentes e poderosos do hard rock era lançado há exatos 25 anos. Musicalmente falando, a estreia do Badlands não poderia ser melhor. O supergrupo, formado por Jake E. Lee (guitarra), Ray Gillen (vocal), Eric Singer (bateria) e Greg Chaisson (baixo) tem bases formadas no Black Sabbath, mesmo que indiretamente - como no caso de Lee.

O guitarrista foi o responsável por suceder o falecido Randy Rhoads na banda de Ozzy Osbourne. Com grande participação nas composições, o músico gravou dois discos com o Madman: "Bark At The Moon" e "The Ultimate Sin". A parceria não foi para frente especialmente por conta da empresária e esposa de Ozzy, Sharon. Eric Singer integrou o Black Sabbath de 1985 a 1987, quando Tony Iommi tentava, na verdade, engatar uma carreira solo. Gravou "Seventh Star" e "The Eternal Idol", até ser convencido por uma proposta melhor para fazer parte da banda de Gary Moore - o que também não durou muito. Ray Gillen ficou no Sabbath apenas de 1986 a 1987. Fez a parte final da turnê de "Seventh Star" e gravou algumas demos para "The Eternal Idol", mas foi expulso por conta da dependência química.

Os três egressos se juntaram a Greg Chaisson e formaram o Badlands, cuja proposta musical transitava entre o hard rock das décadas de 1970 e 1980. O debut escancara que, apesar do apelo típico da época - o Van Halen impôs todos os padrões do rock pesado oitentista, não havia como se desviar -, a banda bebia muito na fonte do Nazareth, primeiros anos de Whitesnake e, especialmente, do Led Zeppelin. A boa produção de Paul O'Neill, também co-autor de várias canções do play, resgata um pouco da proposta retrô.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | "High Wire" abre o registro de forma eletrizante, como sugere o título. Jake E. Lee, notável líder criativo da empreitada, demonstra genialidade em cada acorde. Em "Dreams Of The Dark", um dos singles do trabalho, o destaque é a performance vocal de Ray Gillen. O interlúdio "Jade's Song" abre caminho para "Winter's Call", que começa desacelerada mas logo retoma o peso. É a faixa que mais traz influência do Zeppelin de todo o disco.

"Dancing On The Edge" é quase um heavy metal. Música ágil, pesada e com performance invejável de Gillen, um dos maiores cantores do estilo na minha opinião. "Streets Cry Freedom" segue a métrica do "começa devagar e vai crescendo". A canção tem momentos distintos, o que a torna ainda mais atrativa. "Hard Driver" é um hard n' heavy mais direto, que demonstra o funcionamento do instrumental do Badlands: cozinha criativa e entrosada com a guitarra, que dá as coordenadas para a canção.
"Rumblin' Train" é um blues rock típico das bandas de hard setentista. Jake E. Lee brilha com intervenções aguardadas de um excelente guitarrista. De início, "Devil's Stomp" nos faz acreditar que, enfim, há uma power ballad no disco. Mas a partir do 2° minuto, o peso é retomado. O momento baladesco vem na última faixa da versão em vinil com "Seasons", que é um pouco mais melódica e desacelerada, mas não dispensa as guitarras distorcidas. "Ball & Chain", que consta apenas na versão em CD, é marcada por swing e riffs explicitamente influenciados pelo Led Zeppelin.

O Badlands era, sem dúvidas, uma das bandas mais distintas do hard rock oitentista. Por mais que soe contraditório, é inegável que a mistura entre o contemporâneo e o clássico, proposto na década de 1970, estava à frente do tempo do grupo. Mas é muito provável que o relacionamento ruim entre os integrantes - que gera má gestão da banda - possa ser o principal motivo pelo qual esse digno clássico não engrenou. Tanto é que, após o segundo disco, "Voodoo Highway", a relação entre Gillen e Lee chegou a um ponto insustentável, que resultou no fim do projeto.

Mesmo com o investimento da gravadora e muito talento por parte dos envolvidos, o Badlands permanece como uma pérola cult entre os fãs do gênero. Não chegou ao mercado com o devido impacto, infelizmente. Mas merecia, especialmente por esse debut. É nota dez do início ao fim.
Badlands: "Badlands"
Lançado em 11 de maio de 1989
Ray Gillen (vocal)
Jake E. Lee (guitarra)
Greg Chaisson (baixo)
Eric Singer (bateria)
01. High Wire
02. Dreams in the Dark
03. Jade’s Song
04. Winter’s Call
05. Dancing on the Edge
06. Streets Cry Freedom
07. Hard Driver
08. Rumblin' Train
09. Devil's Stomp
10. Seasons
11. Ball & Chain (apenas na versão em CD)
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