Tuomas Holopainen: The Life and Times of Scrooge

Resenha - Life and Times of Scrooge - Tuomas Holopainen

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Por Thiago El Cid Cardim
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Mais do que um fã de cultura pop, Tuomas Holopainen, tecladista, principal compositor e líder da banda finlandesa de metal sinfônico Nightwish, sempre foi um fanático declarado pela Disney. Nunca escondeu isso de ninguém e espalhou referências, ainda que discretas, às obras do estúdio do velho Walt nas canções de seu grupo (Nemo, alguém?). O disco anterior do Nightwish, Imaginaerum, tornou-se a trilha de um longa-metragem, com ares de conto de fadas sombrio, uma mistura de Tim Burton e Alice no País das Maravilhas.
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Mas, em seu primeiro disco solo, ele foi além — e resolveu criar uma obra conceitual inspirada em The Life and Times of Scrooge McDuck. O disco, de mesmo nome (sem o McDuck, apenas para efeitos autorais), tem total apoio do autor da HQ original – no caso, Don Rosa, o roteirista/ilustrador mais importante dos gibis dos patos da Disney depois do lendário Carl Barks e responsável pela bela imagem exclusiva da capa do álbum. Mas não se engane, querido leitor: The Life and Times of Scrooge não é um disco de heavy metal - seja ele power, sinfônico, gótico ou qualquer coisa assim. É praticamente um disco instrumental, com poucas canções efetivamente cantadas. É uma trilha sonora requintada, sofisticada, de excelente qualidade e com uma produção cristalina, prontinha para o dia que alguém resolver transformar esta HQ em filme.

A trama da história original – que tem 12 capítulos e cerca de 210 páginas no total – gira em torno do passado do Tio Patinhas, em como ele viajou quilômetros e quilômetros nas mais adversas condições e trabalhou duro na mineração de ouro em busca da fortuna que viria muitos anos depois. Os capítulos se espalham do século XIX até a década de 50.

Quando saiu o primeiro single do disco, A Lifetime of Adventure, com as vozes das vocalistas finlandesas Johanna Kurkela (supostamente, namorada de Tuomas) e Johanna Iivanainen, ficou a impressão de que estaríamos diante, talvez, de um disco que seria uma espécie de evolução do Nightwish - lindo, intrigante, envolvente. Mas The Life and Times of Scrooge é mais do que isso. Desde a introdução com Glasgow 1877, uma canção com sonoridade tipicamente escocesa na qual Scrooge (interpretado por Alan Reid) se despede da família e ouve o lamento de sua mãe, Downy O'Drake (Johanna Iivanainen), dá para perceber que a proposta aqui tem outro nível.

Em Into The West, o banjo e a gaita ganham destaque à frente da orquestra (no caso, a London Orchestra, regida pelo mesmo maestro Pip Williams que colaborou com Tuomas nos discos Once, Dark Passion Play e Imaginaerum, do Nightwish) em um épico country old school que dá a perfeita sensação de que o personagem está desbravando o Velho Oeste ainda perigoso, desconhecido mas cheiod e promessas de uma nova vida. Já a estrutura grandiosa e sombria de Duel & Cloudscapes, com uma belíssima interpretação do coral Metro Voices, poderia facilmente estar na trilha de qualquer filme d'O Senhor dos Anéis, pela vibração que transmite de uma luta em meio a cenários idílicos.

Em Cold Heart Of The Klondike, Tony Kakko, a voz do Sonata Arctica, assume as vezes de narrador para contar como é a solitária chegada de Scrooge ao Klondike - uma região de Yukon, noroeste do Canadá, a leste da fronteira com o Alasca. É lá, na cidade de Dawson, que ele conhece uma cantora e dançarina que pode ser considerada o grande amor da sua vida, Goldie o'Gilt. A moça é vivida, na obra, por Kurkela, que faz um belo dueto com Reid tanto na megalomaníaca The Last Sled quanto na delicada balada violão e voz Go Slowly Now, Sands Of Time, que funciona claramente como a canção da reflexão do herói depois de sua jornada.

Se alguma faixa pode lembrar, ainda que remotamente, o Nightwish, ela seria Dreamtime, com o onírico teclado característico de Tuomas ditando o andamento, quase como se estivesse ditando os rumos de um sonho, prestes a tornar-se pesadelo. Mas, honestamente, o ideal é ouvir este disco sem ter o Nightwish em mente. Aliás, sem ter qualquer banda bate-cabeça em mente. Este é um momento para curtir música de um jeito diferente. E que faz com que um caminho bastante interessante se abra para o Sr.Holopainen: ele pode pensar seriamente em trabalhar com este negócio de cinema. Ia se dar muito bem. Basta algum figurão de Hollywood ouvir este disco para ter a mesma impressão que eu.

Line-up:
Tuomas Holopainen - Teclado/piano e arranjos
Johanna Kurkela, Johanna Iivanainen, Tony Kakko e Alan Reid - Vocais
Troy Donockley - Instrumentos de sopro
Mikko Iivanainen - Guitarra, banjo
Teho Majamäki - Didgeridoo
Jon Burr - Gaita
Dermot Crehan - Violino solo

Tracklist:
1. Glasgow 1877
2. Into The West
3. Duel & Cloudscapes
4. Dreamtime
5. Cold Heart Of The Klondike
6. The Last Sled
7. Goodbye, Papa
8. To Be Rich
9. A Lifetime Of Adventure
10. Go Slowly Now, Sands Of Time

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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