John Lennon: O álbum mais pessoal e intimista do ex-beatle

Resenha - Imagine - John Lennon

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Por Edson Medeiros, Fonte: Acid Experience
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Nota: 9

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Imagine é o segundo álbum de estúdio do ex-beatle JOHN LENNON após o amargo fim do grupo declarado publicamente apenas em 1970, mesmo sem que os Beatles se reunissem em desde o ano anterior.
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Após a trilogia de discos experimentais gravados (entre 1968-1969) em parceria com sua esposa YOKO ONO, Lennon resolveu que deveria criar sua música sozinho, sem contar com a colaboração de YOKO, tentando também minar a lembrança popular de sua parceria de sucesso com PAUL MCCARTNEY no Fab Four.

Apesar disso, YOKO novamente teve uma parcela significativa de importância dentro da obra do seu marido, muitas das faixas foram inspiradas na japonesa – que também é creditada como co-autora de uma canção além de ter participado da produção durante as gravações no Ascot Studios. A produção final ficou por conta de LENNON e PHIL SPECTOR, com quem o ex-beatle havia trabalhado em Let It Be (1970) e John Lennon/Plastic Ono Band (1970).

As gravações básicas rolaram durante alguns dias no Ascot (estúdio construído na casa de John) e foram finalizadas entre o Abbey Road Studios (Londres) e o Record Plant (Nova York) – onde boa parte dos instrumentos foram adicionados e PHIL SPECTOR pode trabalhar sua técnica conhecida como ‘Wall of Sound’.

Entre os músicos que participaram das sessões podemos destacar: outro ex-beatle GEORGE HARRISON, JOEY MOLLAND e TOM EVANS (ambos do BADFINGER), o requisitado pianista NICKY HOPKINS, JIM GORDON (que vinha tocando com ERIC CLAPTON), o guitarrista TED TURNER (WISHBONE ASH) e o baixista alemão KLAUS VOORMAN – amigo dos BEATLES desde que fizeram residência nos pubs de Hamburgo no inicio dos anos 60.

Durante a gravação de Imagine, LENNON passava por uma fase interessante de sua vida graças ao seu engajamento político e sua luta pelo fim da Guerra do Vietnã. Sua preocupação com causas sócias o levou a se envolver em protestos e movimentos que causariam uma perseguição do governo NIXON, que o processava e queria impedi-lo de viver ou entrar em território americano. Ainda passava por imbróglios judiciais com a Apple e seus ex-companheiros de banda e dizia-se atacado por PAUL MCCARTNEY em seu álbum Ram (1971). Em contraponto a tantos problemas vivia um momento pessoal feliz com YOKO depois de ter passado por problemas com a separação de sua primeira esposa.

Como reflexo de tantas situações e sentimentos distintos que aconteciam diante dos seus olhos sem que ele pudesse ter algum controle sobre o rumo que as coisas tomavam, o espírito por trás de Imagine pode ser um tanto quanto caótico.

A cada faixa, desde sua abertura até o seu desfecho, o disco nos dá uma sensação de incapacidade, impotência, melancolia, arrependimento e ódio, mas às vezes passando por bons sentimentos de alegria, esperança, amor e paz.

Na faixa-título LENNON cita seu sonho de um mundo melhor, sem distinções separatistas, onde não haja fronteiras bélicas ou guerras religiosas e todos possam viver em paz, apesar de se creditado como autor de “Imagine” JOHN teria tirado a inspiração para a canção de um livro de poesias escrito por YOKO. O Country de “Crippled Inside” parece ao mesmo tempo sombrio e otimista, enquanto “Jealous Guy” mostra um LENNON melancólico e arrependido, referindo a si mesmo como um cara ciumento e às vezes violento, também serviu como pedido de desculpas por seus erros com CHYNTIA POWELL (sua primeira esposa) e como aviso sobre seu gênio a YOKO.

“It’s So Hard” fala sobre as dificuldades cotidianas que fazem as pessoas quererem desistir da vida, desde relacionamentos destruídos até quem não tem o que comer. A comprida “I Don’t Wanna Be a Soldier Mama I Don’t Wanna Die” é um retrato do medo angustiante do sofrimento e da morte que sempre acompanhou a humanidade.

A frustração quanto aos políticos corruptos e enganadores e a reprovação àqueles que veem tudo calados é expressa em “Gimme Some Truth” com uma letra áspera e sarcástica.

Toda a acidez da faixa anterior é diluída com a singela “Oh My Love” – uma das muitas declarações de amor açucaradas de LENNON e YOKO (que é creditada como co-autora).

Em seguida temos a controversa “How Do You Sleep?” onde LENNON fala sobre PAUL MCACRTNEY de maneira rancorosa e desprezível, respondendo de maneira dura as provocações em Ram (1971), uma verdadeira pedrada nas costas do ex-companheiro.

Em “How?” temos uma letra filosófica e reflexiva que carrega um forte sentimento de insegurança e ansiedade. Por fim, temos “Oh Yoko!” uma apaixonante balada Country inspirada em sua musa maior, onde pela primeira vez desde “Rocky Raccoon” e pela última vez em sua carreira JOHN toca harmônica em uma canção.

Apesar de carregar um conteúdo menos politizado que seu antecessor, Imagine foi considerado de qualidade musical inferior, mesmo assim atingiu a primeira posição nos principais catálogos do mundo, incluindo EUA e Reino Unido.

Este também pode ser considerado o álbum mais pessoal e intimista de toda a carreira do ex-beatle, e mesmo passados mais de 40 anos do seu lançamento mantem-se atual, com muitos dos seus temas tendo uma forte ligação com os problemas sociais e com as angustias do mundo contemporâneo.

Faixas:

Lado A
01- “Imagine”
02- “Crippled Inside”
03- “Jealous Guy”
04- “It’s So Hard”
05- “I Don’t Wanna Be a Soldier Mama I Don’t Wanna Die”

Lado B
01- “Gimme Some Truth”
02- “Oh My Love”
03- “How Do You Sleep?”
04- “How?”
05- “Oh Yoko!”

Membros da Banda:
John Lennon (vocal, guitarra, guitarra-acústica e harmônica)
George Harrison (guitarra, guitarra-slide e dobro)
Joey Molland (guitarra-acústica)
Tom Evans (guitarra-acústica)
John Tout (guitarra-acúsitca)
Ted Turner (guitarra-acústica)
Rod Linton (guitarra-acústica)
Andy Davis (guitarra-acústica)
Klaus Voorman (baixo-elétrico e contrabaixo)
Steve Brendell (contrabaixo e percussão)
Nicky Hopkins (piano e piano-elétrico)
John Barham (harmônio e vibrafone)
King Curtis (saxofone)
Alan White (bateria, tingsha e vibrafone)
Jim Keltner (bateria)
Jim Gordon (bateria)
Michael Pinder (percussão)
Phil Spector (vocal de apoio)
The Flux Fiddlers – orquestração de cordas

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