Resenha - Imagine - John Lennon

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Por Marcio Ribeiro
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Me lembro acordando certa manhã, ao som do meu rádio relógio me obrigando a levantar e preparar para escola. Depois de escovar os dentes e voltar pro quarto prá me arrumar, ouvi pela primeira vez a canção "Imagine".

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Eu estava pra completar onze anos em um mês, e já me via como um ser pensante. E puxa, como aquela canção me tocou! Antes, achava que "Bridge Over Troubled Waters" tinha além da melodia, uma grande mensagem de amizade e irmandade humana. Mas "Imagine" era um passo adiante. O que estranhei e me deixou desconfortável era a parte de imaginar não existir religião. Aquilo me balançou, pois até então, esta concepção nunca fora explorado por mim antes. Nesta etapa da minha vida, eu ainda ia para a igreja aos domingos e na longa década que resumia a minha existência, uma das certezas absolutas da vida, era a criação do mundo segundo a bíblia. "Wow! Ele disse aquilo" pensei. Dentro do limite intelectual da minha idade, "Imagine" me fez pensar um bocado.

Dando um fast forward para muitos anos depois, aqui estou eu, já um adulto, que ao estudar a vida de Lennon, descubro que ele também ia para a igreja aos domingos e ainda por cima cantava no coro. Embora os ingleses rezem na igreja Anglicana, sua família de raízes irlandesas, lhe proporciona uma criação Católica Apostólica Romana. Isto pode explicar sua facilidade e naturalidade em compor algo com um ar de salmo cantado, mesmo que sua letra ofereça uma filosofia que, entre outras coisas, nega religiões em sua totalidade.

Lennon começou a trabalhar no disco logo após voltar de sua visita a Nova York, onde entre outros afazeres, aproveitou para conhecer e tocar com Frank Zappa, como também conheceu e conversou com ativistas Hippies, todos contra o governo Nixon - gente como Jerry Rubin e Abbie Hoffman. Lennon montou um estúdio em sua casa em Ascot e contratou novamente Phil Spector como produtor, com quem ele havia trabalhado no álbum anterior. A banda que gravaria as bases compreendia Lennon na guitarra e piano, e mais dois membros originais do Plastic Ono Band: Klaus Voorman no baixo e Alan White na bateria.

Para quem não sabe, Klaus e John são amigos desde a primeira estada dos Beatles em Hamburgo em 1960. Alan White, que também trabalhou com John na gravação de "Instant Karma", logo viria a substituir Bill Bruford na banda progressiva Yes, tornando-se um astro no rastro da popularidade daquela banda. As sessões para o album foram todas gravadas durante o mês de julho.

John escreveu "Imagine" no avião voltando a Inglaterra, no verso da conta do hotel que ele encontrara no seu bolso. A canção foi toda inspirada nos textos de Yoko Ono em seu livro "Grapefruit", publicado originalmente em 1964. Lennon depois iria confessar culpa em sua fraqueza machista de não ter incluído o nome de Yoko como co-autora. Ele concluiria que, em parte, isto se deveu a sua necessidade de ver apenas o seu nome em seu disco, após passar tantos anos dividindo os créditos com Paul McCartney.


Em "Grapefruit", Yoko oferece uma série de suges- tões, que ela chama de "peças", compostas exclusivamente de idéias soltas, amarradas em um só tema. Este, aliás, é o núcleo intelectual de toda arte avant-garde, a noção de que a idéia é mais importante do que sua representação. No caso deste livro, são oferecidos uma série de idéias ou sugestões que começam sempre com a palavra "Imagine". Sugestões como "imagine your body spreading rapidly all over the world like a thin tissue" (Imagine seu corpo se espalhando rapidamente por todo o planeta como um tecido fino). Na contra capa do álbum, com uma foto montagem de Lennon aparentando olhar para o céu, lê-se uma destas peças. "Imagine the clouds dripping. Dig a hole in your garden to put them in" (Imagine as nuvens pingando. Faça um buraco no seu jardim para guardá-los).

Se foi "Grapefruit" que ofereceu a estrutura para sua nova canção, a direção filosófica veio de outro livro. O comediante americano Dick Gregory deu para John um livro de salmos que oferecia o que chamam de "preces positivas". O livro oferece dentro de sua filosofia, o conceito de que, para se poder receber qualquer coisa de Deus, deve-se primeiro imagina-lo para si mesmo. Esta idéia, o conceito de projetar as coisas que deseja que faça parte do seu futuro, ganharia forte adesão por parte de John Lennon, a ponto de, mesmo em 1980, em uma de suas últimas entrevistas, ele ainda falar do assunto.

Lançado em 8 de outubro de 1971, muita gente chamou Lennon de hipócrita por sugerir que todos imaginassem não haver possessões, enquanto ele próprio morava em uma mansão com acres de jardim, um lago e até uma ilha no meio. Porém com a ajuda do arranjo de Phil Spector, utilizando cordas executados por músicos creditados como The Flux Fiddlers, e em termos gerais, adocicando a mensagem, sua utópica concepção tocou os corações de muita gente. Com "Imagine", Lennon alcança em sua carreira solo um hit de prestígio, tão grande ou maior do que em sua carreira com os Beatles. Indagado, Lennon iria preferir a crueza de canções como "Mother", "God" e "Working Class Hero". Ele comentaria em certa ocasião que a canção "Imagine" seria comparável a "Working Class Hero" com cobertura de chocolate por cima. "Foi a mensagem que eu aprendi. Se você quer que sua mensagem seja ouvida, jogue um pouco de açúcar nela".

Na faixa seguinte, "Crippled Inside", Lennon olha sério para as nossas falhas humanas, conclamando que embora tentemos todos esconder nossas falhas, no fundo, somos todos aleijados por dentro. A canção foi gravado com a participação de Ted Turner, Rod Linton e John Tout, os três tocando violão acústico e Steve Brendell mais Klaus Voorman no contrabaixo. Além de John e Alan White, respectivamente na guitarra e bateria, fechando o ensemble, George Harrison tocando uma espécie de slide guitar com caixa de ressonância de alumínio chamado Dobro e Nicky Hopkins tocando um piano de saloon, ambos dando à canção um molho todo especial, oferecendo um clima bem leve e jovial, contrastando e aliviando a densidade temática de sua letra.

A próxima faixa é uma canção que fora composta na India em 1968, uma das poucas que ficaram de fora do Álbum Branco. Na época, se chamava "Child of Nature", mas por seu título e temática original ser muito semelhante a "Mother Natures Son", acabou preterida para o trabalho dos Beatles. Agora reescrita, John oferece uma confissão pública sobre seu arrependimento quanto ao seus modos machistas. Em 1980, Lennon teria dito "Eu não sabia me expressar, então eu batia. Precisarei envelhecer ainda mais para poder lidar publicamente sobre como eu realmente tratava as mulheres quando adolescente". Em várias músicas, Lennon sugere sua fraqueza, como em "Run For Your Life" ou "Getting Better"; mas esta seria a primeira vez em que ele trataria tão diretamente do assunto. Embora a produção e arranjo de cordas do Phil Spector aumente ainda mais a beleza, como também a receptividade para esta declaração tocante, Lennon está escrevendo de forma tão cru e sincera como antes. Ele lida com as dificuldades de se manter um relacionamento, ao mesmo tempo em que, aparenta querer se libertar de sua imagem de roqueiro durão. Andy White está tocando um vibrafone enquanto Jim Keltner se responsabiliza pela bateria. Além de John e Klaus, temos ainda John Barham no harmonium.

Já em "It's So Hard", uma mistura de boogie e blues, cheio de peso, a temática aponta para as dificuldades da vida, sem nenhuma revelação maior ou propósito especial. De especial para Lennon, foi a participação do lendário King Curtis no sax, nesta e na faixa seguinte. Na bateria está a participação de Jim Gordon, do super-grupo Derek & The Dominoes, além de Klaus e John.

O álbum termina seu lado A, em sua concepção original, com "I Don't Want To Be A Soldier Mama, I Don't Want To Die". A canção é uma queixa contra a forma que o sistema conclama as pessoas a servir, ou trabalhar em profissões que nem sempre representam suas melhores aptidões. A banda traz de volta Jim Keltner na bateria, Nicky Hopkins e George Harrison, respectivamente piano e slide guitar, além de Mike Pinder no pandeiro e Joey Molland mais Tom Evans, ambos da banda Badfinger, nos violões. Lennon se mostrava extremamente honrado e humilde quanto ao fato de King Curtis aceitar participar do disco. Tristemente, Curtis seria esfaqueado e morto em frente ao seu apartamento em Nova York, seis dias após o lançamento deste disco.


Abrindo o lado B, Lennon ataca com a politicamente incorreta "Gimmie Some Truth". A letra demonstra uma forte influência do movimento americano contra a guerra do Vietnã, claramente percebido quando Lennon se refere ao então presidente Richard Nixon, pelo seu apelido jocoso de "Tricky Dicky" (Frank Zappa faria depois do escândalo de Watergate, uma referência similar em sua composição "Dicky Is Such An Asshole"). Lennon temia pela falsidade das intenções do Chefe de Estado Americano e à quantidade de mortos em combate que suas decisões trariam. Porém a linha melódica, como parte de sua letra, incluindo seu refrão, pôde ser ouvido entre o vasto material dos Beatles ensaiado no Twickenham Studios - parte do que acabaria se tornado as canções do LP "Let It Be". Assim, seria mais correto supor que quando escreveu a letra original, Lennon tivesse reclamando de sua situação com a Apple, seus advogados e toda a papelada envolvida com a firma.

"Oh My Love" é outra canção que ficou de fora do Álbum Branco. Desta vez Lennon assume a parceria, e Yoko recebe créedito de co-autora. A música é basicamente dela, assim como parte da letra; Lennon apenas costurou idéias estruturando a canção e dando aquela cara de uma composição de John Lennon. Em entrevista, John calcularia esta sendo uma composição em que 80% é da Yoko e apenas 20% dele. Nesta faixa, a banda conta com Nicky Hopkins no piano elétrico, Klaus Voorman, George Harrison e Andy White, além de John Lennon no piano de calda.

Deixando para trás o clima doce e meigo da faixa anterior, Lennon em "How Do You Sleep?" ataca com veemência seu ex-parceiro Paul McCartney. A relação entre os dois estava em seu ponto mais baixo, com processos ainda correndo na justiça lidando com o fim dos Beatles e a devida organização das situações legais de todos. Quem assistiu a sessão diz que a letra estava sendo feito pouco antes da gravação. Enquanto ele passava a música para os demais, Yoko, sentada no chão ao seus pés, ia anotando as frases que Lennon ia soltando.

Muito criticado pelo ataque contra seu ex-parceiro, sócio e amigo, Lennon diria que foi Paul quem começou tudo em seu álbum "Ram", lançado em maio, pouco mais de um mês antes do início das sessões do "Imagine". Embora no geral os críticos considerassem as músicas e letras encontradas no "Ram" insossas, porém melodicamente agradáveis, Lennon aparentemente lia muito mais coisas nas entrelinhas. A capa do disco de Paul McCartney mostra um bode sendo pego pelos chifres, o rosto do animal, podendo ser associado com a fase cabeluda e barbuda de Lennon, na época do "Abbey Road". Na contra capa existe uma pequena foto de dois besouros transando. Aparentemente Lennon também percebeu maldade nas letras de "Too May People" (Too many people preaching fantasies), e "The Back Seat of My Car" (We believe that we can't be wrong).

Se houve dúbia interpretações nas letras do "Ram", não há nenhuma chance para dúvida na letra de "How Do You Sleep?". Não deixa de ser interessante como o álbum "Imagine" consegue comportar um espectro que vai desde a filosofia utópica até a briga de vizinhos sem deixar de soar coeso. McCartney fugiu da discussão de forma elegante dizendo apenas que a coisa não lhe atingia. "A única coisa que eu fiz foi Yesterday? Ele sabe que isto não é verdade. E eu sei que isto não é verdade". Ao final do ano, em seu novo disco, "Wings Wild Life", McCartney manda uma mensagem de reaproximação com a musica "Dear Friend". Lennon também ao final do ano havia feito as pazes com seu amigo de infância e ex-parceiro, declarando "Eu briguei com meu melhor amigo. Então não posso brigar com meu amigo?"

"How?", a faixa seguinte, tem em sua temática muito do que se encontra no seu álbum anterior. Lennon contempla abertamente suas dúvidas pessoais, e alguns traumas do passado. Com o arranjo de cordas e tratamento de Phil Spector, a canção coexiste bem com as demais faixas do álbum. A gravação conta com John e Nicky no piano, Klaus e Alan na cozinha (baixo e bateria), e John Barham no vibrafone.

Para fechar, Lennon oferece uma canção de amor para sua companheira e grande amor. "Oh Yoko!" é uma celebração da alegria do artista em estar apaixonado. Curioso que ao ler a letra, pode-se imaginar em frases como "In the middle of the night I call your name" (No meio da noite eu grito o seu nome), uma pessoa com medo em busca de segurança. Seria "Oh Yoko!" outro "Help!" que com seu piano alegre e gaita jovial, disfarça e dissipa qualquer aspecto soturno da mente do ouvinte? Na faixa temos o núcleo com Nicky, Klaus e Alan, alem do violão de Rod Linton. John toca guitarra e gaita. A Apple de Nova York aconselhou John a lançá-la como compacto pelo seu forte apelo comercial, porém Lennon resistiu a idéia porque a canção fugia de sua imagem.

O álbum, além de ser lançado com ficha técnica completa e letra, escrita em forma de espiral, veio incluído também de uma foto de Lennon segurando um porco gordo pelas orelhas. Uma óbvia provocação e sátira ao "Ram" de Paul McCartney. O disco chegou nas lojas primeiro nos Estados Unidos (9 de setembro) e depois no Reino Unido (8 de outubro). Embora nunca tenha sido lançado um compacto da canção "Imagine" no Reino Unido, o álbum permaneceu nas paradas de novembro até julho do ano seguinte; no obstante, ficou em No.1 por apenas três semanas.

Nos Estados Unidos, um mercado bem mais competitivo, Lennon lançou em outubro o compacto "Imagine/Crippled Inside", que permaneceu por nove semanas na parada, tendo um No.3 seu ponto mais alto, mantendo-o por duas semanas de novembro. O album porém, entrou nas paradas em No.167 e em sete semanas chegou a No.1, caindo em seguida e se mantendo em No.4 pelo restante do mês de novembro. Saiu das paradas em abril em No. 175.


Imagine

Imagine (Lennon) - 2:59
Crippled Inside (Lennon) - 3:43
Jealous Guy (Lennon) - 4:10
It's So Hard (Lennon) - 2:22
I Don't Want To Be A Soldier Mama, I Don't Want To Die (Lennon) - 6:01
Give Me Some Truth (Lennon) - 2:59
Oh My Love (Lennon-Ono) - 2:40
How Do You Sleep? (Lennon) - 5:29
How? (Lennon) - 3:37
Oh Yoko! (Lennon) - 4:18

Imagine by John Lennon Plastic Ono Band with The Flux Fiddlers
Produzido por John Lennon, Yoko Ono e Phil Spector

John Lennon: guitarra, piano e gaita
Klaus Voorman: baixo e contrabaixo
Alan White: bateria, vibrafone
George Harrison: slide guitar e dobro
Nicky Hopkins: piano elétrico
Jim Keltner: bateria
Ted Turner, John Tout e Rod Linton: violão
Joey Molland e Tom Evans: violão
John Barham: vibrafone e harmonium
Steve Brendell: contrabaixo
Mike Pinder: pandeiro
Jim Gordon: bateria
King Curtis: saxofone

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