Gaijin Sentai: J-Rock made in Brazil
Resenha - OST - Gaijin Sentai
Por Richard Navarro
Postado em 06 de julho de 2013
Nota: 10 ![]()
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Antes de mais nada, preciso dizer que eu não fazia resenhas de CDs há quase dez anos, quando eu era responsável pelas matérias com bandas nacionais na revista Roadie Crew. Então, parar para escutar e degustar esse álbum da banda, foi um desafio e uma grande responsabilidade, mas ao mesmo tempo, algo surpreendente e inspirador.
Eu poderia escrever várias páginas sobre essa banda, mas vou tentar ser o mais sucinto possível. Quando eu produzia o festival "BMU"(Brasil Metal Union), recebia muito material de bandas underground. Mas uma em particular chamou muito minha atenção na época. O envelope reunia duas demos em mini CD, trazendo versões bem legais de temas de seriados japoneses, e composições próprias, com pegada de Metal e Anime Songs.
Esta era a Gaijin Sentai, banda natural de Caraguatatuba (litoral de São Paulo), que muitos anos mais tarde tive oportunidade de assistir um show, e ver o quanto eram bons sobre o palco.
Na ocasião, conversei com os integrantes, que me avisaram que estavam gravando seu primeiro CD oficial.
E eis que finalmente chega em minhas mãos o álbum OST.
Sigla de "Original Sound Track", termo usada para se referir às trilhas sonoras de filmes, games e desenhos anime, que já traduz bem o conteúdo deste incrível álbum de "animetal".
A perfeita simbiose da arte da capa e todo maravilhoso encarte, já nos transporta para os filmes e seriados japoneses dos anos 80, como Spectremen e Godzila, antes mesmo de colocarmos o CD para tocar.
E logo na faixa de abertura, "The First", a banda já entra arrebentando com tudo, num misto de progmetal com um metal visceral e emocionante, que já dá uma pequena mostra dos poderosos vocais de Nordan, e um time de instrumentistas de extrema competência e bom gosto, formado por Jefferson Amorim (teclados), Arilson Poli (guitarras), Alexandre (baixo) e Kleber Amorim (bateria), e claro, os marcantes backings da também vocalista Dani.
E o que vem a seguir é um petardo atrás do outro, com muito peso, mudanças de andamento, variações de ritmos e uma originalidade de dar gosto, com influências que vão da música japonesa à brasileira, com direito a mistura de instrumentos como percussão maracatu, taiko e shamizen.
Um ótimo exemplo é a estupenda "Jaguatimen vs Sunrider", que traz tudo isso, uma levada de baixo de arrepiar, e ainda um alucinante dueto entre Nordan e o icônico cantor japonês Eizo Sakamoto, que já integrou grupos como Jam Project e Animetal. Sem dúvidas, uma das músicas mais incríveis de OST!
Outro destaque é a balada "Horses and Gears", onde a vocalista Dani, cuja belíssima voz e interpretação já havia impressionado em "Hachi no Densetsu", nesta revelou-se numa digna "fada-gueixa", que com o toque de flauta acentuou o clima "folk" da música. A despeito do já clichê vocal lírico em bandas de metal, Dani tem uma voz angelical e que não enjoa de ouvir.
Em "Metaru Hirô", Sakamoto volta a dividir os vocais com Nordan, rendendo outro grande momento e um dos refrões mais empolgantes do CD.
Já a balada "Tengu", traz um maravilhoso dueto entre Nordan e Dani, bem amparados pelo belo "piano" de Jefferson Amorim, e o delicado dedilhado de shamizen, que novamente deu todo clima oriental à música, enquanto a emoção vocal atinge o auge na interpretação desses dois grandes cantores.
Completam as 12 faixas de OST, "Okami No Youni", "K", "Meca", "Rider", "Defender", que seguem o nível de todas demais, e "Heiwa No Kyojin", que fecha o álbum em grande estilo, destacando novamente a poderosa voz de Nordan, uma banda afiadíssima, e muito peso, pegada e bom gosto.
O CD foi mixado no Norcal Studio pela dupla Brendan Duffey e Adriano Daga, que conseguiram fazer jus ao nível das composições e valorizar a performance da Gaijin Sentai.
Ao lado de nomes como Wasabi, a Gaijin é indiscutivelmente uma das bandas mais importantes do nosso cenário anime, que além de tocar por todas partes do Brasil, também vem se tornando popular no cenário anime de Portugal, onde já se apresentou por algumas vezes.
Enquanto o cenário do Metal nacional atravessa uma fase um tanto crítica, o incansável Gaijin aparece com um álbum que transborda conhecimento de causa, tesão pelo que faz, e mesmo com toda influência de anime songs, tokustasu e do idioma japonês, consegue soar original e honesto.
E se hoje em dia não se vende mais CDs, este OST é do tipo que se você compra com gosto, pois o valor do conjunto música e a obra de arte dedicada na capa e todo encarte, vai muito além de um Mp3.
Para concluir, uma curiosidade muito bacana e incentivadora.
Este álbum foi totalmente custeado pelo PROAC, o Programa de Ação Cultural do governo do Estado de São Paulo, após a banda vencer um concurso entre cerca de outros 500 diferentes projetos apresentados para aprovação.
Saiba como foi este processo:
Fica a dica para outras bandas terem essa mesma iniciativa.
Por tudo isso, pela trajetória, pela preciosidade e pioneirismo em lançar algo nesse estilo no Brasil com tanta qualidade e propriedade no que faz, eu não poderia dar menos que a nota 10 para este lançamento do Gaijin Sentai. Sinceramente, este é de dar orgulho.
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