Alice in Chains: a prova de que a volta foi para valer
Resenha - Devil Put Dinosaurs Here - Alice in Chains
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 11 de junho de 2013
Todo mundo conhece aquela antiga regra de que o segundo disco é sempre um desafio definidor na carreira de uma banda, quando ela tem que provar que é mais do que uma promessa e que veio aí para ficar de verdade. No caso dos norte-americanos do Alice in Chains, a tal fronteira acabou sendo transferida para o seu quinto disco de estúdio, o recém-lançado "The Devil Put Dinosaurs Here". Afinal, ele é o segundo disco pós-reunião e sem a vital presença do saudoso vocalista Layne Staley. O retorno em "Black Gives Way to Blue", de 2009, trouxe os bem-vindos vocais de William DuVall, com uma energia que foi mais do que bem-recebida tanto pela crítica quanto pelos fãs.
Alice In Chains - Mais Novidades
Esta nova bolacha, portanto, traz à tona a questão: o Alice in Chains está mesmo de volta? Foi só fogo de palha? Ou eles estão prontos para encarar o futuro, sem ficar dependentes do passado de glórias? O guitarrista e líder da banda, Jerry Cantrell, tentou dar esta resposta em entrevista para a revista Revolver. "Eu não acho que você vai ficar surpreso com nada que vai ouvir. Somos nós. Mas é também algo único. Tem todos os elementos de qualquer disco que lançamos, mas é ao mesmo tempo diferente de qualquer disco que lançamos. É o próximo capítulo no livro do Alice in Chains, e vai ser grande". Cantrell disse rigorosamente tudo: "The Devil Put Dinosaurs Here" é o retrato de uma banda que não perdeu sua identidade, mas que depois de uma tragédia, está disposta a se arriscar, pisando em novos territórios.
O primeiro single (e também a faixa inicial do CD), "Hollow", já abre mostrando quem de fato vai brilhar ao longo de toda a audição: as furiosas e corpulentas guitarras de Cantrell. São elas que, há anos, continuam dando o sabor heavy metal ao rock alternativo/grunge sombrio e soturno do AIC. O andamento lento e pesado está lá, firme e forte, em canções como "Phantom Limb" e a faixa-título, uma mid-tempo que traz uma preciosa discussão a respeito do papel da religião. Mas, veja só, já nesta última canção é possível sentir claramente o quão bem fez a adição de DuVall para o quarteto, criando uma camada suave de vocais ao longo de um refrão grudento e irresistível. É deste tipo de risco, milimetricamente calculado, que estamos falando.
Já a deliciosa "Breath On A Window", um dos pontos altos da coleção de 12 faixas, tem todas as marcas registradas históricas do Alice in Chains, mas dando um ligeira acelerada no andamento. O resultado consegue flertar, mesmo que minimamente, com uma certa "iluminada" no trabalho dos caras. A melancolia logo retorna nas semiacústicas "Voices" e "Choke", que exploram outra característica bastante comum da banda, só que aplicando uma dose extra de melodia quase doce e delicada. Pode parecer estranho, mas tudo funciona que é uma beleza, soando novo, verdadeiro, moderno e, mesmo com a bela produção de Nick Raskulinecz (Foo Fighters, Deftones), não perde nunca aquela jovem vibração de banda garagem.
"The Devil Put Dinosaurs Here" tem, no entanto, um único defeito bastante perceptível: é um disco longo demais. Não apenas como obra completa, mas mesmo em cada uma de suas partes, que geralmente ultrapassam a marca dos cinco/seis minutos. Talvez empolgada com os resultados que vem obtendo desta nova formação, a banda não soube se conter, editar a si mesma – e grande parte das canções parecem mais longas do que realmente são, cansando um pouco conforme se aproximam de seu fim. Grandes ideias, quando esticadas ao máximo, acabam perdendo boa parte de seu impacto. Arrisco dizer, inclusive, que se alguns destes momentos tivessem metade de seu tempo, ou pelo menos 30% a menos, "The Devil Put Dinosaurs Here" teria potencial dobrado para garantir um espaço melhor nas listas de melhores do ano.
Todavia, sejamos honestos: Cantrell estava certo. O Alice in Chains provou que está mesmo de volta, longe daquelas reuniões que geram meramente "bandas-zumbi". Disposto a fazer o novo. Respeitando o passado mas sem medo de alcançar novos voos rumos ao futuro. A gente espera, claro, que ainda por muito mais tempo.
Tracklist
Hollow
Pretty Done
Stone
Voices
The Devil Put Dinosaurs Here
Lab Monkey
Low Ceiling
Breath on a Window
Scalpel
Phantom Limb
Hung on a Hook
Choke
Line-up
William DuVall – Vocal
Jerry Cantrell – Guitarra/vocal
Mike Inez – Baixo
Sean Kinney – Bateria
Outras resenhas de Devil Put Dinosaurs Here - Alice in Chains
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



20 bandas que nunca lançaram um disco ruim, de acordo com a Metal Hammer
Em clima de Copa do Mundo, Angra lança videoclipe da releitura de "Pra Frente Brasil"
Rhapsody se despedirá com formação clássica ao lado do Epica na América do Sul
A cantora que conquistou James Hetfield com sua voz "de cheiro de cigarro"
A separação de banda que deixou Jimmy Page arrasado; "Ficamos tristes quando eles terminaram"
A música de Dio que ele achava que Ozzy Osbourne não conseguiria cantar
A banda que Brian May achava que deveria ter sido gigantesca; "Eles foram nossos mentores"
Max Cavalera e Andreas Kisser usaram uma guitarra e uma palheta nas gravações de "Schizophrenia"
Por que o Dimmu Borgir, às vezes, gostaria de ser como o Motörhead
As quatro melhores músicas do Led Zeppelin, segundo Robert Plant
Os 20 melhores álbuns lançados em 1999, segundo lista da Metal Hammer
Com a cantora Mona Miari, Roger Waters lança nova versão de "Comfortably Numb"
Charles Gavin critica Nicolás Otamendi, zagueiro da seleção argentina
As músicas mais longas de 10 grandes bandas de heavy metal
A música em que Dio disse ter cantado "como uma garota"


A música do Slayer que lembra o Alice in Chains, segundo a Kerrang!
A briga que deu origem a um dos riffs mais icônicos do Alice in Chains
Dave Grohl redescobriu o Alice in Chains graças às filhas
As cinco maiores músicas do Alice in Chains de todos os tempos, segundo Jerry Cantrell
Como o Alice in Chains foi parar em turnê de titãs do thrash metal
RHCP: O monstro saiu da jaula com um de seus melhores trabalhos


