Alice in Chains: a prova de que a volta foi para valer

Resenha - Devil Put Dinosaurs Here - Alice in Chains

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Por Thiago El Cid Cardim
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Todo mundo conhece aquela antiga regra de que o segundo disco é sempre um desafio definidor na carreira de uma banda, quando ela tem que provar que é mais do que uma promessa e que veio aí para ficar de verdade. No caso dos norte-americanos do Alice in Chains, a tal fronteira acabou sendo transferida para o seu quinto disco de estúdio, o recém-lançado “The Devil Put Dinosaurs Here”. Afinal, ele é o segundo disco pós-reunião e sem a vital presença do saudoso vocalista Layne Staley. O retorno em “Black Gives Way to Blue”, de 2009, trouxe os bem-vindos vocais de William DuVall, com uma energia que foi mais do que bem-recebida tanto pela crítica quanto pelos fãs.
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Esta nova bolacha, portanto, traz à tona a questão: o Alice in Chains está mesmo de volta? Foi só fogo de palha? Ou eles estão prontos para encarar o futuro, sem ficar dependentes do passado de glórias? O guitarrista e líder da banda, Jerry Cantrell, tentou dar esta resposta em entrevista para a revista Revolver. “Eu não acho que você vai ficar surpreso com nada que vai ouvir. Somos nós. Mas é também algo único. Tem todos os elementos de qualquer disco que lançamos, mas é ao mesmo tempo diferente de qualquer disco que lançamos. É o próximo capítulo no livro do Alice in Chains, e vai ser grande”. Cantrell disse rigorosamente tudo: “The Devil Put Dinosaurs Here” é o retrato de uma banda que não perdeu sua identidade, mas que depois de uma tragédia, está disposta a se arriscar, pisando em novos territórios.

O primeiro single (e também a faixa inicial do CD), “Hollow”, já abre mostrando quem de fato vai brilhar ao longo de toda a audição: as furiosas e corpulentas guitarras de Cantrell. São elas que, há anos, continuam dando o sabor heavy metal ao rock alternativo/grunge sombrio e soturno do AIC. O andamento lento e pesado está lá, firme e forte, em canções como “Phantom Limb” e a faixa-título, uma mid-tempo que traz uma preciosa discussão a respeito do papel da religião. Mas, veja só, já nesta última canção é possível sentir claramente o quão bem fez a adição de DuVall para o quarteto, criando uma camada suave de vocais ao longo de um refrão grudento e irresistível. É deste tipo de risco, milimetricamente calculado, que estamos falando.

Já a deliciosa “Breath On A Window”, um dos pontos altos da coleção de 12 faixas, tem todas as marcas registradas históricas do Alice in Chains, mas dando um ligeira acelerada no andamento. O resultado consegue flertar, mesmo que minimamente, com uma certa “iluminada” no trabalho dos caras. A melancolia logo retorna nas semiacústicas “Voices” e “Choke”, que exploram outra característica bastante comum da banda, só que aplicando uma dose extra de melodia quase doce e delicada. Pode parecer estranho, mas tudo funciona que é uma beleza, soando novo, verdadeiro, moderno e, mesmo com a bela produção de Nick Raskulinecz (Foo Fighters, Deftones), não perde nunca aquela jovem vibração de banda garagem.

“The Devil Put Dinosaurs Here” tem, no entanto, um único defeito bastante perceptível: é um disco longo demais. Não apenas como obra completa, mas mesmo em cada uma de suas partes, que geralmente ultrapassam a marca dos cinco/seis minutos. Talvez empolgada com os resultados que vem obtendo desta nova formação, a banda não soube se conter, editar a si mesma – e grande parte das canções parecem mais longas do que realmente são, cansando um pouco conforme se aproximam de seu fim. Grandes ideias, quando esticadas ao máximo, acabam perdendo boa parte de seu impacto. Arrisco dizer, inclusive, que se alguns destes momentos tivessem metade de seu tempo, ou pelo menos 30% a menos, “The Devil Put Dinosaurs Here” teria potencial dobrado para garantir um espaço melhor nas listas de melhores do ano.

Todavia, sejamos honestos: Cantrell estava certo. O Alice in Chains provou que está mesmo de volta, longe daquelas reuniões que geram meramente “bandas-zumbi”. Disposto a fazer o novo. Respeitando o passado mas sem medo de alcançar novos voos rumos ao futuro. A gente espera, claro, que ainda por muito mais tempo.

Tracklist

Hollow
Pretty Done
Stone
Voices
The Devil Put Dinosaurs Here
Lab Monkey
Low Ceiling
Breath on a Window
Scalpel
Phantom Limb
Hung on a Hook
Choke

Line-up

William DuVall – Vocal
Jerry Cantrell – Guitarra/vocal
Mike Inez – Baixo
Sean Kinney – Bateria

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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