Dorsal Atlântica: banda retorna com disco excepcional
Resenha - 2012 - Dorsal Atlântica
Por Pedro Junior da Luz Teixeira
Postado em 01 de janeiro de 2013
Nota: 9 ![]()
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A DORSAL ATLÂNTICA é uma das bandas precursoras do metal no Brasil, posição conquistada com os seminais discos "Ultimatum", "Antes do Fim" e "Dividir e Conquistar." O trio seguiu produzindo durante a década de 80 e 90, quando continuou a lançar trabalhos altamente inovadores e à frente de seu tempo, como a ópera metal "Serching For the Light" e a o thrash com elementos de psicodelia presente no álbum "Musical Guide From Stellium".
No decorrer da história da banda, houve mudanças em sua formação, de modo que em 2001, ano em que o grupo encerrou oficialmente suas atividades, o único integrante da formação original era o lendário Carlos Lopes, o líder e grande responsável pela sonoridade única da DORSAL.
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Após um hiato de mais de dez anos, interrompido brevemente com a regravação e lançamento de "Antes do Fim", Carlos reuniu a formação original da banda para a gravação de um novo disco, bancada por um mecanismo de financiamento coletivo chamando de "crownfunding".
O resultado não decepciona, e está a altura da excepcional discografia do grupo.
A influência punk/hardcore está mais explícita do que nunca. "Meu Filho me Vingará" abre o disco com uma saraivada de riffs na melhor tradição do grandioso álbum "Dividir e Conquistar". "Stalingrado" traz em sua letra uma narração de fatos históricos que remete à "Joseph Mengele" - faixa do célebre ¨Antes do Fim¨- e alguns dos riffs mais memoráveis criados por Carlos. Clássico instantâneo!
"A Invasão do Brasil" é um thrash acelerado na linha das bandas da Bay Area, mas com aquele inconfundível toque "dorsálico". "Eu Minto, Todo Mundo Mente" é punk até a medula, lembrando um pouco bandas como o Cólera. "Colonizado Entreguista" soa como se tivesse sido retirada de "Straight" –considerado o disco mais hardcore da banda.
A elevada qualidade das composições é uma constante, e torna difícil a tarefa de eleger destaques. A impressão mais forte é de um amadurecimento das ideias presentes nos primeiros discos, com uma execução muito mais afiada – cortesia do amadurecimento dos integrantes como músicos. Carlos está cantando melhor do que nunca e evoluiu muito como intérprete; Claudio exibe uma técnica cada vez mais apurada e Hardcore é um monstro das baquetas.
No geral, pode-se dizer que encontramos em "2012" elementos de todos os álbuns da banda e uma forte aura oitentista - sem que se trate obviamente de mera repetição. Muito pelo contrário: o grupo injeta doses cavalares de melodia e, simultaneamente, de agressividade em seu som, misturando em um mesmo "caldeirão" ingredientes da N.W.O.B.H.M, do punk rock e do thrash metal oitentista. É o que se percebe, por exemplo, em "Operação Brother Sam". Esses elementos aparentemente antagônicos combinam perfeitamente com os versáteis vocais de Carlos – guturais, agudos, limpos, conforme pedido pela música. Há espaço para elementos mais modernos, explorados com inteligência em "Jango Goulart" e para um thrash mais cadenciado em "Comissão da Verdade".
As letras são um capítulo a parte, pois casam perfeitamente com o instrumental e constituem verdadeiras lições de história, na melhor tradição da DORSAL.
Tudo isso torna "2012" um dos discos mais geniais lançados no metal nos últimos anos, que traz uma proposta diferenciada e inovadora, quebrando a pasmaceira criativa que infelizmente é característica de 90% das bandas de thrash metal da atualidade.
Espera-se que, após o lançamento de um trabalho desse nível, a banda obtenha o reconhecimento que sempre mereceu, e que possamos conferir essa grande obra ao vivo!
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