Green Day: Raízes e passeio pelo rock de várias épocas
Resenha - ¡Uno! - Green Day
Por Sérgio Fernandes
Postado em 06 de novembro de 2012
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Ao chegar a uma certa idade, algumas bandas de rock começam a passar por um grande dilema: como conseguir manter o interesse de seus antigos fãs sem cair na mesmice e, ao mesmo tempo, conseguir angariar novos séquitos. Olhando para a discografia de grupos como o AC/DC, Slayer e Motorhead essa parece uma tarefa fácil. Mas a grande maioria dos grupos sabem dos perigos que o tempo traz a uma banda de rock (não é mesmo, Pete Townshend?). Com o lançamento do primeiro álbum da trilogia ¡Uno!, ¡Dos! e ¡Tré! o Green Day prova que, as vezes, dá pra envelhecer e continuar sendo legal.
Ah, sim, você não leu errado. A banda resolveu lançar três álbuns! Em menos de três meses!!! Isso em uma época em que as grandes gravadoras buscam cada vez mais minimizar custos para tentar otimizar lucros. Mostra de que, na atual e falida indústria fonográfica, quem manda são as bandas. E quem ganha são os fãs...
¡Uno!, o primeiro da trilogia foi lançado em 25 de setembro, ¡Dos! estará nas lojas a partir do dia 13 de novembro e ¡Tré! sai em 11 de dezembro.
O Green Day foi formado em 1987, uma época em que o punk estava ensaiando uma volta à grande mídia, principalmente na Califórnia. Desde o final dos anos 80, o ensolarado estado da costa oeste estado unidense foi o celeiro de muitas bandas do estilo: Offspring, Operation Ivy, Rancid, Bad Religion, NOFX e o próprio Green Day são os nomes mais famosos dessa cena.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Depois do sucesso do multi-premiado Dookie, de 1994, o Green Day sempre se manteve em evidência. A partir do lançamento de Nimrod (1997), a banda começou a incorporar novos elementos em seu punk rock. Seja através de baladas acústicas e ao piano (influenciadas pelos Beatles do final dos anos 60), música folk ou, até mesmo, uma imersão em influências mais progressivas (como o Queen do começo de carreira e a fase "rock-ópera" do The Who), a banda sempre buscou novos ingredientes para enriquecer sua música, mas sem perder o estilo. É aquela história, por mais diferente que a banda tente soar, você ouve alguns poucos segundos de uma canção e já saca que é o Green Day.
Os últimos lançamentos da banda se caracterizaram por uma certa pompa e, como comentado no parágrafo acima, uma maior influência do rock progressivo. "American Idiot" e "21st Century Breakdown" foram o que podemos chamar de "óperas-rock", no melhor estilo "Tommy". Depois dessa incursão em composições um pouco mais intricadas para os padrões da banda ( e para os padrões do público médio do grupo) era aguardado um lançamento com a, sempre tão festejada, "volta às raízes". Em ¡Uno! foi exatamente o que o grupo entregou. Só que a banda foi além de suas próprias raízes, e buscou inspiração não só nos alicerces do estilo musical que mais se enquadram (no caso, o punk) mas também nas bases do próprio rock.
A influência de The Clash, que antes aparecia de forma mais tímida, dessa vez esta bem latente. Logo no primeiro acorde de "Nuclear Family", música que abre o álbum, vem a mente a introdução de "Safe European Home" da clássica banda inglesa. "Kill the DJ", com seu ritmo grooveado e bastante dançante também lembra bastante o Clash da fase "London Calling" em diante. Uma das músicas mais diferentes de toda a discografia do Green Day, e uma grata surpresa!
O solos estão melhores do que nunca. Não espere ouvir escalas em modo frígio, semi-colcheias na velocidade da luz e arpeggios supersônicos. O que temos aqui é a boa e velha pentatônica. Mas já é algo além dos solos oitavados de outrora. A banda mostra que ouviu bastante AC/DC do final dos anos 70 durante o processo criativo do trabalho. E, vamos falar a verdade, existe escala mais rock 'n roll do que a pentatônica?! Chuck Berry, Stevie Ray Vaughan, Eric Clapton, Tony Iommi, David Gilmour, Jimi Hendrix e tantos outros gênios do instrumento que o digam... A sacana "Troublemaker" (bem ao estilo do Stooges), traz o melhor solo em uma música da banda até agora. E a interpretação de Billie Joe nos vocais é muito divertida, lembrando bastante o porra-louca do Iggy Pop.
Outro fator que também contribui para toda essa sonoridade mais "vintage" é a produção. A mixagem e as timbragens (principalmente das guitarras e do vocal, cheio de reverb e delay) lembram bastante as utilizadas no final dos anos 70 por bandas como o próprio The Clash, Stiff Little Fingers, Replacements, Cheap Tricks entre outros grupos clássicos do punk e do power pop daquela época. "Angel Blue" e "Feel for you" remetem ao que algumas dessas bandas já fizeram.
Em alguns momentos vêm à cabeça aquela lembrança do que a banda fazia em álbuns como Dookie e Kerplunk! (1992), além de canções como "Carpe Diem" e "Stay the night" que nos remetem diretamente ao injustiçado Warning! (2000). Como dito anteriormente, por mais que a banda sempre traga novos elementos para agregar ao seu punk rock, dá pra sacar na hora que se trata do Green Day. Isso, para os que já não vão muito com a cara do grupo, pode não ser muito bom. Mas, com certeza a banda não fez o álbum pensando nos seus detratores. Em alguns casos, porém, essa característica atrapalha um pouco. "Sweet 16" é o melhor exemplo, e será facilmente esquecida por todos (talvez até pela banda...). Nada que comprometa o trabalho como um todo, pois ele se mantém interessante do começo ao fim.
Ao final da audição o resultado é positivo. A banda soube dosar suas características mais fortes com uma maior influência de bandas clássicas e produziu, acima de qualquer coisa, um álbum de rock muito divertido, mostrando que o tempo só os fez bem. Nada mal para uma banda que já passa dos vinte e cinco anos de idade...
Green Day - ¡Uno!
1. "Nuclear Family"
2. "Stay the Night"
3. "Carpe Diem"
4. "Let Yourself Go"
5. "Kill the DJ"
6. "Fell for You"
7. "Loss of Control"
8. "Troublemaker"
9. "Angel Blue"
10. "Sweet 16"
11. "Rusty James"
12. "Oh Love"
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O álbum que quase enterrou o Black Sabbath, até que Ozzy voltou e salvou a banda
Álbum perdido do Slipknot ganha data de lançamento oficial
Com ex-membros do Evanescence, We Are the Fallen quer retomar atividades
A curiosa origem do nome artístico de Rafael Bittencourt, segundo o próprio
Slayer vem ao Brasil em dezembro de 2026, segundo José Norberto Flesch
Saturnus confirma primeiro show no Brasil; banda tem disco inspirado em Paulo Coelho
Rafael Bittencourt, fundador do Angra, recebe título de Imortal da Academia de Letras do Brasil
Show do Iron Maiden em Curitiba é oficialmente confirmado
O disco do Black Sabbath que é o preferido de Rob Halford, vocalista do Judas Priest
O álbum dos anos 1980 que define o heavy metal, segundo Zakk Wylde
A banda que fez Sharon den Adel, vocalista do Within Temptation, entrar no mundo da música pesada
O guitarrista que poderia ensinar Slash a fazer um solo decente, segundo Sérgio Martins
Primavera Sound Brasil divulga seu Line-up para 2026
A banda esquecida na história que Kurt Cobain queria ver mais gente ouvindo
As 18 expressões e referências britânicas em hits dos Beatles que muita gente não entende
Engenheiros: O polêmico tema em música de 1986 que era velho na época mas é atual hoje
A turnê do Iron Maiden que não foi justa com ninguém da banda, segundo Steve Harris
O conselho de Andreas Kisser para seu filho não passar o que ele passou com Max Cavalera

Álbuns clássicos do rock e metal que quase tiveram outros nomes, segundo a Loudwire
10 músicas ligadas ao rock que entraram para o "Clube do Bilhão" do Spotify em 2026
25 hits do rock lançados nos anos 90 que superaram 1 bilhão de plays no Spotify
A banda punk que Billy Corgan disse ser "maior que os Ramones"
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes
