Audioslave: completando 10 anos de seu debut

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Por João Paulo Linhares Gonçalves
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Vou falar sobre o primeiro álbum do Audioslave, auto-entitulado, que completa dez anos em novembro deste ano - vamos aproveitar para analisar este grande petardo que os remanescentes do Rage Against The Machine fizeram junto a Chris Cornell, ex-Soundgarden. Atualmente, ambas as bandas originais retornaram para turnês (o Soundgarden está para lançar um novo álbum de estúdio. Existem rumores de que o Rage Against The Machine também esteja em estúdio...), mas há dez anos atrás eles formaram este novo grupo e gravaram esta preciosidade, que passamos a analisar agora. Vamos lá!!

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Em 2000, Zack De La Rocha, vocalista do Rage Against The Machine, resolveu sair da banda (aparentemente para se dedicar a carreira solo) e os três membros restantes se viram no dilema de substitui-lo. Segundo a Wikipedia, o produtor Rick Rubin teve um papel decisivo nesta busca, sugerindo o nome de Chris Cornell, ex-Soundgarden. Quando todos se encontraram e começaram a ensaiar juntos, a química entre os integrantes foi imediata, e rapidamente começaram a compor e trabalhar no que viria a ser seu primeiro álbum, com Rick Rubin assumindo a produção do disco.

No começo de 2002, antes mesmo de divulgar o nome da banda ou fazer sua primeira apresentação, o grupo teve sua primeira briga, chegando a anunciar a separação. Novamente segundo a Wikipedia, a briga se deu graças a conflitos com os empresários (ou devido a problemas com álcool do vocalista, que foi parar em uma clínica de reabilitação para se livrar do vício...). A banda acabou resolvendo as diferenças, trocou de empresário e anunciou de forma oficial o nome da banda - uma ideia de Chris Cornell. Rapidamente seguiu-se a divulgação do primeiro single, "Cochise", e finalmente o álbum viu a luz do dia em novembro de 2002. Chegou ao sétimo lugar na parada americana, e já vendeu mais de três milhões de cópias somente nos EUA. Três vídeos foram feitos para promover o disco: o já citado single, "Like A Stone" e "Show Me How To Live" (ver abaixo). Musicalmente, não é a música revolucionária que o Rage Against The Machine praticava nem o hard rock do Soundgarden. Eles conseguiram encontrar um meio termo e mesclaram o estilo da banda de onde os três instrumentistas eram oriundos com o vocal forte e potente de Chris Cornell. Imaginem um Led Zeppelin repaginado para os anos 2000, com aqueles sons e solos inovadores de Tom Morello e você começará a ter uma noção da sonoridade do Audioslave.

A abertura do disco (e primeiro single do álbum) é "Cochise", e começa com aqueles riffs característicos de Tom Morello, com o baixo de Tim Commeford rapidamente acompanhando, num crescente de intensidade e vontade de mostrar a que vieram, com o riff principal rapidamente tomando conta e incendiando o local. O vocal de Chris Cornell acompanha com determinação, e eu me lembro que muita gente falava quando esse single foi lançado: o Zeppelin dos anos 2000. Exageros à parte, foi um baita impacto - principalmente porque na época pouca coisa boa surgia (até hoje estamos na seca, salvo um ou outro lampejo...). "Show Me How To Live" acompanha a pegada com um riff igualmente contagioso e incendiário, com Cornell ainda mais inspirado, e o bicho pega no refrão, quando a música se torna ainda mais forte. O video clipe feito para esta canção aumentava ainda mais o impacto, com os integrantes da banda em um carro sendo cercado e perseguido pela polícia americana - mas sempre fugindo (chegou a ser proibido na MTV americana). "Gasoline" segue a fórmula inicial deste álbum, com um riff forte iniciando e a banda seguindo e acompanhando a seguir. Temos até uma quebrada de ritmo a seguir, mas a pegada forte retorna com o refrão ganchudo: "...burning that gasoline...". "What You Are" dá uma freada no ritmo frenético que tínhamos até aqui, com um canto suave de Cornell, mas somente até chegarmos ao refrão, que coloca fogo novamente. O solo de Morello é típico dele, completamente distinto de todos os outros guitarristas. "Like A Stone" é a mais conhecida do álbum, com certeza, uma composição poderosa da banda, letra profunda, um verdadeiro clássico do rock, uma levada suave e gostosa. Chris Cornell canta com uma convicção e força emocionantes e o solo de Tom Morello consegue te tocar, sendo belíssimo mesmo com o seu estilo totalmente único.

Depois da linda baladinha, "Set It Off" corrige o curso de navegação e coloca o barco novamente em chamas - uma das mais pesadas do disco. "Shadow On The Sun" começa calma, suave como outras do álbum, mas parte num foguete rumo ao refrão pesado (influência clara de Led Zeppelin e outras dos anos 70, o famoso estilo luz e sombras, pesado e suave se alternando). O solo de Tom Morello se destaca novamente nesta faixa (no Audioslave, Morello conseguiu evoluir seu estilo, mesclando todos aqueles sons diferentes com belíssimas melodias), e o final pesadíssimo mostra influências fortíssimas de Black Sabbath. "I Am The Highway" é outra balada do disco, mais calma, muito bonita, parece até oriunda do disco solo de Chris Cornell. Até no solo, Tom Morello relaxa e nos brinda com suaves notas. "Exploder" volta a pegar pesado e agita novamente o álbum com toneladas de riffs e vocais raivosos. "Hypnotize" apresenta um ritmo mais quebrado, se tornando a faixa mais diferente de todo álbum, uma espécie de peixe fora d'água.

"Bring Em Back Alive" começa lenta, calma, e repete a fórmula de outras canções, num crescente de peso e intensidade. Acho que o Rick Rubin exagerou aqui nos efeitos de voz do Chris Cornell. "Light My Way" é outra que começa pesadíssima, uma de minhas preferidas, o refrão com Cornell gritando a plenos pulmões. "Geaway Car" é mais uma baladinha suave e tranquila, também bela - a interpretação de Cornell e o solo lindo de Morello a tornam um destaque no disco. "The Last Remaining Light" fecha o álbum com um tom um pouco melancólico, arrastado, uma faixa atípica das demais, porém com destaque para a interpretação vocal de Chris Cornell, um grande vocalista sem dúvida alguma.

Um belo disco, um sopro de rock contemporâneo de uma banda que visitou os gigantes dos anos 70 e os deixou com uma nova roupagem para a década que se iniciava. Uma década que trouxe poucos rebentos de criatividade como este. Valorizemos este grande petardo que completa dez anos do seu lançamento. A banda ainda lançaria mais dois álbuns, antes de brigar (a famosa desculpa das "diferenças musicais") e se separar, abrindo espaço para a reunião com suas antigas bandas. Mas os álbuns estão aí para serem ouvidos e degustados, aproveitemos!!

Lista de músicas do álbum:
1 - "Cochise"
2 - "Show Me How To Live"
3 - "Gasoline"
4 - "What You Are"
5 - "Like A Stone"
6 - "Set It Off"
7 - "Shadow On The Sun"
8 - "I Am The Highway"
9 - "Exploder"
10 - "Hypnotize"
11 - "Bring Em Back Alive"
12 - "Light My Way"
13 - "Getaway Car"
14 - "The Last Remaining Light"

Alguns vídeos:
"Cochise":

"Like A Stone":

"Show Me How To Live":

Acompanhe esta e outras resenhas no blog Ripando a História do Rock:
http://ripandohistoriarock.blogspot.com.br/

Até o próximo post!!


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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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