Resenha - Audioslave - Audioslave

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Por Bruno Romani
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Projeto duradouro ou não, a verdade é que o desfecho de uma longa novela pôde ser comemorado por fãs do mundo inteiro no dia 19/11, data em que o o álbum de estréia do AUDIOSLAVE chegou as lojas do mundo inteiro (o Brasil uma vez mais ficou de fora…). Para os mais desavisados, Audioslave é o nome dado ao projeto que envolve Chris Cornell, ex-vocalista da potência grunge Soundgarden, e os ex-integrantes do Rage Against the Machine, um dos poucos destaques da era pós-grunge e que teve seu fim precocemente decretado.

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O resultado dessa união de forças não poderia ser mais previsível, e ao mesmo tempo tão aguardado. Se ignorado os vocais, a sonoridade da banda é a mesma que consagrou o RATM: baixo e bateria bem sincronizados e um guitarrista que vale por três. Em contrapartida, se ignoradas as limitações de Brad Wilk e as esquisitices de Morello, é possível crer que o Soundgarden ressuscitou.

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Canções como "Show me How to Live," "What You Are," "Set it Off," e "Light My Way" são o resultado perfeito do casamento entre a alma do Soundgarden e o "corpo físico" do RATM. O que assusta, todavia, é que devido a tamanha previsibilidade, o disco acaba se tornando monótono. Por vários momentos, o ouvinte é tomado pelo pensamento de que algo está faltando, seja isso a maneira exuberante de comandar a bateria de Matt Cameron ou o vocal explosivo de Zack de la Rocha.

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O fato que poderia ser interessante nesse álbum, mas que acaba não sendo, é conferir o RATM tocando músicas melódicas e ouvir Chris Cornell cantando sobre uma base instrumental mais simples. Baladas no estilo "Black Hole Sun" ou "Feel on Black days" aparecem mais do que alguém pudesse imaginar. Ao que parece, a banda optou pelo caminho das baladas na tentativa de evitar um desgaste desnecessário. Entre essas destacam-se "Like a Stone," "Shadow on the Sun" e o blues "Getaway Car."

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Existe ainda outra mudança, além da vocal, para os fãs de RATM. As composições que agora estão por conta de Chris Cornell, tratam de temas mais profundos e pessoais. Morte e solidão, assuntos obrigatórios nos discos do Soundgarden, são temática constante no disco do Audioslave. Bandas baratas que gostam de tratar desses temas, como o Creed ou Nickelback, devem estar morrendo de inveja numa hora dessas.

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Apesar dos contra-tempos, não devemos nos esquecer de que essa banda é formada por músicos competentíssimos e criativos, e que portanto já não têm mais nada a provar. Infelizmente, o disco é apenas bom, o que pode levar muitos a pensar que tamanha expectativa não valeu a pena, mas valeu sim. O fato de termos de volta a ativa Chris Cornell e o RATM já vale por si só. A música dessas figuras, queiram ou não, é melhor do que muita coisa que está no mercado atualmente.

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