Black Sabbath: os quarenta anos de "Vol. 4"
Resenha - Vol. 4 - Black Sabbath: os quarenta anos de "Vol. 4"
Por Igor Miranda
Fonte: Van do Halen
Postado em 25 de setembro de 2012
Originalmente intitulado Snowblind, o quarto registro do Black Sabbath é marcado pelo início dos problemas com as drogas. A performance dos integrantes, apesar de incrível, começava a ser atrapalhada pelos abusos. Mesmo assim, Vol. 4 se tornou um dos maiores clássicos não apenas do Sabbath, mas da música pesada em geral. O álbum também marca o início dos experimentos musicais que aqui ainda são tímidos, mas se aprimoraram nos lançamentos sucessores.
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Black Sabbath – "Vol. 4″
Lançado em 25 de setembro de 1972
A faixa de abertura, "Wheels Of Confusion", é bastante cadenciada e densa em seu início, mas a insanidade toma conta a partir dos 2:30min de duração. Mais próxima do fim, a canção retoma sua cadência e encerra seus oito exemplares minutos de duração com excelente performance solo de Tony Iommi em um fundo musical acústico. "Tomorrow’s Dream" segue com muito mais simplicidade que a anterior, com bastante peso e vocalizações incríveis de Ozzy Osbourne. A balada "Changes" quebra o clima. Está mal posicionada na tracklist – acredito que deveria estar lá pro meio da bolacha –, mas nem por isso deixa de ser grandiosa e emocionante.
O interlúdio "FX" serve como um anúncio para um dos momentos mais impressionantes do Heavy Metal em geral: "Supernaut". A faixa, incrivelmente pesada, tem grande apresentação de todos os membros. Os vocais repletos de emoção e levemente desesperados de Ozzy Osbourne, os riffs exemplares de Tony Iommi, as linhas de baixo cavalares e destacadas de Geezer Butler, a linha de bateria perfeitamente encaixada de Bill Ward. Tudo é perfeito aqui.
A icônica "Snowblind", que é um dos maiores clássicos do Sabbath, fala abertamente sobre cocaína. Iommi, uma verdadeira metralhadora de riffs, demonstra inspiração exemplar por aqui. "Cornucopia" se destaca pelo seu peso raro em início de década de 1970, obviamente graças à banda como um todo, mas principalmente pela performance de Geezer Butler, um dos maiores baixistas da história do gênero. Vale destacar sua progressão melódica, copiada por 11 entre 10 bandas de Doom Metal.
"Laguna Sunrise" reflete um exemplo a ser seguido por qualquer estrela do Rock. Não se deve parar de estudar e se aprimorar nem mesmo após a fama. Tony Iommi demonstra isso nesta faixa instrumental, guiada por seu violão clássico e inserções de violino pra lá de adequadas. "St. Vitus Dance" é o momento Hard Rock do disco. Faixa dignamente 70s Rock, mas sem perder o peso característico. É agradável, mas não se destaca. "Under The Sun" fecha a bolacha com muita classe. Tem um início cadenciado e visceral, fica caótica em seu miolo e volta à cadência ao seu fim. Bill Ward se destaca nessa canção.
Quarenta anos após seu lançamento, afirmo com precisão que se trata de um dos discos mais pesados do Heavy Metal – se não o mais pesado. Todas as distorções, todas as inovações tecnológicas, todas as porcarias (ou não-porcarias) que inventaram pra deixar a música mais pesada, ao meu ver, jamais serão suficientes para chegar ao nível de peso apresentado em diversos momentos deste registro. Um trabalho atemporal que continua influenciando a música pesada.
Ozzy Osbourne (vocal)
Tony Iommi (guitarra, violão, piano, mellotron)
Geezer Butler (baixo, mellotron)
Bill Ward (bateria, percussão)
01. Wheels of Confusion/The Straightener
02. Tomorrow’s Dream
03. Changes
04. FX (instrumental)
05. Supernaut
06. Snowblind
07. Cornucopia
08. Laguna Sunrise (instrumental)
09. St. Vitus Dance
10. Under the Sun/Every Day Comes and Goes
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