ZZ Top: Prepare o fígado. Esse disco é para iniciados
Resenha - La Futura - ZZ Top
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 17 de setembro de 2012
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Vou começar esse texto com uma historinha. Chamei um amigo e comentei: "Tô com o novo do ZZ Top aqui, quer?". A resposta não tinha como ser diferente: "É claro, manda aí!". E o Fabiano ouviu o disco algumas vezes e me mandou um texto impecável com a sua opinião sobre La Futura, que você pode ler abaixo:
"Escolha bem o whisky. Separe o gelo. O copo certo. A poltrona mais confortável. Separe o cotonete. Prepare o terreno.
Você vai ouvir solos de guitarra na medida certa. Daqueles em que as notas fora escolhidas a dedo. Do tipo que você não imagina outra coisa para acrescentar. Agora, multiplique isso para cozinha, riffs e vocais. É mais ou menos nessa língua que La Futura é escrito.
Que o futuro seja assim quando eu reencarnar. Cru, direto, com personalidade e com muito blues de matéria-prima. Às vezes misturado com groove, às vezes com hard, às vezes com ele mesmo. La Futura é mais do mesmo. E que bom que seja assim.
"I Gotsta Get Paid" já vale o disco, e é só a abertura. "Chartreuse" é riff que qualquer bandinha moderna mataria para ter criado. "Over You" é uma pérola, e o timbre do solo é ostra que molda. A dor da letra é o grão de areia que torna tudo belo, mesmo com uma voz de auto falante rasgado.
"Heartache in Blue" tem aquelas gaitas de boca que dá vontade de fazer aula só pra tirar. "I Don’t Wanna Lose, Lose, You" é ZZ, é Top, e é pop. Ofereça ela pra qualquer garota que te fez sofrer e encha mais um copo.
"Flyin’ High" parece saída dos irmãos Young, mas a voltage e o carimbo são ZZ. "It’s Too Easy Mañana" é climão de pegada no chão, com vocal dobrado e embebido. A melhor do disco.
Cuidado pra não derrubar o resto de bebida da garrafa quando "Big Shiny Nine" começar. Se você estiver com a chave do carro no bolso, vai pegar a estrada. Batera impecável. Mais um solo perfeito.
A paulada que encerra o disco, "Have a Little Mercy", não poderia ter outro nome. Aumente o som o quanto puder e seque a garrafa sem misericórdia. O que os ouvidos sentem o fígado não vê. Solo pirofágico.
Se o futuro for assim mesmo, você não precisa de máquina do tempo. Pode voltar pra lá a todo momento. Cada vez que ouvir La Futura.
Prepare o fígado. Esse disco é para iniciados."
Não há muito o que comentar depois disso. "La Futura", décimo-quinto disco do barbudo trio texano, é uma paulada bem dada na orelha. Os nove anos de que separam o álbum do anterior, "Mescalero" (2003), são compensados com sobra nas dez composições. O título é mais do que apropriado, pois traz um ZZ Top atual que soube entender o que fez de melhor em seu passado, reprocessou os inúmeros acertos e jogou fora os excessos - como as batidas eletrônicas e os teclados em demasia - e emergiu com uma sonoridade renovada, que olha para frente mas não abre mão de suas raízes.
A produção de Rick Rubin e do próprio Billy Gibbons deixou tudo com um timbre sujo e áspero, onde é possível quase sentir o cheiro de bar, a cerveja gelada na mão e a densa fumaça de uma noitada inesquecível.
Não há o que destacar. As sensações já foram descritas no texto inicial. O ZZ Top atendeu à todas as expectativas com um disco excelente, cheio de feeling e com aquela malandragem que só a experiência é capaz de trazer. Cada fio das longas barbas de Billy Gibbons e Dusty Hill e do bigode de Frank Beard foram honrados com um álbum que mostra que o ZZ Top ainda tem uma longa estrada pela frente.
O rock não é feito de caras certinhos, cabelos cortados e roupas alinhadas. O rock é sujo, beberrão e suado. É sexo, tesão e suingue. É bebida em excesso, cigarros aos montes e mulheres pelos cantos. O rock é malvado, alto e barulhento. Ele não é querido, bem feitinho e todo redondo. Riffs de guitarra bons são aqueles pontiagudos. Os vocais devem ser roucos, com as cordas vocais repousando em banho maria em tonéis de whisky e nuvens de fumaça. O baixo é o coração, e ele deve pulsar não conforme manda a cabeça de cima, mas sim como indica a cabeça de baixo. E a bateria não é um instrumento cirúrgico e muito menos uma peça de circo. Ela é o ritmo puro e simples, sem viradas mirabolantes ou maneirismos desnecessários. E tudo isso é "La Futura", é o ZZ Top, é um dos melhores discos do ano.
Sem mais, deixa eu aumentar o volume e calibrar meu copo.
Faixas:
I Gotsta Get Paid
Chartreuse
Consumption
Over You
Heartache in Blue
I Don’t Wanna Lose, Lose, You
Flyin’ High
It’s Too Easy Mañana
Big Shiny Nine
Have a Little Mercy
Outras resenhas de La Futura - ZZ Top
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Deveríamos nos chamar o que, Iron Maiden?": Geddy Lee explica manutenção do nome Rush
Mike McCready relembra colegas mortos da cena grunge e questiona: "Valeu a pena?"
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
A regra não escrita que o Iron Maiden impõe nos solos de guitarra, segundo Adrian Smith
Jon Oliva publica mensagem atualizando estado de saúde e celebrando o irmão
A banda iniciante de heavy metal que tem como objetivo ser o novo Iron Maiden
5 discos obscuros de rock dos anos 80 que ganharam nota dez da Classic Rock
Michale Graves não se enxerga mais como parte do punk e já começou mudança na carreira
O guitarrista com o qual Ronnie Romero (ex-Rainbow) se recusaria a trabalhar
O Monsters of Rock 2026 entregou o que se espera de um grande festival
"Provavelmente demos um tiro no próprio pé" diz Rich Robinson, sobre o Black Crowes
Exausto das brigas, guitarrista não vê a hora de o Journey acabar de vez
Produção do Bangers Open Air conta como festival se adaptou aos headbangers quarentões
Angela Gossow afirma que Kiko Loureiro solicitou indenização por violação de direitos autorais
Alvin L, compositor de hits de sucesso do pop rock nacional, faleceu neste domingo
Paul Stanley: A dor e o drama de ser talaricado por um Caça-Fantasmas
Renato Russo compôs para Cássia Eller pensando em ícone do rock que Cássia não conhecia
O beijo em cantora que fez Ney Matogrosso perceber que lado hétero não está adormecido


ZZ Top confirma três shows no Brasil em novembro
O guitarrista que foi a ponte entre Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan
A banda dos anos 80 que Jimmy Page disse definir "o que é rock'n'roll"
4 hits de 85 que tem tanto solos quanto riffs inesquecíveis, segundo a American Songwriter
O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos



