ZZ Top: mostram que estão vivos, bem, e tocando pesado!

Resenha - La Futura - ZZ Top

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Por Bruno Blues
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O trio "texicano" (mistura de texano com mexicano) ZZ TOP é um grupo de rock and roll, que ao longo dos anos, soube se reinventar. Passados altos e baixos durante a carreira com mais de 30 anos, sobreviveram as transformações ocorridas ao longo dentro da evolução do mercado fonográfico – a cada nova tendência musical, souberam manter-se num curso consistente como uma das carreiras musicais mais solidificadas como um grupo, no termo literal do significado.
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Quem acompanha a carreira do grupo, teve o prazer de ouvir um disco de estúdio gravado em 2003, titulado "Mescalero", onde a banda explorou além de um peso descomunal em suas guitarras e baixos, ritmos característicos da região fronteiriça entre o sul do estado norte-americano do Texas com o norte do México – os ritmos muitas vezes são variações do que se conhece como "tejano", que utiliza de instrumentos tais como marimbas, pedal steel, etc.

Depois de 9 anos de espera, discos compilações e ao vivos lançados, o grupo volta para o estúdio e traz a luz em setembro de 2012, seu último disco de estúdio. Titulado "La Futura" tem como primeira informação relevante, Rick Rubin (famoso produtor que já trabalhou com artistas desde SLAYER, RED HOT CHILLI PEPPERS, além de uma lista infindável de estrelas da música internacional). Os fãs dos barbudos puderam conferir uma prévia do que seria "La Futura" em junho do mesmo ano quando foi lançado o EP "Texicali" contendo as quatro faixas iniciais do álbum.

Nos primeiros segundos de audição de "I Gotsta Get Paid" um leigo pode até imaginar que o riff inicial da música parece com alguma coisa do AC/DC ("Stiff Upper Lip" é uma boa comparação), porém o timbre, tanto da guitarra como da distorção utilizada, evidencia as diferenças existentes nesta comparação. Logo que a bateria de Frank Beard começa a levada característica de seu estilo de tocar, já não existe comparação pertinente para poder analisar o ZZ TOP com qualquer outra banda. Impressionante a capacidade melódica que Billy Gibbons tem para compor seus solos. Os vocais de apoio de Dust Hill são bem colocados dentro do refrão da música. "I Gotsta Get Paid" é uma boa música, que nos cativa para ouvirmos as outras canções do álbum.

"Chartreuse" tem sua característica central, o fato de o riff básico da música ser uma variação do riff de "Tush" (sucesso setentista do grupo). Porém a produção distingue uma coisa da outra, além do fato de que os vocais de Billy Gibbons, tornaram-se mais sujos e graves com o passar dos anos. O destaque da música vai para o solo com o 'bottleneck" de Gibbons, que é executado de forma magistral pelo guitarrista.

"Consumption" inicialmente parece com uma continuação de "Chartreuse" mas ao longo do desenrolar da canção, podemos perceber que "Consumption" tem um andamento pouco mais cadenciado que a música anterior. O primeiro solo, Gibbons executa da forma tradicional, acariciando as cordas de sua guitarra com seus cinco dedos, criando um solo cheio de groove. Já o segundo solo, é composto através da técnica de slide característica do "bottleneck" de Gibbons, as linhas do solo são executadas com uma levada marcada, tornando-se mais evidente junto do acompanhamento de Frank Beard na bateria. Puro rock and roll.

Em 2003, no disco "Mescalero" contém uma das mais belas baladas já composta por uma banda de rock – principalmente um trio, e a música chama-se "Goin' So Good". Ao ouvir a quarta faixa do disco "La Futura", parece que Billy Gibbons resolveu optar pela fórmula da música lenta em "Over You", que merece seus créditos. Com harmonia envolvente, "Over You" apresenta um riff interpretado pela guitarra dedilhada de Gibbons acompanhada pelo piano sutil. O momento marcante da música, fica a cargo mais uma vez do senso melódico de Gibbons na hora de criar um solo, e o de "Over You" é simplesmente maravilhoso.

"Heartache In Blue" começa com um riff poderoso harmonizando sua parte melódica com uma gaita visceral. Se não fosse pela gaita marcante na música, pode-se dizer que "Heartache In Blue" é uma música característica do ZZ TOP. Vale ressaltar a eficiência dos vocais de apoio de Dust Hill, que traz uma energia a mais para o início do solo. O solo fica a cargo de um belo dialogado calcado no blues rock entre a guitarra minimalista de Gibbons e as linhas melódicas da gaita de Frank Harman (músico de estúdio contratado). Eles brincam até o fade out.

Uma coisa que me pergunto, não como ouvinte mas como músico: como é que Billy Gibbons consegue tornar o som da sua guitarra usando um encordoamento extramente leve (.008)? Na música "I Don't Wanna Lose, Lose You", sexta faixa do álbum "La Futura" é esse peso impressionante que influencia a qualquer um que ouça a batida bateria, as levadas da guitarra e do baixo, além da voz rouca de Gibbons. Você percebe o quanto o ZZ TOP deve tocar alto no estúdio, uma vez que a guitarra de Billy Gibbons urra como um lobo em noite de lua cheia.

O riff inicial de "Flying High" é totalmente calcado na sequência de intervalo de acordes bastante utilizados por bandas de hard rock tais como AC/DC e afins. Certamente é a música que mais exige dos vocais de Billy Gibbons, pois a canção pede uma energia extra, além de uma afinação alta para expressar os sentimentos da música. O refrão torna-se um pouco maçante, mas para quem gosta de refrões simples e marcantes (daqueles de cantar junto no show) "Flying High" é uma ótima música .

"It's Too Easy Mañana" é a mais uma balada do disco. Diferentemente de "Over You" "It's Too Easy" soa mais pesada, e seu riff é carregado da peculiar distorção da guitarra de Billy Gibbons. Durante o solo, executado com bastante criatividade (e reverb) podemos perceber as linhas de contrabaixo poderosas executadas por Dust Hill. A letra, remete as influências "tex-mex" da banda, e torna-se clássica à primeira audição.

"Big Shiny Nine" é uma daquelas músicas cheias de energia, com riffs poderosos, uma levada rítmica pontuada, além do vocal descompromissado, do ZZ TOP. Logo que a música começa a tocar, todo o sentimento estradeiro da banda vem à tona. A vontade de montar numa possante moto chopper torna-se nítida – aceleradas em sincronia com a guitarra de "Mr. Beard" Billy Gibbons. O solo da música é extremamente simples (marca registrada do guitarrista) mas faz qualquer amante de hard rock, tocar "air guitar".

"Have A Litte Mercy" é a última música do disco. Traz em sua estrutura uma leitura dos clássicos compassos do blues, através da ótica do trio texano. Certo que o peso dos instrumentos torna a música muito mais rock and roll do que blues, porém a estrutura é a mesma usada por mestres do gênero. Para demonstrar a influência do blues na música do ZZ Top, "Have A Little Mercy" tem seu fim na cadência marcada do blues de raiz.

Longe de ser um disco ótimo ou péssimo, "La Futura" mostra que o ZZ TOP é um grupo sólido em relação à qualquer empreitada que acaba se enveredando. "La Futura" não tem o vigor e a beleza que o disco anterior, "Mescalero", mas mesmo assim mostra que a meta do grupo é manter a qualidade sonora do grupo, mostrando que estão vivos, bem, e tocam pesado!

Tracklist:

"I Gotsta Get Paid"
"Chartreuse"
"Consumption"
"Over You"
"Heartache In Blue"
"I Don't Wanna Lose, Lose You"
"Flying High"
"It's Too Easy Mañana"
"Big Shiny Nine"
"Have A Litte Mercy"

Integrantes:

Billy Gibbons – guitarra/vocal
Dust Hill – contrabaixo/vocal de apoio
Frank Beard – Bateria

James Harman – gaita
Dave Sardy – piano/órgão
Joe Hardy – piano/órgão

Produção: Rick Rubin & Billy Gibbons

Lançado em 11 de setembro de 2012.
Lançado pela distribuidora American Recordins/Universal Republic.

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Sobre Bruno Blues

Bruno Blues, nascido em 12 de agosto de 1986. Se envolveu com música desde cedo enquanto o dublava a banda de baile no bar dos pais. Amante de Rock and Roll aos 13 anos, guitarrista aos 15. Adulto, além de músico, tornou-se professor de Filosofia e Sociologia. Além da música, é fã do cinema - Herzog, Linklater, Tarantino. Nas horas vagas é Condutor de Turismo de Aventura - adora uma cachoeira, uma corda, e a adrenalina. De música, curte de Django Reinhardt à Slayer - só separa, dentro de teu julgamento, a música boa da música ruim.

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