Secos & Molhados: Referência no rock and roll.
Resenha - Secos & Molhados - Secos & Molhados
Por Lucas Troglio
Postado em 31 de julho de 2012
Nota: 10 ![]()
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Se você gosta de rock progressivo, rock experimental e aquela característica que só a MPB tem para nos oferecer: não pode deixar de ouvir o disco de estréia dos SECOS & MOLHADOS. Com guitarras muito legais e linhas de baixo marcantes, este disco é referência no rock and roll.
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Em 1973 o rock progressivo e o rock psicodélico estavam no seu auge de sucesso e criatividade. Foi nesta onda que alguns dos maiores discos da história foram lançados. Podemos citar "Are You Experienced?" (1967), "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (1967) e "Disraeli Gears" (1967), discos lançados no mesmo ano que vieram a influenciar as décadas seguintes.
No Brasil, esta explosão de criatividade veio a estourar com o grupo SECOS & MOLHADOS, em agosto de 1973, em seu primeiro disco. A banda que se apresentava de forma tão peculiar em um período de ditadura militar, mostrava uma sonoridade diferente com bastante swing, inspiração no folclore e tradições brasileiras. A diferença deu resultado: foram comercializados mais de 1 milhão de cópias. Favorecidos graças ao crescimento da indústria fonográfica no Brasil entre a década de 60 e 70, o álbum entrou para a lista da Rolling Stone dos "100 Maiores Discos Da Música Brasileira" em 5° lugar.
As letras do disco fazem menção a diversos poetas brasileiros, entre eles: Vinícius de Moraes, Cassiano Ricardo e Manuel Bandeira. Além de contar com um instrumental de primeira e vocal com inspiração fascinante.
É possível absorver diversas influências musicais neste LP, do jazz fusion à MPB, do samba ao rock progressivo, do baião ao folk. Você pode até achar estranho o vocal de NEY MATOGROSSO, mas não pode negar que a voz dele encaixa como uma luva na melodia. Em "Sangue Latino" a voz é o maior destaque. Impossível não conhecer "O Vira", letra contagiante e refrão grudento, com guitarras bem colocadas e bateria de ritmo certeiro.
"Amor" tem um baixo muito bom e os vocais trabalham elegantemente, é uma composição de primeira. Com percussão de pegada bem latina e guitarra ao melhor estilo JIMMY HENDRIX "Assim Assado" é uma das de mais destaque. "Mulher Barriguda" é a mais bacana, solinhos de baixo e uma bateria com bem trabalhada, além de um solo de gaita muito interessante, lembrando os clássicos de CHUCK BERRY e JERRY LEE LEWIS. "Fala" finaliza o disco com o progressivo a toda.
Ainda hoje o álbum é aclamado como uma das maiores inovações na música popular brasileira. Tão revolucionário e tão crítico ao ponto de se posicionar como um dos mais importantes e melhores da nossa cultura. Letras com qualidade literária, e um visual muito inovador.
Eis um disco de grande qualidade, onde todas as músicas têm algo a lhe dizer, e também é uma grande chance de conhecer a carreira dessa banda que foi épica na música nacional. Deixe o preconceito com NEY MATOGROSSO de lado, até porque, provavelmente você gosta de ROB HALFORD (não é uma comparação).
Faixas:
1 – Sangue Latino
2 – O Vira
3 – O Patrão Nosso de Cada Dia
4 – Amor
5 - Primavera Nos Dentes
6 – Assim Assado
7 – Mulher Barriguda
8 – El Rey
9 – Rosa de Hiroshima
10 – Prece Cósmica
11 – Rondo do Capitão
12 – As Andorinhas
13 - Fala
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