O baixista argentino dos anos 1960 que tinha preconceito com o rock brasileiro anos 1980
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de janeiro de 2026
A história do rock brasileiro é cheia de encontros, choques culturais e mudanças de percepção que só o tempo consegue operar. Nos anos 1980, quando o chamado "rock nacional" explodiu nas rádios e na televisão, nem todo mundo que vinha da geração anterior recebeu aquela nova safra de bandas de braços abertos. Um desses casos curiosos envolve Willy Verdarguer, músico argentino que chegou ao Brasil ainda nos anos 1960 e ajudou a moldar a história da música popular brasileira a partir do baixo elétrico. Ele integrou os dois álbuns do Secos & Molhados e tocou com nomes como Caetano Veloso, Raul Seixas e Guilherme Arantes.
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Em entrevista ao canal Corredor 5, Willy relembrou como reagiu, à época, à chegada do rock brasileiro dos anos 1980. Segundo ele, havia um preconceito inicial difícil de negar. "Eu era um pouquinho preconceituoso com o rock dos anos 80. Eu achava muito pop", confessou, explicando que aquele som lhe parecia distante do rock mais cru e experimental com o qual estava acostumado desde a juventude.
O contraste ficava ainda mais evidente dentro de casa. Willy contou que sua esposa adorava bandas como Titãs, Paralamas do Sucesso e Cazuza, enquanto ele, naquele momento, não se empolgava tanto. "Eu não adorava. Hoje eu gosto muito mais", reconheceu, admitindo que a relação com aquele repertório mudou radicalmente com o passar do tempo.
Um dos exemplos mais simbólicos dessa virada foi Legião Urbana. Willy não economizou franqueza ao falar do passado: "Legião Urbana, que eu achava uma bosta, hoje eu adoro". Para ele, o grande diferencial estava nas letras e na capacidade de Renato Russo de captar a linguagem e os dilemas da juventude brasileira da época. "Como o cara pegou a linguagem daquela meninada… isso foi único", afirmou.
Com Cazuza, a relação foi ainda mais profunda. Willy revelou que o cantor se tornou seu favorito daquela geração, especialmente depois de participar como baixista de um musical dedicado à obra do artista. "Foi aí que eu pirei de vez com Cazuza, com as letras, com as melodias", contou, destacando também o trabalho de Nilo Romero na carreira solo do ex-Barão Vermelho.
Ao longo da conversa, o músico também comentou a importância dos baixistas do Barão Vermelho, lembrando nomes como Dé Palmeira e Rodrigo Santos, além de explicar a tradição de tocar baixo com palheta - prática comum entre músicos formados nos anos 1950 e 1960, vindos originalmente da guitarra. Para Willy, o preconceito contra a palheta no Brasil nunca fez muito sentido, já que "no rock gringo tem palheta pra caramba".
Confira a entrevista completa abaixo.
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