A partida de pingue-pongue que definiu os rumos do rock nacional nos anos 1970
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de janeiro de 2026
Às vezes, a história da música não começa em um estúdio, num palco ou diante de uma gravadora poderosa. Às vezes, ela começa em algo banal, quase doméstico. No caso dos Secos & Molhados, um dos grupos mais revolucionários da música brasileira, tudo começou com uma partida de pingue-pongue em um prédio residencial de São Paulo, no fim dos anos 1960.
Foi ali que Gerson Conrad conheceu João Ricardo, encontro que mudaria não apenas a vida dos dois, mas também o curso do rock nacional nos anos seguintes. Segundo o próprio Conrad, em entrevista ao Corredor 5, os dois se encontraram "jogando pingue-pongue no prédio em que eu morava, que era um dos poucos da época com quadra poliesportiva". O local havia se tornado um ponto de encontro da juventude, um espaço informal onde esporte, convivência e ideias se misturavam.
Secos e Molhados - Mais Novidades

A partida não terminou bem para Conrad. "Eu perdi dele três partidas seguidas", relembra, admitindo que ficou irritado, ainda mais por ser tenista. Mas foi justamente depois da derrota que veio a vitória real: a conversa. "A gente sentou e começou a conversar, e o papo direto foi essa identificação com Beatles e com música." Ali, sem que eles soubessem, o Secos & Molhados começava a ser idealizado.
João Ricardo já falava em montar um grupo autoral, algo ainda raro no Brasil daquele período. Conrad recorda que, apesar da enorme criatividade do parceiro, ele não tinha formação técnica sólida. "Ele era um músico medíocre enquanto conhecimento musical", disse, sem rodeios. Isso, longe de afastá-lo, teve o efeito contrário. "Eu pensei: 'Pera aí, se ele consegue, eu também consigo'." Dessa troca nasceu a decisão de criar algo próprio, fora dos padrões.
Como foi o começo do Secos & Molhados
.Essa gênese informal ajuda a explicar por que o Secos & Molhados soou tão diferente quando finalmente estreou em disco, em 1973. Em plena ditadura militar, o grupo apresentou uma mistura improvável de rock, MPB, folk, baião e psicodelia, amparada por poesia e provocação estética. A banda não apenas dialogava com influências internacionais como The Beatles e Bob Dylan, mas também absorvia referências brasileiras e ibéricas, criando algo inédito no país.
O impacto foi imediato. O álbum de estreia, Secos & Molhados, chocou o público com sua capa perturbadora, letras poéticas e performances marcadas pela presença magnética de Ney Matogrosso, cuja voz e androginia redefiniram os limites do pop brasileiro. Como apontam críticos, aquele disco abriu caminho para uma psicodelia genuinamente nacional, que só chegaria com força ao Brasil nos anos 1970, muito depois de seu auge nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Confira a entrevista completa abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O guitarrista que Hetfield disse ter sido uma bênção conhecer: "nos inspiramos um ao outro"
Com quase 200 atrações, festival Louder Than Life confirma lineup para 2026
A banda que o Metallica disse nunca mais querer levar para a estrada de novo
Iron Maiden anuncia o documentário "Burning Ambition", celebrando seus 50 anos
Confira os preços dos ingressos para shows do Rush no Brasil
As 5 músicas do Guns N' Roses que melhor mostram o alcance vocal de Axl Rose
Iron Maiden - A melhor música de "Brave New World", segundo o Heavy Consequence
Angra fará show especial em São Paulo no dia 29 de abril; Rebirth será tocado na íntegra
50 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil agora em março
O álbum que define o heavy metal, na opinião do vocalista do Opeth
As músicas que ajudaram a implodir o Guns N' Roses por dentro, segundo Slash
Pacote VIP para show do Rush custa mais de 14 mil reais
O guitarrista que Eddie Van Halen sempre quis soar igual; "Ele é um verdadeiro artista"
A cena que caratecas gaúchos viram que os fizeram querer bater muito em Sebastian Bach
Como Regis Tadeu ganharia o respeito de Bruce Dickinson em entrevista, segundo o próprio



O baixista argentino dos anos 1960 que tinha preconceito com o rock brasileiro anos 1980
A partida de pingue-pongue que definiu os rumos do rock nacional nos anos 1970
A sumidade do rock nacional que expulsou Lobão de seu álbum solo
Como trajetórias de Raul Seixas e Secos & Molhados se cruzaram brevemente
Como Gerson Conrad compôs "Rosa de Hiroshima" do Secos & Molhados, segundo o próprio
A banda casca-grossa que fez um coronel da ditadura baixar a guarda e voltar atrás


