Accept : Um álbum para ser ouvido com o punho pro alto
Resenha - Accept - Stalingrad
Por André Prado
Postado em 15 de julho de 2012
Depois de em 1996 ter gravado seu último álbum com o Accept, o baixinho Udo Dirkschineider deixa a banda oficialmente em 2005 depois de diversos desentendimentos ao longo da sua história com o Accept. No mesmo ano a banda encerra suas atividades.
Mas eis que chega o ano de 2010 e o Accept volta com Mark Tornillo nos vocais com a difícil missão de igualar/superar seu antecessor histórico. E não é que ele conseguiu? No mesmo ano o Accept dá ínicio a uma fase espetacular com "Blood of The Nations".
Direto e sem frescuras e dono do mais potente heavy metal, o álbum foi aclamado pela crítica. Agora dois anos depois com "Stalingrad", a banda conseguiria se superar? Essa era a grande pergunta depois que foi anunciado a gravação do álbum.
Para mim escutar um álbum de puro heavy metal é uma tarefa que digamos... é complicada. Não porque não seja fã do estilo e o sangue do vento preto não corra em minhas veias, mas a parte em que me torno um "traidor do movimento" para alguns - além de falar mal do Iron Maiden -, é que o heavy metal precisa ser "lapidado" para empolgar. Não basta ter bons riffs e um vocal agudo como a tradição manda, às vezes nem é necessário ser épico; um outro bom exemplo é o thrash metal.
Ser old-school não significa necessariamente ser empolgante e nem é sinônimo de trueza para ser franco, o fato de ter uma pegada moderna sem perder as raízes é o que realmente chama a atenção. Trinta bandas iguais vemos por aí de monte, mas aquelas que nos fazem dar repeat no aparelho de som são poucas hoje, e esse é o caso do Accept e seu "Stalingrad".
Como o próprio nome sugere, "Stalingrad" fala sobre a histórica e famosa Batalha de Stalingrado. Para quem não manja de história ou nem viu nenhum documentário do tipo no History Channel, essa foi uma operação militar conduzida pelos alemães e seus aliados contra as forças russas pela posse da cidade de Stalingrado na antiga URSS, entre 1942 e 1943 durante a Segunda Guerra. A batalha foi o ponto de virada na guerra, marcando o limite da expansão alemã no território soviético e é considerada a maior e mais sangrenta batalha de toda a História, causando morte e ferimentos em cerca de 2 milhões de soldados e civis.
Esse tema ajuda as letras e o próprio instrumental a ter uma pegada mais épica ao contrário de "Blood Of The Nations" que tinha uma veia mais crua. Fato que faz "Stalingrad" não superar seu antecessor, mas sim dignifica-lo com uma obra única e com a marca do Accept.
Sim, a banda não é a mesma de clássicos como "Balls To The Wall", mas aqui estão presentes todos os ingredientes do bom e velho heavy metal de jaquetas pretas e munhequeiras de tachinhas. Tantos anos se passaram e a banda soube atualizar seu som sem nunca parecer datado ou sem originalidade. É só escutar a abertura com "Hung, Drawn and Quartered" ou "Hellfire" para saber que aqui se estabelecem clássicos, mais uma vez. Guitarras passando pelos anos 80 e 90, pelo hard e heavy com facilidade... é uma nostalgia sem fim.
Mixado pelo competentíssimo Andy Sneap, as guitarras gêmeas de Wolf Hoffmann e Herman Frank são dignas de nota 15. É soltar um "hell yeah" e bater muito a cabeça com os solos e riffs que conduzem o álbum inteiro. Outra coisa é que falar bem de Mark Tornillo é chover no molhado, o cara aqui entrega uma atuação digna de aplausos, tanto em seus vocais agudos, gritados e nos mais graves. Álbum para ser ouvido de cabo a rabo e com o punho pro alto!
Para uma banda que teve uma volta tão por cima, se superar no álbum seguinte seria uma missão complicadíssima, então para que mudar? Sem reinventar a roda mas entregando uma atuação de originalidade e sangue nos olhos, o Accept mostra porque é a melhor banda de heavy metal da atualidade.
Ontem se o Accept tinha que superar a perda de Udo, hoje é o Udo que tem que superar a perda do Accept.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O lendário álbum dos anos 1970 que envelheceu mal, segundo Regis Tadeu
Bruce Dickinson sobe ao palco com o Smith/Kotzen em Londres
A música mais ouvida de cada álbum do Megadeth no Spotify
As 11 melhores bandas de metalcore progressivo de todos os tempos, segundo a Loudwire
O grande erro que Roadie Crew e Rock Brigade cometeram, segundo Regis Tadeu
A maior canção de amor já escrita em todos os tempos, segundo Noel Gallagher
Churrasco do Angra reúne Edu Falaschi, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Fabio Lione e mais
Max Cavalera celebra 30 anos de "Roots" com dedicatória especial a Gloria Cavalera
Por que a voz de Bruce Dickinson irrita o jornalista Sérgio Martins, segundo ele mesmo
Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
Ex-Engenheiros do Hawaii, Augusto Licks retoma clássicos da fase áurea em nova turnê
10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
Slash aponta as músicas que fizeram o Guns N' Roses "rachar" em sua fase áurea
Paul Rodgers fala sobre rumores de seu estado de saúde atual
As melhores músicas de todos os tempos, segundo Dave Gahan do Depeche Mode



Accept anuncia primeiras datas da turnê celebrando 50 anos de carreira
Angra, Helloween e Arch Enemy puxaram a fila: 5 bandas que ganhariam com retornos
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal


