Skid Row: A banda que chutou a porta dos anos noventa
Resenha - Slave To The Grind - Skid Row
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 06 de julho de 2012
Nota: 10 ![]()
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Qual foi a grande marca do metal dos anos 80, em termos de imagem? Não adianta nem discutir: só de se pensar a respeito, já vem à mente aquelas terríveis capas e editoriais de POISON, NITRO, RATT e outras figuras. O problema nem era o som: em geral todas tinham ótimos instrumentistas (até KERRY KING já confirmou isso). Mas convenhamos - aquele figurino andrógino era de lascar.
Em meio a todo esse batom e pó-de-arroz, surgiu o SKID ROW, tendo a frente uma figura não menos dúbia em termos físicos: SEBASTIAN BACH. Entretanto, uma coisa tem de ser dita: o SKID ROW tinha muito mais a dizer em termos sonoros do que vinte bandas dessa época juntas. Graças a um instrumental virtuoso, um baita vocal, e composições de primeiríssima linha, a banda de New Jersey chegou chutando a porta dos anos noventa, com uma pegada que misturava o metal contemporâneo com uma atitude digna do rock n´roll - baderna e testosterona.
Após a estréia em 1989 com o álbum homônimo, dois anos depois saiu seu sucessor, "Slave to The Grind". Produzido pelo guitarrista DAVE SABO e MICHAEL WAGENER (não, não é Wagner), o disco mostra uma faceta bem mais madura da banda, registrando um número maior de referências e dando vários passos a frente em termos de composição. Na real, antes de ser uma continuidade do primeiro álbum, o disco representa o redirecionamento da banda - menos hard grudento e mais metal- mostrando fortes influências do JUDAS (do começo dos anos 90) e do PANTERA (vide a monstruosa faixa título).
"Monkey Bussines", repleta de nuances e dinâmicas bacanas abre o álbum, com vocal doentio (no bom sentido) de BACH. Em "The Threat" fica notório o tremendo trabalho de guitarras da dupla SABO e SCOTT HILL, na melhor linha do metal dos anos 80.
No setor baladas, sem decepções: "Quicksand Jesus", com uma bela introdução acústica, é extremamente bem trabalhada e distante dos insuportáveis clichês do gênero. Na mesma linha, "Wasted Time", não faz feio, mostrando uma composição bem mais madura do que os tempos de "I Remember You". Já "In a Darkened Room", apesar do solo inspiradíssimo, não mostra grande novidade - mas também não compromete.
Um detalhe interessante da banda é seu grande mix de influências – a banda já gravou covers de "Little Wing" à "C´mon And Love Me". Claro, que isso se reflete nas composições: "Get The Fuck Out" (que em algumas edições foi censurada e substituída por "Beggar´s Day") é uma puta faixa descompromissada no melhor estilo do KISS da fase "Lick It Up" - se não tanto pelo som em si, mas pela espontaneidade total do registro. "Living On A Chain Gang" mostra uma invocação do MOTLEY CRUE, recheado de guitarras de primeira e de backings "padrão Sunset Strip". Agora, escute a introdução de "Riot Act" e me diga se eles ouviram RAMONES até queimar a orelha ou não.
Olha, se você não gosta daquele tipinho poser que a banda fazia em fotos, da cara de debutante de BACH, não se preocupe: a pegada deles, sobretudo nesse disco, vai te fazer esquecer toda essa merda, abrir uma cerveja e curtir o som.
Track list:
• "Monkey Business"
• "Slave to the Grind"
• "The Threat"
• "Quicksand Jesus"
• "Psycho Love"
• "Get the Fuck Out"
• "Livin' on a Chain Gang"
• "Creepshow"
• "In a Darkened Room"
• "Riot Act"
• "Mudkicker"
• "Wasted Time"
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