Unisonic: Tarefa complicada, a de administrar expectativas
Resenha - Unisonic - Unisonic
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 29 de maio de 2012
Nota: 9 ![]()
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É sempre uma tarefa complicada, esta de administrar expectativas – ainda mais aquelas vindas destas criaturas que atendem pelo nome de "fãs". Porque, vamos ser bem sinceros: bastou o nome "Kai Hansen" ser colocado na mesma formação de banda que o nome "Michael Kiske" para que, automaticamente, se esperasse que o resultado musical do álbum de estreia do Unisonic, auto-intitulado, fosse um power metal tipicamente germânico, uma espécie de continuação não-oficial de "Keeper of the Seven Keys". Mas é claro que isso não aconteceu.
E quando digo "é claro", digo isso já sabendo que o Unisonic surgiu como uma nova parceria entre Kiske e Dennis Ward, baixista do Pink Cream 69 com o qual o vocalista trabalhou nos dois ótimos discos do Place Vendome. Então, vejamos: se, em seu DNA, o Unisonic nasceu das entranhas do sucesso do Place Vendome, na minha cabeça faz mais sentido que ele esteja muito mais próximo do Place Vendome do que do antigo Helloween, certo? Por mais que Kai Hansen esteja envolvido, certo? Então. Foi justamente isso que aconteceu. "Unisonic", o disco, é hard rock puro, com refrões deliciosos para cantar junto. Exatamente como aconteceu com o Place Vendome.
A presença de Hansen, no entanto, passa longe do papel de um "coadjuvante de luxo". Compositor habilidoso, ele saiu da zona de conforto e se envolveu diretamente na construção da maior parte das canções do disco, tomando a responsabilidade para si. E, vejam só, ele conseguiu se dissociar completamente daquele linha de trabalho na qual é possível vê-lo freqüentemente como líder do Gamma Ray. Em faixas como "Never Change Me" e "King for a Day", por exemplo, Hansen embute e emite uma vibração completamente anos 80 em riffs ganchudos e melódicos, diferentes da porradaria em altíssima velocidade que anuncia a faixa-título, abrindo o álbum em velocidade total.
Aliás, funciona muito bem a parceria sonora entre ele e o competente Mandy Meyer, segundo guitarrista do grupo e que tem passagens destacadas pelos grupos suíços Krokus e Gotthard. As guitarras dos dois conversam que é uma beleza.
Quanto ao desempenho de Kiske, nem tem muito o que discutir ou argumentar – o cara soube cuidar muito bem da voz ao longo dos anos e aqui, totalmente à vontade, consegue caminhar com desenvoltura pelos mais diferentes tipos de canções. Obviamente que o cara arrebenta nos agudos e nas notas altas como em "Souls Alive", mas também faz bonito numa passagem cadenciada e quase setentista, como na viajandona "Star Rider" (trilha sonora ideal para uma boa viagem estradeira de carro). E, para quem andou prestando atenção no que ele andou fazendo em seus mais recentes álbuns-solo, não seria novidade alguma vê-lo cantando de maneira sutil, suave e delicada, quase acústico, na balada que encerra o disco, a gostosa "No One Ever Sees Me" – não por acaso, a única composta exclusivamente pelo próprio Kiske.
Ah, sim, você é uma daqueles sujeitos que têm problemas com baladas, não é mesmo? Pois ponha na sua cabeça o seguinte: todo bom disco de hard rock tem que ter pelo menos uma boa balada. É aquele tipo de regra não-escrita, sabe? E "Unisonic" é um ótimo disco de hard rock – então, meu bom rapaz, ele precisaria ter uma ótima balada também, por mais dor-de-cotovelo que a bendita seja.
Se há alguma base na qual se possa traçar um paralelo entre Unisonic e Helloween, talvez seja na seguinte: "Unisonic" é empolgante, divertido, positivo, totalmente para cima, daquele jeitão que Michael Kiske sempre prometeu que faria caso voltasse a entrar de cabeça no universo do rock pesado. O resultado é que o Unisonic acabou resgatando um espírito do tipo "Happy Happy Helloween", com o qual os fãs mais antigos se acostumaram e do qual o Helloween atual se distancia cada vez mais. Estudando na mesma escola que o parceiro Tobias Sammet, ao lado do qual trabalhou no Avantasia, Kiske sabe que o heavy metal não é feito apenas de bandas furiosas, de vocalistas berrando ódio e angústia ao som de uma guitarra rasgada. O heavy metal também tem espaço para sorrisos, simples assim. E sorrisos são uma coisa que o Unisonic sabe muito bem evocar. Que esta vocação continue em alta para os próximos trabalhos – e que os próximos trabalhos, venham, obviamente, porque a gente merece.
Line-up
Michael Kiske – Vocais
Kai Hansen – Guitarras
Mandy Meyer – Guitarras
Dennis Ward – Baixo
Kostas Zafiriou – Bateria
Tracklist
1. Unisonic
2. Souls Alive
3. Never Too Late
4. I’ve Tried
5. Star Rider
6. Never Change Me
7. Renegade
8. My Sanctuary
9. King for a Day
10. We Rise
11. No One Ever Sees Me
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