Slash: Subestimado, ele não se importa em surpreender

Resenha - Apocalyptic Love - Slash

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Por Igor Miranda, Fonte: Van do Halen
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Nota: 8

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Sempre subestimado, Slash nunca se importa em surpreender cada vez mais. O icônico guitarrista continua na ativa e demonstra uma grande evolução enquanto músico e compositor em “Apocalyptic Love”, disco que considero ser o seu primeiro solo – o anterior, homônimo, apesar de excelente, soa um pouco como uma colcha de retalhos. Para construir este novo disco, Slash contou com o grande vocalista e também compositor Myles Kennedy (Alter Bridge) e o The Conspirators, banda de apoio formada pela competente cozinha de Todd Kerns (baixo) e Brent Fitz (bateria). Finalmente, o guitarrista da cartola produziu um disco homogêneo, algo que não ocorria, ao meu ver, desde o primeiro do Slash’s Snakepit, de 1995.
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A abertura com a faixa-título é simples, direta e convincente. Resume muito bem o objetivo do disco, bem como a sua sonoridade. Slash e sua trupe querem fazer Rock n’ Roll e ponto. Seu refrão é o destaque, por ser grudento e poderoso. One Last Thrill segue a mil por hora, com bons riffs e performance avassalada de Slash enquanto solista. O espírito Hard Rocker (não o farofa) é resgatado com êxito nessa canção. Standing In The Sun copia tragicamente o riff de Immigrant Song, do Led Zeppelin, mas o resto da música compensa. Um dos melhores solos do cartola no disco.

O single You’re A Lie dá sequência. Já conhecida de todas, a música mantém bem a simplicidade das anteriores. No More Heroes é uma das melhores do disco, seus arranjos melódicos e agradáveis se aliam a uma grande performance de Myles Kennedy e geram uma baita música, sem ser “baladesca” demais. Halo, em seguida, também está entre as melhores. A canção, bastante visceral, consegue ser criativa e tem mais uma execução aplausível do vocalista do Alter Bridge. We Will Roam possui um andamento mais cadenciado, botando o pé no freio com bons arranjos e um grande solo de Slash.

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Anastasia é uma das mais diferentes do disco. Sua introdução no violão é seguida por um solo de Slash que presta tributo a Johann Sebastian Bach ao tocar um trecho de Toccata And Fugue In D Minor, em escala diminuta, o que lembra guitarristas neoclássicos. A música inteira segue com esse clima aplicado pela escala diminuta, que é um pouco emblemático e adstringente no primeiro momento, porém se torna cativante quando a audição se acostuma. A balada Not For Me não me soa muito inspirada, assim como a próxima Bad Rain, que é apenas um Rockzinho legal. Hard & Fast retoma a inspiração e segue como seu título sugere. Esta faixa remete muito às pauladas do “Use Your Illusion”, do Guns N’ Roses, e poderia estar no início do play.

A outra balada Far And Away se assemelha muito com Not For Me, ou seja, pouco inspirada. Só tem uma boa performance de Myles. Shots Fired, faixa de encerramento na versão normal, é mais um filler e isso preocupa. Apenas tem um refrão de destaque e um instrumental com alguns bons momentos. Mas as duas faixas de encerramento da versão deluxe, Carolina e Crazy Life, não deixam “Apocalyptic Love” acabar com um sentimento ruim. Carolina tem um talkbox cativante e um clima bem Hard Rock. Crazy Life é guiada por bons riffs de guitarra, uma execução elegante de todo o instrumental e mais um refrão impecavelmente grudento, reforçado muito bem pelas vozes de apoio. Uma pena que não estejam na versão comum do lançamento.

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“Apocalyptic Love” tem seus defeitos, principalmente por seus fillers. Isso me decepcionou um pouco, pois nem o anterior auto-intitulado, repleto de participações e pouco homogêneo, não contou com nenhum filler ao meu ver. Mas esse é o preço a se pagar quando se opta por lançar um disco longo, com mais de 11 faixas.

No mais, trata-se do primeiro disco da nova empreitada, então, se tivermos um pouco de paciência, bons frutos podem render no futuro. Para isso, espero que a banda Slash, Myles Kennedy & The Conspirators tenha vida longa. “Apocalyptic Love” mostra que o projeto promete muita coisa boa se continuar existindo. Além do mais, Slash parece ter encontrado sua própria paz com uma banda estável, diferente do Guns N’ Roses, do Slash’s Snakepit e do Velvet Revolver.

Myles Kennedy (vocal, guitarra rítmica)
Slash (guitarra solo)
Todd Kerns (baixo)
Brent Fitz (bateria)

01. Apocalyptic Love
02. One Last Thrill
03. Standing in the Sun
04. You’re a Lie
05. No More Heroes
06. Halo
07. We Will Roam
08. Anastasia
09. Not for Me
10. Bad Rain
11. Hard & Fast
12. Far and Away
13. Shots Fired
14. Carolina (Deluxe Edition bonus track)
15. Crazy Life (Deluxe Edition bonus track)

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apaixonado por rock há mais de uma década. Começou a escrever sobre música em 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Atualmente, é redator-chefe da área editorial do site Cifras e mantém um site próprio (www.IgorMiranda.com.br). Também co-fundou o site Van do Halen, para o qual trabalhou até 2013 – apesar de ainda manter por lá uma coluna semanal, chamada Cabeçote.

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