Queen: Injustiça, até a banda detestava o primeiro álbum
Resenha - Queen I - Queen
Por Adriano Luiz da Fonseca
Postado em 26 de fevereiro de 2012
Nota: 10 ![]()
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A maioria das bandas quando alcança o mainstream costuma renegar seus primeiros trabalhos, seja pela inexperiência dos músicos em estúdio, pouco dinheiro disponível para a gravação do álbum ou até mesmo o "baixo nível das composições". E com o Queen não foi diferente. Seu debut homônimo foi sempre ignorado até pelos fãs, uma vez que somente a faixa de abertura era tocada ao vivo. A própria banda afirmou certa vez que detestava o dito álbum. O que é uma tremenda injustiça...
Gravado e mixado em novembro de 1972 no Trident Studios e De Lane Lea Music Centre, Londres com a produção de Roy Thomas Baker e lançado em Julho de 1973, o álbum foi fortemente influenciado pelo hard rock, folk e até pelo heavy metal que já dava as caras naquele começo de década.
Vamos aos tracks:
1 – Keep Yourself Alive (May): As palhetadas iniciais já mostravam o que estava por vir. Um rock energético, uma vocalização bem encaixada – tipo pergunta e resposta, um refrão grudento, e uma palhinha de bateria de Taylor marcam a abertura do álbum. Esta faixa seria tocada ao vivo por toda a carreira da banda.
2 - Doing All Right (May, Tim Staffell): A típica canção que alterna entre a balada e a pauleira – algo como One do Metallica, se é que vocês me entendem... No Queen at the Beeb, Taylor com seu vozeirão a La Rod Stewart, cantava a segunda estrofe, emocionante...
3 - Great King Rat (Mercury) – Bem, chegamos onde eu queria. Afinal de contas, essa música é uma das maiores pauleiras que já ouvi. Exageros a parte, os riffs ganchudos e os abusos de Wah-Wahs do Dr. May, a bateria tribal do Sr. Taylor , o baixo galopante do Mestre Deacon e as mudanças de tempo aliados aos vocais vociferados de Mercury fazem desta um deleite pra qualquer aficionado por Heavy Metal. Não entendo como nenhuma banda "coverizou" esta música.
4 - My Fairy King (Mercury) – Vocais e coros agudos, som aveludado e instrumental refinado... Essa é o protótipo do tipo de música o qual a banda se especializaria nos próximos anos.
5 – Liar (Mercury) – Outra pauleira que tinha Lover como título original. Nos primeiros concertos da banda, essa música foi considerada uma das mais impressionantes performances, muitas vezes chegando a oito minutos de duração. Com o tempo, porém, ela foi retirada do setlist retornando na turnê do álbum The Works nos anos oitenta. Só para constar , ao vivo era uma das únicas canções que contava com Deacon nos vocais de apoio.
6 - The Night Comes Down (May) – Agora sim, a primeira "balada inteiramente balada" do grupo. Se bobear, dá até pra dançar de rostinho colado.
7 - Modern Times Rock 'n' Roll (Taylor) – Nesse debut, Taylor deu as caras cantando um Rock and Roll rápido, rasteiro e pesado.
8 - Son and Daughter (May) - Pesadíssima … O Queen encontra o Black Sabbath nessa canção que nos primórdios tinha lugar cativo no setlist da banda. Stoner / Doom de primeira.
9 – Jesus (Mercury) – Não tenho notícia de que alguma outra banda tenha composto uma canção em homenagem ao rabino Yeshua Ben Yosef. Apesar disso, o Queen nunca se enveredou por canções religiosas. Mas a letra é bacana - "Todos venham à cidade para ver o Senhor Jesus".
10 - Seven Seas of Rhye (Mercury) – Essa curta instrumental seria "alongada" e cantada no próximo álbum. Essa música era inclusive a vinheta de um programa de TV nos anos 70.
Enfim, se você não muito fã do grupo, com certeza se surpreenderá com esse álbum, pois ele possui todos os ingredientes dos álbuns clássicos da época – peso, melodia, instrumental etc. Agora, se você é fã do Queen e não tem esse álbum, eu pergunto, você é mesmo fã??
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