Maestrick: Prog/Power Metal com ritmos regionais e Jazz
Resenha - Unpuzzle! - Maestrick
Por Marcos Garcia
Postado em 10 de janeiro de 2012
Nota: 10 ![]()
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Fazer o bom e velho Prog Metal no Brasil nunca foi tarefa lá muito fácil, já que o que existem de dificuldades são enormes, especialmente no tocante a estruturas necessárias para execução/gravação, e uma resistência ao estilo em nosso país ainda forte, por conta do radicalismo e/ou falta de valorização por grande parte do público de Metal, originado em valores ou ditames ad hoc seguidos à risca e sem questionamentos, o que é uma pena para estes, que perdem a oportunidade ímpar de curtir excelentes trabalhos de bandas daqui. E mais um para engrossar as fileiras das ótimas bandas nacionais é, sem sombra de dúvidas, o MAESTRICK, que nos dá o prazer de seu trabalho maravilhoso com seu Full Length ‘Unpuzzle!’, recém-saído pela Die Hard Records.
Oriundos de São José do Rio Preto, SP, os rapazes fazem um Prog/Power Metal com vários inserts de ritmos regionais brasileiros e latinos, MPB, Clássico/Barroco, Jazz, alguns elementos mais agressivos, em uma música muito bem trabalhada, concisa e melodiosa, mas com peso na medida certa, e o mais importante: única e cheia de méritos.
A arte do CD é primorosa em cada detalhe, com letras presentes (exceto da música ‘H.U.C’, que está no primeiro Single da banda), fotos individuais de cada componente (que representam um personagem de teatro), e uma do grupo que vai de encontro ao conceito abordado pela banda, bem como cada uma das letras é disponibilizada no encarte em forma de uma bela aquarela. Realmente, a concepção da banda foi atingida por Ricardo Chucky e Netto Cruanes.
A produção sonora foi bem ousada, porque o trabalho foi gravado no estúdio AR-15, sob a tutela de Gustavo Carmo (que já trouxe à vida trabalhos de bandas como VERSOVER, HAMLET, IMAGO MORTIS, que também tocou violas e algumas guitarras no CD) e mixado no AK-47 Studio, em Seattle, e o resultado se vê em uma gravação cristalina, que faz com que cada detalhe do CD seja ouvido claramente, sem embolarem-se ou se sobreporem uns aos outros, e vejam que esse trabalho não é lá muito simples.
Musicalmente, vemos que este quinteto domina muito bem seus instrumentos e sabe o que faz, pois cada canção tem uma personalidade própria, mas o conjunto da obra de forma alguma sai prejudicado, muito pelo contrário. Vocais bem trabalhados, ora melodiosos, ora com mais garra, mas sempre com fortes doses de emoção, guitarras técnicas e pesadas, bem sacadas sejam nos riffs ou solos, baixo sempre presente, com muita técnica e bom gosto, e bateria extremamente competente e variada, mas nunca deixando o peso ficar de fora.
Não é lá uma tarefa muito fácil destacar essa ou aquela faixa em um trabalho tão bom e de nível tão elevado, mas é impossível não dar louvores e honra ao mérito à ‘H.U.C.’, faixa de seu Single, que é uma amostra de variações entre Prog etéreo, vocais guturais, muitas variações de andamento e teclados bem sacados, bem como corais operísticos bem postados; ‘Aquarela’ é outro ponto forte, que apesar do nome, é cantada em inglês, em uma canção mezzo melodiosa e emotiva, mezzo pesadíssima, com maestria nas vocalizações e nas guitarras que emocionam o ouvinte, tal qual ocorre em ‘Pescador’, cantada em português e começa com jeitão de música folclórica brasileira/MPB de muito bom gosto, mas que logo ganha um jeitão de Baião, e acreditem-me: mantém peso e originalidade.
‘Puzzler’ é uma faixa com aquele jeitão de Jazz/Blues americano dos anos 30, bem executada e forte, apesar de sua curta duração; a magnífica ‘Treasures of the World’, que é uma linda semi-balada, bem melodiosa, onde os vocais são capazes de levar os ouvintes às lágrimas, tamanha a carga emotiva que estão neles; ‘Radio Active’ é outra, com a cozinha rítmica repleta de groove funkeado (NÃO CONFUNDIR COM ‘AQUILO’ QUE ANDAM OUVINDO NO RJ, POR FAVOR!!!!!), e que guitarras bem tocadas; ‘SmileSnif’, grandiosa e com arranjos complexos executados com muita competência; ‘Yellow of the Ebrium’, esta extremamente Blues, daqueles que só se ouve nas mãos dos músicos do Mississipy, inclusive com uma participação na belíssima voz de Yana Roberta, e que logo vira um Samba de muitíssimo bom gosto, cantado em português (em referência às figuras presentes na cultura de nosso Carnaval, há muito esquecida), e logo retorna ao que era no início; e a longa e multivariada ‘Lake of Emotions’, dividida em oito belíssimas partes, conceitual, e que não cansa os ouvidos, com belo momentos mais Progressivos, outros mais Metalzão mesmo, com belos teclados evidentes e que conduzem a música, e guitarras bem firmes nas bases, e com a ‘defesa’ baixo-bateria sem deixar buracos, fora os coros aqui e ali, belas vocalizações femininas.
Uma pena que o CD chegou à minhas mãos nos últimos dias de dezembro, porque senão, teria entrado em minha lista de ‘Os melhores de 2011’ com toda certeza, logo, entra na ‘Os melhores de 2012’ com honra ao mérito, pois seus 72:53 minutos de duração passam como se fossem meros segundos, a ponto do ouvinte certamente colocar seu aparelho de CD para tocar infinitas vezes, até ele enjoar, ou o mais fácil, ter que comprar outro aparelho.
Um CD extremamente recomendado para que não dá bola para rótulos chatos ou nacionalidades, mas para fãs de boa música pesada e de bom gosto, bem como ficam os parabéns aos músicos, produtores e à Die Hard Records, por nunca desistirem e trazerem aos nossos ouvidos música de primeira classe.
E não vou mentir: a emoção de ouvir um CD assim foi tão forte que levou-me às lágrimas...
Tracklist:
01. H.U.C.
02. Aquarela
03. Pescador
04. Sir Kus
05. Puzzler
06. Disturbia
07. Treasures of the World
08. Radio Active
09. SmileSnif
10. Yellow of the Ebrium
11. Lake of Emotions
Formação:
Fabio Caldeira – Vocais, piano e teclados
Renato ‘Montanha’ Somera – Baixo, baixo fretless e vocais guturais
Heitor Matos – Bateria e percussão
Danilo Augusto – Guitarras
Maurício Figueiredo – Guitarras e backing vocals
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