Maestrick: "Unpuzzle" é uma obra-prima do metal nacional
Resenha - Unpuzzle! - Maestrick
Por Júlio Verdi
Fonte: readytorockroll.blogspot.com
Postado em 12 de janeiro de 2012
Riqueza Musical. Essa é a melhor definição para "Unpuzzle", o álbum de estréia dessa jovem mas excepcional banda Maestrick. A riqueza reside em cada detalhe do disco, a começar pelo primoroso trabalho gráfico. Um slipcase com uma moldura de frente, que permite o encarte se transformar em duas capas. E o encarte é carregado de caprichos artísticos entre as letras, cujo poster central mostra a banda como num quadro surrealista. Mas a grande arte na verdade se encontra dentro do disquinho prateado. Uma variedade musical, disposta em onze faixas, totalmente distintas umas das outras, muito bem compostas e produzidas.
A banda, original de São José do Rio Preto/SP, foi formada em 2004, e os músicos que atuam no álbum, lançado pela Die Hard Records, são Fábio Caldeira (vocal/teclado), Renato Montanha (baixo), Heitor Matos (bateria), Danilo Augusto e Maurício Figueiredo (guitarras).
Como funciona "Unpluzzle" junto a nossos ouvidos? As duas primeiras faixas, "H.U.C." e "Aquarela" constavam no EP que a banda lançou ano passado.
A primeira com seus riffs pesados e nuances de teclado, bem ao tempero do prog metal mesmo. Já a segunda, que considero o grande hit da banda, com grandes backings, navegando agradavemente pelas pelas águas do hard rock. Grande e grudento refrão e muitos solos fazem dela minha favorita do disco.
A adversidade continua no álbum. A próxima faixa, "Pescador", é uma prova irrefutável da maturidade da banda, que corajosamente, muda totalmente o clima com uma faixa em português, muito boa, que se introduz com um clima MPB, com incursões rítimicas que flertam com a brasilidade (algo próximo do que o Angra fez e muito bem).
"Sir Kuz" traz incursões eruditas, com mudanças harmônicas, o que nos remete a uma instituição musical que também primava pela variedade em seus discos, o Queen. A banda de May e Mercury é com certeza uma grande influência para os músicos do Maestrick. Visto que muitas faixas também abusam de uma forma bem feliz de coros vocais.
"Puzzler" brinca um pouco com o jazz em seus 2 minutos de duração, enquanto "Disturbia" tem rifferama pesada e cadenciada, onde os vocais se arriscam em momentos mais agressivos.
A próxima faixa, "Theasures of the World" traz momentos de calmaria, levadas pelo teclado, onde coros femininos temperam a música no que a banda chama de Mantra Choir.
"Radio Active" chega levada pelo baixo, e a quebrada nos andamentos, que por horas nos remete aos fraseados funkeados que por exemplo, o Glen Hughes adora fazer.
"Smilesnif" tem algo de Rush e as levadas de teclado e guitarra, remetem a precursores do metal progressivo, como Queensryche e Fates Warning, em sua sonoridade anos 80.
"Yellown of the Ebrium" começa calcada num espírito blues, com uma aura nostálgica, onde o vocal (aqui com Fabio dividindo os vocais principais com Yara Roberta), incorpora mesmo a aura boêmia e melancólica da letra, e lá pela frente você vai se deparar com um trecho em português emoldurado por uma levada samba/bossa nova.
E o desfecho do disco vem com todo explendor, com Lake of Emotions, uma peça de 21 minutos, dividida nove suítes, onde a banda chamou de níveis. Variações vocais, instrumentais intrincados e mudanças harmônicas constantes, num mesmo conceito lírico, trancando o trabalho com chave de ouro.
A banda toda soa afiada em Unpuzzle. Percebe-se ser fruto de muito estudo, dedicação e ensaio. Excepcional trabalho de bateria, guitarras inspiradas e baixo seguro, que junto com o caprichado trabalho vocal, fazem-se elementos que se complementam em prol da música.
Não é um trabalho fácil categorizar a banda num estilo. E acho que ninguém o fará com precisão. É música agradável, com a bandeira do heavy metal a frente, e um batalhão de influências e tendências por traz.
É aquele tipo de disco onde descobrimos coisas novas a cada nova audição. A banda não usou da variação como forma forçada de se provar a perícia e técnica apuradas, mas em prol da beleza artística da música.
Não devo dizer que o Maestrick é uma promessa, pois já é uma realidade. Um debut tão bem produzido e musicalmente surpreendente, com esse nível de maturidade, não se vê todo dia.
Deve, se já não estiver, cair nas graças imediatas do underground brasileiro, e tenho certeza de que os amantes de rock e metal do mundo inteiro vão consumir com prazer tal trabalho, se tiver acesso a ele.
Enfim, Unpuzzle é um disco apoteótico, grandioso e inspirador. Uma das maiores obras que o metal progressivo brasileiro já concebeu.
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