Ozzy Osbourne: Uma coletânea que vale cada centavo pago

Resenha - Ozzman Cometh - Ozzy Osbourne

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Por Tiago Neves, Fonte: The Seventh Wall
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


A coletânea The Ozzman Cometh, lançada originalmente em 1997, é constituida de material que vai desde versões demo de clássicos do BLACK SABBATH, banda na qual OZZY OSBOURNE iniciou sua trajetória musical, uma música ao vivo ("Paranoid", gravada com Randy Rhoads e lançada no álbum Tribute, de 1987), além de uma interessante faixa inédita composta e gravada em parceria com o guitarrista STEVE VAI. Trata-se de um apanhado bem interessante e que aborda grande parte da extensa discografia do Madman.
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A seleção já começa garantindo a alegria dos apreciadores da fase “sabática” de OZZY, com dois dos maiores clássicos da banda precursora do Heavy Metal - "Black Sabbath" (do álbum homônimo) e "War Pigs" (de "Paranoid"), ambos de 1970 - aqui em versões demo e com significativas alterações em relação à suas versões originais - a inclusão de mais uma estrofe na primeira, juntamente com a letra alternativa da segunda . Por si só, essas duas músicas já valeriam a aquisição deste disco. Detalhe é que a versão original (lançada em 1997 com tiragem limitada) ainda traz um disco bônus com mais duas músicas da época do Sabbath – “Fairies Wear Boots” e “Behind The Wall Of Sleep” – além de uma entrevista com OZZY em 1988.

O que segue a partir daí são os clássicos da carreira solo iniciada por OZZY ao ser demitido do SABBATH em 1979, no período compreendido entre o lançamento do debut “Blizzard Of Ozz” (1980) até 1995, com o não tão clássico “Ozzmosis”, album menor da carreira do velho madman. Músicas até hoje obrigatórias no repertório de seus shows, como “Crazy Train” e “Mr. Crowley”, que são clássicos indiscutíveis e que não poderiam faltar de forma alguma nesta compilação. “Over the Mountain”, do segundo album - “Diary Of a Madman” - é uma excelente música, porém poderia facilmente ter sido substituída por “Believer”, “Flying High Again” ou mesmo a excelente faixa título. A já citada “Paranoid”, nos mostra o quanto essa música ganhou em intensidade e técnica com Rhoads, injetando solos tão legais quanto os da versão original, com Toni Iommi na guitarra e lançada do álbum de mesmo nome, em 1970.

As excelentes “Bark at the Moon” e “Shot in the Dark”, trazem à tona o periodo em que Ozzy contava com o espetacular JAKE E. LEE nas seis cordas. Nada mais justo, pois são bem representativas desse período, que durou de 1983 a 1986.

A coletânea segue com clássicos que contam com o guitarrista que mais tempo permaneceu com OZZY, Mr. ZAKK WYLDE. Se a mediana “Crazy Babies”, representa o apenas razoável “No Rest for the Wicked”, de 1988, a música seguinte - “No More Tears” (versão editada, com cortes na introdução e parte orquestrada antes do solo), do multiplatinado disco homônimo de 1991 - nos relembra o quão fantástica era aquela formação, que contava também com o baterista Randy Castillo (falecido em 2002 em decorrência de um câncer) e com o ex-ALICE IN CHAINS Mike Inez. Sucessos é o que não faltam quando se trata desse período, sendo assim merecem destaque as também excepcionais “Mama I’m Coming Home” e “I Don’t Want To Change The World” – do ao vivo "Live & Loud" (1993), a qual rendeu um premio Grammy a OZZY na categoria de “melhor performance rock” na premiação do mesmo ano.

O mediano “Ozzmosis”, de 1995, conta com grandes músicas, porém foi tremendo erro a escolha de “I Just Want You” para representar esse álbum. Trata-se de uma boa canção, mas que poderia facilmente ter dado lugar à magnífica “Perry Mason”, muito mais representativa desse período sombrio na discografia de Ozzy. Mas a grande cereja do bolo vem ao final – a inédita “Back On Earth”, com STEVE VAI nas guitarras. A inusitada parceria, que já havia rendido algumas composições em “Ozzmosis”, mostra aqui a sua melhor música, além de um vídeo clipe bem legal.

Entretanto, duas coisas negativas cabem ser ressaltadas aqui. Na versão relançada em 2002, assim como nos relançamentos de estúdio de Blizzard Of Ozz e Diary of a Madman, a empresária e esposa de Ozzy, Sharon Osbourne, substituiu as linhas de baixo e bateria originais por regravações dos mesmos por Robert Trujillo e Mike Bordin, respectivamente. Um verdadeiro crime para com as versões originais gravadas por Bob Daisley e Lee Keerlake.

Outro aspecto bastante negativo nesse relançamento é a inexplicável substituição de “Shot In the Dark” por “Miracle Man”. Ainda que OZZY renegue até hoje seu passado hard rock, representado na figura do album “The Ultimate Sin” (1986), é imperdoável que a única canção do mesmo lembrada na coletânea original tenha sido substituída por outra tão mediana e de outro lançamento.

Trata-se de uma seleção de músicas bem interessante, pois apresenta material que agrada tanto aos fãs, quanto aos que pouco ou nada conhecem do trabalho de OZZY OSBOURNE. Uma coletânea que vale cada centavo pago em sua aquisição.

Tracklist:

01 - "Black Sabbath" - 9:25 (demo)
02 - "War Pigs" - 8:15 (demo)
03 - "Goodbye to Romance" - 5:35
04 - "Crazy Train" - 4:51
05 - "Mr. Crowley" - 4:56
06 - "Over the Mountain" - 4:32
07 - "Paranoid" - 2:53 (live with Randy Rhoads)
08 - "Bark at the Moon" - 4:16
09 - "Shot in the Dark" - 4:16 (ausente no relançamento de 2002, substituída por "Miracle Man")
10 - "Crazy Babies" - 4:14
11 - "No More Tears" - 5:54 (edit)
12 - "Mama, I'm Coming Home" - 4:11
13 - "I Don't Want To Change The World" - 4:00 (live)
14 - "I Just Want You" - 4:57
15 - "Back On Earth" - 5:00

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Sobre Tiago Neves

Tiago Neves (também conhecido como Seven) nasceu no ano de 1986 nomunicípio de Três Rios, interior do estado do RJ, e atualmente reside emBelo Horizonte - MG. É editor do site The 7th Wall,administrador por formação e colecionador de música por compulsão. Colaborou com vários sites do segmento musical como Whiplash.Net e CollectorsRoom. Tiago também é músico guitarrista e tecladista com atuação em váriasbandas de seu antigo vilarejo. Desde sempre interessado em música, passou aacompanhar a arte com mais afinco a partir de 2001, quando da edição do Rockin Rio no mesmo ano começou a ouvir e comprar compulsivamente os lançamentosdas bandas que mais gostava, tendo como ponto de partida Legião Urbana, GunsN' Roses, Iron Maiden e Pink Floyd. Até hoje, as duas últimas ainda são suasbandas favoritas, acrescidas por Whitesnake e Black Sabbath.

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