Rei Lagarto: Encerrando suas atividades com integridade

Resenha - Clockmaker's Dream - Rei Lagarto

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Por Ben Ami Scopinho
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O Rei Lagarto está encerrando suas atividades... Além de o cenário da região de Campinas (SP) perder um grupo bastante atuante, se torna motivo de reflexão o fato de esses músicos tomarem esta decisão extrema por também não estarem conseguindo espaço para tocar, geralmente preenchido pelas bandas covers. É esse o reconhecimento obtido na Terra Brasilis por duas décadas de atividades e inúmeros registros em prol do Hard Rock autoral?

Mas, antes de apagar definitivamente a luz, o Rei Lagarto gravou sua derradeira obra, "The Clockmaker's Dream", que consegue não só repetir o salto de qualidade de "Oceans" (2010), mas com ocasiões que o posicionam acima deste. A versão física é limitada, trazendo 15 canções inéditas distribuídas por dois discos em um repertório que pode ser considerado como o mais diversificado já oferecido pelo grupo, que inclusive ‘musicou’ algumas letras da escritora britânica Ekla Reuel em uma parceria até então inédita entre as partes.

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Cada um destes músicos veteranos é parte vital do arco emocional de um Hard Rock que abraça inúmeros espectros do que foi feito na versátil década de 1970, e não se furtando em pincelar algumas canções com uma paleta sutilmente mainstream. E, mesmo que cada composição evite se afastar do quadro geral, essa flexibilidade com que o Rei Lagarto trabalha simplesmente adiciona um delicioso apelo a "The Clockmaker's Dream".

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"She´s Star" se torna uma das referências do disco, movido por um excelente e insistente riff galopante. Uma abertura perfeita, mas a realidade é que a sequencia continua eloqüente e sem vacilos, provocando e instigando o ouvinte – atentem, por exemplo, para a atuação emotiva e lúcida do afinadíssimo Fabiano Negri na viajante e introspectiva "Still Raining", ou como o pessoal faz bom uso de suas influências ao construir "Walk The Talk" ou "Rockstar".

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O segundo disco é quase tão suculento quanto o primeiro, com epopeias fulgurantes como "Black Sands" ou "The Woman Clothed In The Sun", além da própria "The Clockmaker's Dream", que batiza o álbum e se caracteriza por ser a primeira – e última – faixa instrumental gravada pela banda, fechando a audição e mostrando como os caras por trás deste réptil inquietante possuem uma química que torna tão fácil o desenvolvimento das idéias, resultando em canções realmente decentes.

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Avesso às modas, o Rei Lagarto encerra suas atividades com a integridade e culhões nos seus devidos lugares. E quanto a Yon Berry, Fabiano Negri, Henrique Matos e Ivan Melo? Oras, estes são caras que respiram sua música e certamente aparecerão outros projetos envolvendo esse pessoal. Mas, enquanto a coisa toda vai tomando forma, o leitor que se identifica com o estilo setentista pode ir fazendo download gratuito de "The Clockmaker's Dream" no website da banda. Só não sei dizer se este é um final feliz ou infeliz...

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Contato:
http://www.reilagarto.com
http://www.myspace.com/reilagartooficial

Formação:
Fabiano Negri - voz
Ivan Melo - guitarra
Yon Berry - baixo e teclados
Ric Matos - bateria

Rei Lagarto - The Clockmaker's Dream
(2011 / independente – nacional)

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Volume 01
01. She´s Star
02. Tattooed Soul
03. Still Raining
04. The Road Song
05. Walk The Talk
06. When The Lie Turns Blue
07. Sun Machine
08. Rockstar

Volume 02
01. Winter In The Garden
02. Black Sands
03. That A Wolf Is Just A Dream
04. The Woman Clothed In The Sun
05. Hello Stranger
06. Apollo And The Phoenix
07. The Clockmakers´s Dream




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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