Michael Monroe: quem já foi rei nunca perde a majestade
Resenha - Sensory Overdrive - Michael Monroe
Por Ricardo Seelig
Postado em 14 de maio de 2011
Nota: 9 ![]()
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Quem já foi rei nunca perde a majestade. Essa frase vem à mente ao término da audição de "Sensory Overdrive", novo disco de Michael Monroe. Antes que os mais desavisados perguntem "quem diabos é Michael Monroe", respondo: Monroe era o vocalista do seminal Hanoi Rocks, provavelmente a banda mais influente do hard rock oitentista.

Natural da Finlândia, o grupo lançou álbuns clássicos como "Bangkok Shocks, Saigon Shakes, Hanoi Rocks" (1981), "Self Destruction Blues" (1982), "Back to the Mystery City" (1984), "Two Steps from the Move" (1984) e "All Those Wasted Years" (1985), discos que serviram de base para o que seria feito mais tarde por bandas como Guns N'Roses, Skid Row e afins. Além disso, o visual dos caras, repleto de cabelos armados e roupas multicoloridas, exerceu grande influência no modo de vestir de grupos como Motley Crue, Poison e praticamente qualquer músico que tenha se aventurado pelo hard nos anos 80.
O Hanoi Rocks acabou em 1985, após o baterista Nicholas "Razzle" Dingley morrer em um trágico acidente de carro, cujo veículo era dirigido por Vince Neil, vocalista do Motley Crue.
Ou seja, em um mundo justo, Michael Monroe teria o mesmo status que caras como Axl Rose e Jon Bon Jovi possuem, já que talento e história ele tem de sobra. Mas, infelizmente, as coisas não são bem assim.
"Sensory Overdrive" é o oitavo álbum solo de Monroe, incluindo aí o ao vivo "Another Night in the Sun: Live in Helsinki", lançado em 2010. Michael reuniu uma banda fenomenal – Ginger (guitarra, Wildhearts), Steve Conte (guitarra, New York Dolls), Sammi Yaffa (baixo, Hanoi Rocks / Joan Jett / New York Dolls) e Karl Rockfist (bateria, Danzig) – e registrou um CD espetacular. O disco foi gravado em Los Angeles, com produção do experiente Jack Douglas, responsável por álbuns de artistas como John Lennon, Cheap Trick, Aerosmith e Blue Öyster Cult, entre outros.
Lançado em 16 de março último, "Sensory Overdrive" alcançou o primeiro lugar na parada finlandesa e o décimo-terceiro posto nos charts ingleses. Além disso, foi muito bem recebido pela crítica especializada. Uma única audição em suas onze faixas já deixa claro o motivo. Trata-se de um trabalho diferenciado, com inspiração de sobra e grandes composições, executadas por uma banda afiada e pra lá de competente.
O disco abre de maneira perfeita com "Trick of the Wrist", um rock acelerado com uma pegada meio Stones. "'78" tem clima de festa e um excelente refrão, além de um ótimo solo. A banda pisa fundo em "Got Blood?", um hard com DNA punk. A sensacional "Superpowered Superfly" vem carregada com uma aura positiva, enquanto "Modern Day Miracle", a minha preferida, une peso e balanço com maestria.
O desfile de grandes canções faz com que o ato de ouvir o disco seja extremamente prazeroso. "All You Need" é uma meia balada grudenta e com cara de single, daquelas que você escuta uma única vez e já sai cantando junto. "Later Won't Wait" é uma composição notável, com uma surpreendente passagem em seu miolo com direito até a um solo de saxofone de Monroe.
O vocalista, um compositor de grande talento, insere sem medo elementos de outros gêneros musicais em seu potente hard rock, como na ótima "Gone, Baby Gone", dona de um delicioso clima country.
"Sensory Overdrive" é um estupendo álbum de hard rock como há tempos não surgia na cena. Michael Monroe soube montar uma banda diferenciada, que mostra o seu valor em cada faixa do disco. Ao dar play em "Sensory Overdrive", você ouvirá um dos melhores álbuns de hard lançados nos últimos 10 ou 15 anos. Portanto, se você gosta do estilo, não perca mais tempo e vá já atrás deste CD.
A diversão está garantida, e a trilha-sonora é de primeira!
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