Black Sabbath: O primeiro disco do grupo pós-Ozzy
Resenha - Heaven and Hell - Black Sabbath
Por Pedro Zambarda de Araújo
Postado em 28 de abril de 2011
Neste mês, há 31 anos atrás, a banda de heavy metal Black Sabbath lançava seu "Heaven and Hell" sem seu primeiro vocalista, o marcante Ozzy Osbourne. No lugar dele, um cantor "velho", de 38 anos, e assustadoramente baixo, com cerca de 1,50 metro de altura, fez sucesso com sua voz rasgada e melódica. Ronnie James Dio transformou o Sabbath das letras sentimentais, pessoais e até de protesto da era Ozzy em um grupo especialista em músicas obscuras e solos instrumentais elaborados.
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Dio também popularizou os famosos "devil horns", os chifres do demônio, após fazer esse símbolo em um show para espantar o mal-olhado diante do público - um costume comum na Itália, de onde seus parentes vieram. Depois de fazer várias vezes o símbolo na turnê, não teve como não comparar a música de Black Sabbath com rituais satânicos, embora a banda nunca faça apologia ao uso de magia negra em suas canções.
"Heaven and Hell", o álbum que estreou no dia 25 de abril de 1980, abre com "Neon Knights", que fala sobre ilusão, o bem e o mal e a criação da verdade. Dio canta correndo, junto com um ritmo muito mais contagiante em comparação ao antigo Sabbath. "Children of Sea", a primeira composição do novo vocalista com o líder e guitarrista Tony Iommi mostra contraste entre o peso e um acústico de abertura, em ritmo mais lento, falando sobre o fim do mundo e o fim das coisas.
Apelando para refrões pegajosos, apesar do solo extenso de guitarra marcando todo o CD, "Lady Evil" tem uma pegada mais hard rock, para todos os gostos. Já "Heaven and Hell" é a música viciante que mostra tanto o vocal marcante de Dio quanto o baixo de Geezer Butler, que dá um ar mais improvisado e diferente para uma música que fala sobre as contradições do paraíso e do inferno. A ideia da canção é não passar uma impressão óbvia sobre o bem e o mal.
Falando sobre sorte, "Wishing Well" é a faixa mais leve de todo o disco, sem mensagens muito densas. Mudando de contrabaixista, Geezer Butler cede espaço para Craig Gluber, que arrebenta com a música meio blues "Die Young". A canção fala sobre liberdade juvenil e como ela pode conduzir à morte, em uma clara referência às drogas ou ao que pode limitar a própria vida.
"Walk Away" fala sobre uma presença feminina e atraente que, simultaneamente, desperta o desejo de fugir. Com uma guitarra lenta e inspirada, "Lonely is the Word" é o clímax do disco. A solidão caminha com as pessoas pela dura estrada que é a vida. Com uma sensação de pôr-do-sol, o disco mostra como a contrariedade e a densidade das composições deram vida ao novo Black Sabbath dos anos 80. Não é a toa que esse renascimento, do paraíso ao inferno, é tido como um dos melhores álbuns daquela década para os fãs de heavy metal.
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