Cangaço: Em busca da identidade do heavy metal nordestino
Resenha - Positivo - Cangaço
Por Thiago Pimentel
Fonte: Hangover Music
Postado em 28 de abril de 2011
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
"SIVUCA, MORBID ANGEL, ZÉ RAMALHO e DEATH". Para uma mente mais fechada - ou pouco criativa - tais nomes não poderiam andar lado a lado, porém essas são algumas das influências do trio de heavy metal pernambucano "CANGAÇO".

No EP intitulado "Positivo", o primeiro lançamento oficial - levando em consideração que o anteriores haviam sido demos -, quem acompanha o trabalho da banda irá se surpreender: apenas uma composição desse trabalho possui seu conteúdo lírico em inglês ("The Second Hour") - idioma que havia sido usado em todas as outras letras do "CANGAÇO".

É sábido que o grupo - formado por Magno Lima (baixo e vocais), Rafael Cadena (guitarras e vocais) e, estreiando, André Lira (bateria) - já havia quebrado algumas barreiras em suas duas primeiros demos. Sim, refiro-me a incrível e inesperada fusão entre a música regional nordestina e o death metal que, além da competência técnica, certamente contribuiu para o trio, cujo tempo de estrada não chega aos dois anos, já ter participado de festivais como o "Wacken" e, mais recentemente, o "Abril Pro Rock".
A faixa-título abre o EP exibindo os riffs (experimente contá-los) já característicos do grupo, ou seja, com influência de melodias regionais e uma pegada bem pesada característica. Os caras conseguiram aqui, em menos de três minutos, uma ótima síntese do trabalho da banda.

"Positivo" é uma faixa bem orgânica, que mesmo com tantas variações pode soar simples (para os desavisados) pela naturalidade em que flui. O que é um bom sinal: o virtuosismo dos três não soa forçado. A letra é bem interessante: difere do comum por parecer, de fato, um poema (repente talvez? Haha). Desde que a presenciei em um show essa composição me mostrou o quanto os caras estão amadurecendo e desenvolvendo bem o próprio estilo. Ótimo cartão de visitas.
Na sequência vem a já citada composição em inglês ("The Second Hour") que, inicialmente, exibe uma veia mais tradicional, pesada e técnica. Porém segue com contornos mais "regionais" - ouça o interlúdio acústico. O violão duetado com a guitarra distorcida na introdução é um recurso bem interessante e que pode tornar-se marca da banda. Aliás o trabalho de guitarra de Rafael amadureceu muito - incorporar acordes mais abertos, na guitarra ainda distorcida, sem necessariamente usá-la limpa ou com o uso violões deixou seus riffs ainda mais característicos. Aliás, seu solo aqui é bem insano, caótico. Arrisco dizer que deixaria Trey Azagthoth (MORBID ANGEL) orgulhoso.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | A terceira composição (de acordo com o encarte: "Sete Orelhas") inicia com uma linha de baixo que me fez achá-la prima - irmã, talvez - de "Ghost of Blood" (da primeira demo). O baixo domina bastante essa faixa, preenchendo (bem) várias lacunas. Já André Lira exibe umas ótimas linhas na bateria: soam mais percussivas, regionais - algo que senti falta até então. A música também chama bastante atenção pelas linhas vocais empolgantes, duetadas agressivamente por Rafael e Magno. Talvez fossem as melhores linhas vocais do EP se a última faixa ("Deserto do Real") não existisse.
"Al-Rasif" já mostra as referências desde seu título: significa - mais ou menos - o nome da capital pernambucana (Recife) em árabe. As letras são ácidas, críticas e bem feitas. Chamo atenção para as sessões instrumentais: são as mais insanas, jazzísticas e progressivas do EP. Tal canção mostra, de vez, a dedicação dos caras em criar arte e honrar a proposta do grupo.

A última faixa de "Positivo" é justamente a melhor: "Deserto do Real" tem ótimas linhas vocais duetadas e possui uma excelente letra como apoio. Filosófica e regional ao mesmo tempo. Algo com a qualidade que um "Zé Ramalho" escreveria, arrisco. Sua conclusão é uma das parte mais empolgantes do disco soando totalmente death metal. Essa faixa merece estar presente no setlist dos caras, com toda certeza!
Enfim, o fato das letras de "Positivo" serem, em sua maioria, em português é apenas mais uma barreira quebrada pelo grupo. Não sei se "Positivo" foi um experimento isolado, mas acredito que mesclar os idiomas entre as composições, tal como as bandas de folk européias fazem em seus discos, seja uma excelente opção para os caras. As composições em si estão ótimas, a execução excelente e as letras possuem uma qualidade rara. Todavia, senti falta de refrões mais grudentos, como o de "Devices of Astral" ou "Corpus Alienum", por exemplo. A produção está ótima e limpa. O cuidado na confecção da arte do EP também deve ser mencionado: tudo bem pensado para te transportar para o clima. Parafraseando Magno: "sempre em busca da identidade do heavy metal nordestino". Parabéns a banda por mais um (grande) passo.

Dica: experimente ouvir lendo as letras (o arquivo possui scans dos encartes, e pode ser baixado em Hangover Music.
Formação:
Magno Lima (baixo e vocal)
Rafael Cadena (guitarra e vocal)
André Lira (bateria)
Tracklist (de acordo com o encarte):
01 - Positivo
02 - The Second Hour
03 - Sete Orelhas
04 - Al Rasif
05 - Deserto do Real
Mais informações (e demos para download):
http://www.myspace.com/cangacometal

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



70 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil em maio
Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
Steve Harris afirma que nunca conseguiu assistir um show dos Rolling Stones
6 solos de guitarra tão fabulosos que nem precisariam da canção onde estão
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
A curiosa lista de itens proibidos no show do Megadeth em São Paulo
A música da década de 1950 que David Gilmour chamou de perfeita: "É pura magia"
5 bandas de heavy metal que seguem na ativa e lançaram o primeiro disco há mais de 40 anos
Regis Tadeu e o álbum que salvou o Rush da ruína; "um ato de insurgência artística"
Devido a problemas de saúde, vocalista anuncia saída do Grand Funk Railroad
A banda com três cantores que representa o futuro do metal, segundo Ricardo Confessori
Andy La Rocque joga responsabilidade de atraso em novo álbum para King Diamond
Bob Dylan e o dueto mais sem química da história do rock: "Confuso e sem impacto"
O rock ainda é gigante no Brasil? Números e dados desafiam o discurso de "crise do gênero"
Diretor de documentário oficial do Judas Priest explica exclusão de Ripper Owens do filme
Como era dividir o apartamento com o namorador Leo Jaime, segundo Leoni
O integrante do Metallica que James Hetfield acha fraco, mas está ali por outros motivos
Max Cavalera diz que quase teve ataque do coração quando Iggor ligou para retomar contato
Stryper celebra o natal e suas quatro décadas com "The Greatest Gift of All"
Kreator - triunfo e lealdade inabalável ao Metal
"Eagles Over Hellfest" é um bom esquenta para o vindouro novo disco do colosso britânico Saxon
Em 1977 o Pink Floyd convenceu-se de que poderia voltar a ousar

