Cake: Um perfeito disco de rock para se ouvir sentado

Resenha - Showroom of Compassion - Cake

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Em um hiato de quase sete anos, muitas questões ficaram em aberto quanto ao futuro dos norte-americanos do CAKE. A banda, que conquistou certo prestígio no cenário do rock alternativo, deu uma inexplicável pausa em suas atividades após o disco “Pressure Chief” (2004) – em meio ao auge do famigerado indie rock. No entanto, o grupo abriu mão do seu descanso para se concentrar em um novo álbum. Para comprovar que não perderam o apoio de seus fãs, “Showroom of Compassion” é o registro mais bem sucedido do quinteto californiano.
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Embora não possua nenhuma característica sonora que o distancie dos seus outros cinco discos, o repertório de “Showroom of Compassion” mostra como os anos de ostracismo foram importantes para a retomada da carreira da banda. As referências que fizeram história com o CAKE – as melodias alegres e o bom humor característico do grupo – retornaram com muita qualidade aqui. A criatividade de John McCrea (vocal e violão), Xan McCurdy (guitarra), Gabriel Nelson (baixo), Vince DiFiore (teclado e trompete) e Paulo Baldi (bateria) compõe o grande diferencial do novo álbum em comparação com os seus demais concorrentes. Pela primeira vez o quinteto de Sacramento (Califórnia) construiu um repertório verdadeiramente sólido e recheado de grandes momentos. Não foi por acaso que o disco atingiu o primeiro lugar nas paradas da Billboard na semana do seu lançamento.

Por mais que a banda repita certas fórmulas já batidas pelo indie rock, é com surpresa que nos deparamos com peculiariedades significativas nessa nova empreitada do CAKE. As melodias mais para cima – assim como as bases executadas em piano/sintetizador Moog – não parecem ser o foco principal do trabalho, como foi no passado. Com um toque folk bem BOB DYLAN e momentos singelamente obscuros, “Showroom of Compassion” é um perfeito disco de rock para se ouvir sentado. Não há melodias raivosas de guitarra. De maneira corajosa, o que se sobrepõem no álbum são as referências da música pop (e não a sua veia mais indie e diversificada). A abertura do disco, com a interessante “Federal Funding”, mostra o que há de mais bem elaborado a partir dessa perspectiva mais intensa e cadenciada. Por outro lado, “Long Time” evidencia como o apelo mais comercial/eletrônico pode qualificar o CAKE para além do circuito alternativo. Não é por acaso que essa faixa foi escolhida para ser o primeiro single do álbum. A sua melodia pegajosa é certamente a sua maior virtude.

De modo relativamente curioso, John McCrea & Cia. não esbanjam técnica e virtuose na execução do repertório de “Showroom of Compassion”, que não chega a ultrapassar a marca de quarenta minutos de duração. As músicas possuem uma simplicidade ímpar e parecem não querer ir para muito além disso. Entretanto, o repertório possui bons momentos e comprova que o rock básico – indie ou não indie – ainda possui fôlego para ser abordado a partir de diferentes perspectivas. De um lado, a cadenciada “Got to Move” pode ser apontada como uma das faixas mais diferentes e interessantes da obra. De outro, “Mustache Man (Wasted)” – assim como a instrumental “Teenage Pregnancy” – possui uma faceta mais elaborada e comprova a amplitude da proposta assinada pelo CAKE.

Embora não se prenda a nenhum rótulo, a dicotomia entre ser uma banda alternativa e ser um grupo de ares mais pop contorna “Showroom of Compassion” do início ao seu fim. A outra faixa escolhida como música de trabalho – a interessante “Sick of You” – mostra novamente um CAKE interessado em explorar as melodias básicas do rock n’ roll com influências do pop. O resultado dessa sonoridade se desdobra em elogios e adjetivos positivos. Não há dúvidas de que os anos de repouso serviram para que John McCrea & Cia. pensassem e repensassem a carreira da banda, que completou recentemente vinte anos de estrada. Os destaques do álbum ainda se estendem por “Bound Away” – com influências claras do country norte-americano – e “Italian Guy” – que possui um quê de “Eleanor Rigby” dos BEATLES.

Não há dúvidas de que o CAKE atingiu o seu registro mais consistente em “Showroom of Compassion”. Por mais que tenha sido recheado por influências distintas, o rumo escolhido pelo quinteto californiano se mostra muito claro na obra. A boa música, aparentemente sem nenhum rótulo, é o que prevalece. O grupo até pode se perder em uma ou outra faixa menos impactante, mas o resultado será inclusive difícil de ser batido. O passado de relativas glórias da banda poderá ser esquecido a partir do momento que “Showroom of Compassion” comprovar que o interesse de John McCrea & Cia. em abordar o rock – mesmo que com doses de experimentalismos – é o caminho para o sucesso do CAKE.

Track-list:

01. Federal Funding
02. Long Time
03. Got to Move
04. What’s Now is Now
05. Mustache Man (Wasted)
06. Teenage Pregnancy
07. Sick of You
08. Easy to Crash
09. Bound Away
10. The Winter
11. Italian Guy

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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