Dissection: Um verdadeiro clássico relegado ao underground

Resenha - Storm of the Ligh's Bane - Dissection

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Por Marcos Garcia
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Há discos que, com o passar dos anos, quanto mais ouvimos, mais gostamos deles, porque atingem o status de clássicos dentro de seus estilos, virando referência para as gerações posteriores. Alguns são mais que conhecidos e louvados como tal, por exemplo ‘Reign in Blood’, ‘To Mega Therion’, ‘Heaven and Hell’ e tantos outros. Mas há outros que ficam relegados ao underground, muitas vezes a poucos afortunados, ou que mesmo possuam mente aberta o suficiente, que travam conhecimento de sua existência e valorizam-nos como bem merece. E neste grupo, se encontra a sensacional (e infelizmente extinta) banda sueca DISSECTION, que em 1995, lançou seu segundo CD, centro desta resenha.
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Lançado em 17 de novembro de 1995, ainda na época mais áurea do Black Metal, ‘Storm of the Light’s Bane’ é o segundo Full-Lenght da banda, lançado pela Nuclear Blast Records, que tem uma gravação melhor em relação ao anterior, o igualmente ótimo ‘The Somberlain’, e traz a mesma receita musical usada no mesmo: Black Metal soturno e pesado, com melodias bem feitas e com belos toques mais amenos e acústicos, fora a alternância entre momentos mais velozes, outros no meio termo, e ainda outros mais agressivos de forma única e bem personalizada. A única mudança estilística que há entre ‘The Somberlain’ e ‘Storm of the Light’s Bane’ é que o segundo é um pouco mais seco e agressivo, fato atribuído à saída do guitarrista John Zwetsloot (que era um dos grandes responsáveis pelos momentos acústicos da banda, já que ele conhece bem de teoria musical) por Johan Norman (que formou o SOULREAPER depois da dissolução da banda em 97, devido à prisão do guitarrista e vocalista Jon Nödtveidt, mentor intelectual do DISSECTION, por assassinato de um homossexual de 38 anos).

O CD tem curta duração (apenas 43:16 minutos), mas mesmo assim, é impossível não se não sentir o poderio de fogo da banda, pois a produção não tão limpa assim, feita pela própria banda e com Dan Swäno após a intro ‘At the Fathomless Depths’ ‘Night's Blood’, uma música forte e com muita alternância de andamentos e cheia de momentos melódicos bem sacados, onde é impossível não exaltar a bateria de Ole Öhman, uma autêntica máquina nas baquetas e bumbos; ‘Unhallowed’ já é um pouco mais agressiva, embora seus andamentos tenham muitas variações e os belos duetos de guitarra, quase lembrando as grandes duplas de Metal Tradicional, abusam do direito de deixar o ouvinte em êxtase.

Depois, temos um dos pontos mais altos do CD, a clássica e belíssima ‘Where Dead Angels Lie’, que teve várias versões feitas pela banda (lançamento de versão Demo no EP homônimo, mais uma com mixagem diferente na versão dupla do ‘Storm of the Light’s Bane’ pela The End Records, em 2006), que é toda cadenciada, onde a banda esbanja feeling, técnica e beleza em cada acorde, coisa que somente radicais preconceituosos ou quem desconhece a banda poderia denegrir. Em ‘Retribution - Storm of the Light's Bane’, apesar do início veloz, novamente a banda lança mão de um andamento não tão rápido por toda a faixa, com riffs que lembram o SLAYER da época do ‘Show No Mercy’, mas sem soar datado ou cópia, em mais uma ótima presença por parte da cozinha rítmica da banda, com forte presença do baixista Peter Palmdahl.

A faixa seguinte é mais um dos hinos da banda, ‘Thorns of Crimson Death’, que tem um início ameno com um dedilhado de guitarra limpa, para depois virar uma autêntica pedrada na cara, com excelentes duetos de guitarra e riffs que cativam o ouvinte, e a técnica da banda se sobressai mais uma vez de maneira bem natural, sendo algo não forçado. ‘Soulreaper’ é uma música mais acelerada que as anteriores, sem descaracterizar a banda em momento algum, e os momentos mais cadenciados lá estão marcando presença, bem como as guitarras de Jon e Johan fazem bonito mais uma vez e o trabalho de Ole e Peter é louvável.

Encerrando, temos uma bela e singela instrumental de piano em ‘No Dreams Breed in Breathless Sleep’, que nos dá aquela vontade de ‘quero mais’ e nos leva a pôr o CD Player na função ‘repetir todas as faixas’.

Após o lançamento deste, a banda se apresentou em vários festivais e fez uma tour conjunta com o DIMMU BORGIR, chamada ‘The Gods of Darkness Tour’ em vários países da Europa (que deu origem a um Split VHS, chamado ‘Live & Plugged Vol. 2’, por parte da gravadora de ambas as bandas), e estava indo bem, até Jon ser preso, e a banda ficou na geladeira até 2004, quando ele foi solto e retomou a carreira com outra formação, lançando o Single ‘Maha Kali’, o álbum ‘Reinkaos’ e o DVD ‘The Rebirth of DISSECTION’, mas infelizmente, a carreira da banda teve precoce fim com a morte de Jon Nödtveidt entre 12 a 15 de agosto de 2006, aparentemente por suicídio.

Fica aqui o testemunho de uma das bandas mais geniais do Black Metal de todos os tempos, bem como a saudade de uma banda comprometida com sua música.

Em tempo: aconselho fortemente aos fãs que busquem pela versão dupla deste álbum, feita pela The End Records, que tem uma versão de mixagem alternativa para o CD, mais uma demo e remasterização das faixas do EP ‘Where Dead Angels Lie’.
R.I.P. Dissection and Jon.

Formação:

Jon Nödtveidt – Vocais, guitarras base, solo e acústica
Johan Norman – Guitarra base
Peter Palmdahl – Baixo
Ole Öhman – Bateria

Tracklist:

1. At the Fathomless Depths
2. Night's Blood
3. Unhallowed
4. Where Dead Angels Lie
5. Retribution - Storm of the Light's Bane
6. Thorns of Crimson Death
7. Soulreaper
8. No Dreams Breed in Breathless Sleep

Contatos:
http://www.dissection.se
http://www.myspace.com/dissection

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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

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