Musica Diablo: CD pode agradar headbangers inconformados
Resenha - Musica Diablo - Musica Diablo
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 21 de fevereiro de 2011
Nota: 8 ![]()
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Para muitos dos fãs mais antigos, o SEPULTURA vem enfrentando uma crise de identidade desde o álbum "Nation" (2001). O motivo da discussão, que nunca envolveu o trabalho do vocalista Derrick Green, corresponde à "nova" postura musical da banda, um tanto descaracterizada com o seu passado. Em meio a um futuro indefinido com o grupo, Derrick vem investindo as suas fichas no projeto MUSICA DIABLO, criado ao lado do guitarrista André NM, do NITROMINDS. O primeiro CD dos caras pode agradar os headbangers mais inconformados.

Com uma pegada muito mais agressiva e direta – em comparação com os recentes "Dante XXI" (2006) e "A-lex" (2008) do SEPULTURA –, o ‘debut’ do MUSICA DIABLO deve contentar todos os fãs que se sentem um pouco órfãos dos discos "Arise" (1991) e "Chaos A.D." (1993). Embora apresente uma roupagem nitidamente moderna e atual, o quarteto não insere nenhum dos controversos elementos do new metal nesse primeiro álbum autointitulado. Por outro lado, a veia criativa de André NM – extremamente relacionada ao hardcore da sua banda original – aproximou o trabalho do projeto à velocidade marcante do estilo. O total de onze faixas em apenas trinta e três minutos de música mais do que comprova essa teoria.
Derrick Green (vocal) e André NM (guitarra) são acompanhados por um time de bagagem expressiva dentro do metal brasileiro: André Curci (guitarra, ex-KORZUS e THREAT), Ricardo Brigas (baixo, ex-SIEGRID INGRID) e Edu Nicolini (bateria, NITROMINDS). A banda, que já chegou a excursionar pela Europa, passou uma temporada no Tambor Studios (RJ) antes de efetivamente colocar à disposição nas lojas "Musica Diablo", via uma parceria inédita entre quatro expressivas gravadoras nacionais: Voice Music, Die Hard Records, Rock Machine e Rock Brigade Records. O aspecto técnico do disco não poderia ser mais qualificado. De um lado, Derrick desmonta o seu estilo mais sombrio de cantar com o SEPULTURA para assumir uma postura muito mais brutal e intensa. Do outro, o instrumental do MUSICA DIABLO - composto apenas praticamente por André NM – privilegia riffs extremamente simples e velozes.
Os fãs da complexidade sonora do SEPULTURA podem até torcer um pouco o nariz para "Musica Diablo". De qualquer modo, o quinteto parece não se preocupar com as comparações praticamente inevitáveis. A coesão do repertório, que começa com a interessante "Sweet Revenge", possui outras composições com o mesmo destaque, mesmo que nenhuma delas conte com um impacto (ou apelo) nitidamente comercial. Com menos de três minutos, "Live to Buy" conta com uma introdução curiosamente próxima ao death metal e um refrão tipicamente hardcore. A mistura de gêneros mostra como o MUSICA DIABLO busca se distanciar das suas duas bandas de origem – investindo em faixas que nunca ultrapassam a marca dos três minutos.
A fórmula se repete em "Workout" e em "Lifeless" – que conta até com algumas influências encontradas nos primórdios do SEPULTURA ("Morbid Visions", 1986) – mas com arranjos muito melhores. No entanto, as características mais vivas e claras do hardcore de "Betrayed" e novamente do death metal de "The Rack" (à lá OBITUARY) complementam a lista dos prováveis sucessos do MUSICA DIABLO. A empreitada, que parece ir à contramão do SEPULTURA, possui as melhores credenciais para se consolidar como uma banda de fato. O que resta saber é o quanto Derrick Gren e André NM pretendem levar o grupo adiante. O primeiro obstáculo eles ultrapassaram com facilidade.
Track-list:
01. Sweet Revenge
02. Sacrifice
03. Live to Buy
04. Underlord
05. Work Out
06. Lifeless
07. In the Name of Greed
08. Betrayed
09. The Flame of Anger
10. Twisted Hate
11. The Rack
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