Black Label Society: Zakk Wylde é um gênio criativo
Resenha - Order of the Black - Black Label Society
Por Rafael Correa
Postado em 10 de dezembro de 2010
Certas coisas são fáceis de afirmar, seja em nosso cotidiano ou em relação à música. Assim como dizemos sem pensar muito que o "céu é azul", dizemos que também que Zakk Wylde é um dos gênios criativos mais relevantes dos últimos 15 anos. Seja com o Ozzy Osbourne, com o Black Label Society ou com qualquer coisa ou pessoa, Zakk é capaz de criar bons momentos para os amantes do som pesado. "Order of the Black", último lançamento do BLS é a prova cabal disto: apesar do excelente desempenho de Nick Catanese, John DeServio e Will Hunt, o que brilha mesmo é a estrela luciferiana de Wylde.
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"Order of the Black" inicia-se com uma dupla explosão: "Crazy Horse" e "Overlord" mostram a força natural do BLACK LABEL SOCIETY em grande estilo. Delas, destaca-se "Overlord": densa e calcada em um riff que fica preso na alma, a faixa e suas variações de velocidade são a nítida garantia de um "whiplash" maravilhoso. "Parade of the Dead", apesar da sequência manjada do riff, também desfere alguns socos no ouvido de quem a ouve.
Mas "Order of the Black" não é só peso: Wylde e companhia consolidaram momentos reflexivos interessantíssimos, o que traduz a incrível capacidade produtiva da banda em, vejam só, compor frases calmas, aptas a fazer um estádio inteiro cantar à luz de chamas de isqueiros. "Darkest Days" é a primeira delas: com um refrão forte e a marcante contribuição de Wylde no piano, a canção gruda em nossa memória e custa a sair. É "chicletuda", na melhor acepção do termo. "Time Waits for no One" aposta nesta mesma fórmula, mas vai além: a letra é de uma sensibilidade que bate de frente com a figura ríspida e carrancuda de Zakk Wylde. O solo da canção é igualmente marcante e potencializa aquele momento "ser ou não ser" (com direito a caveira e tudo o mais), que faz o sujeito mais superficial a parar e pensar na vida. "Shallow Grave", ainda que mais tímida e menos completa em critérios musicais, também se vale desta mesma premissa.
Voltando ao que sabe fazer de melhor, o BLACK LABEL SOCIETY garante a variação de peso/velocidade com outras canções: "Riders of the Damned", "Black Sunday" e "Southern Dissolution" aproveitam-se dos tradicionais picks de Wylde para fazer a cabeça balançar. A versão simples de "Order of the Black" se encerra em "January", faixa predominantemente acústica que vale a atenta audição. Mas, na versão "best buy edition", mais duas canções são introduzidas, ambas de natureza tênue: "Junior's Eyes" e "Helpless". A primeira, na verdade um tributo ao Black Sabbath, visto que a canção integra o álbum "Never Say Die", poderia ser muito bem um dos singles do álbum: a letra tipicamente sabbatiana conduz uma singular viagem do ouvinte ao tom do piano e do lamento de Zakk Wylde. Em termos simples, "Junior's Eyes", à exemplo de "In This River", do álbum "Máfia", de 2005, é um dos momentos mais marcantes da carreira do BLACK LABEL SOCIETY.
Em termos gerais, "Order of the Black" traduz um dos melhores trabalhos do BLS. Muito bem produzido, o álbum apresenta diversas faces do grupo, seja em sua vertente tradicionalmente pesada e bruta, seja em seu formato mais comedido e reflexivo.
Os vocais de Zakk Wylde estão mais lapidados, e, em certos momentos, chegam a lembrar muito do que Ozzy Osbourne já fez, principalmente nas canções mais calmas, como "Junior's Eyes" e "Time Waits for no One". Pode parecer exagero à primeira vista, ou, até mesmo, uma blasfêmia, mas não se está querendo comparar o incomparável; em todo caso, parece-nos natural que Zakk lance mão de meios oriundos de Ozzy, depois de acompanhá-lo por tanto tempo. E o resultado, a despeito das contradições, foi sensacional. "Order of the Black" merece ser ouvido até os tímpanos explodirem. Merece nota 8!
Set List:
1. Crazy Horse
2. Overlord
3. Parade of the Dead
4. Darkest Days
5. Black Sunday
6. Southern Dissolution
7. Time Waits for no One
8. Godspeed Hellbound
9. War of Heaven
10. Shallow Grave
11. Chupacabra
12. Riders of the Damned
13. January
Resenha disponível em: http://rockpensante.blogspot.com
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