Melechesh: certo burburinho na cena Black Metal mundial
Resenha - Epigenesis - Melechesh
Por Marcos Garcia
Postado em 25 de novembro de 2010
Hoje em dia, existem duas vertentes no Black Metal. De um lado, as bandas adeptas de um som mais raiz, e como já foi citado aqui, o saldo tem sido bem positivo por este lado; do outro lado, bandas que ousam ir além, que buscam fazer trabalhos inovadores, alguns dignos de nota, e outros, nem tanto assim.


Vindos de Jerusalém, em Israel, embora nenhum membro da banda seja de fato daquele país, e agora radicados na Holanda, devido a perseguições da polícia, já que usam temas que deixam o povo de lá de cabelos em pé e faz rabinos engasgarem em seus sermões, por fazerem referências a culturas cujos povos escravizaram o povo hebreu na antigüidade (egípcios, sumérios e babilônicos), o quarteto MELECHESH, cujo nome significa ‘Rei do Fogo’, pela junção das palavras de origens aramaica e hebráica Melech (‘Rei’) e Esh (‘Fogo’), e cuja pronuncia mais comum é ‘Melekesh’, já tem causado um certo burburinho na cena Black Metal mundial, justamente por ter uma musicalidade inovadora, usando elementos folk daquela região em sua música brutal e bem trabalhada, o que lhes rendeu bastante reconhecimento, ao ponto de serem contratados pela Nuclear Blast Records, e desta fusão, nasceu ‘The Epigenesis’, cujo nome é usada para designar ‘a idéia filosófica/teológica/esotérica de que, desde que a mente é dada ao ser humano, é este impulso criativo original, a epigênese, que é a causa de todo o nosso desenvolvimento’.

A arte é muito bem feita, planejada em cada mínimo detalhe, de alta qualidade como é de costume das produções da NBR, e quando o CD começa a rolar, tem-se uma surpresa: a produção sonora, feita em Istambul, na Turquia, deixou o MELECHESH mais seco, agressivo, e os toques regionais ainda estão lá, embora em menor profusão que antes. A música da banda está mais metalizada e intensa, lembrando um pouco o que o ABSU americano já fez em alguns CDs (e por uma estranha coincidência do destino, Sir Proscriptor já fez parte da banda por algum tempo e tocou, inclusive, nos álbuns ‘Djinn’ e ‘Sphynx’, além do EP ‘The Ziggurat Scrolls’). Pode ser que alguns fãs reclamem um pouco a princípio, mas garanto que a essência da banda não foi maculada.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Há músicas cadenciadas e bem climáticas como ‘Ghouls of Niniveh’, que abre o CD, ‘The Magickan and the Drones’, com ótimos toques árabes; ‘Sacred Geometry’, onde a variação entre candência, com peso e harmonia absurdos, e velocidade no escopo da banda, com guitarras faiscantes e o vocal declama as letras de forma esplêndida; e a belíssima ‘The Magickan And The Drones’, outra onde as variações de andamento são de saltar os olhos, e que bela dupla de guitarras essa!
Mas temos outras músicas mais velozes e furiosas, mas igualmente soberbas, como a excelente ‘Grand Gathas of Baal Sin’, ‘Defeating the Giants’, que é bem brutal, apesar dos arranjos de guitarra árabe no início, e onde a cozinha rítmica mostra um nível que deixaria muita banda conhecida com inveja; e a ótima e esporrenta e hiper variada ‘Illumination: The Face Of Sham’, em que os andamentos variam bastante. E uma linda instrumental extremamente árabe, ‘A Greater Chain Of Being’, introduz a faixa mais maravilhosa do CD, uma verdadeira obra-prima: a épica ‘The Epigenesis’, com mais de 12 minutos de muita cadência, peso absurdo e trampo inquestionável, brutalidade e riffs matadores. Se a banda precisasse se apresentar com uma faixa, seria essa, e ponto final.

Este CD é daqueles que merecem muita atenção, pois garanto que o investimento é válido, acima de qualquer dúvida, e Melechesh Ashmedi (vocais, guitarras, baixo, teclados e percursão), Moloch (guitarras e bouzouki, um instrumento regional grego), Rahm (baixo), e Xul (bateria e percussão) estão de parabéns, pois com ‘The Epigenessis’, a banda deu, com plena certeza, mais um passo para ser reconhecida com um dos grandes titãs do Black Metal com influências de folk music regional, seja lá de que país ou continente for.
Tracklist:
01. Ghouls Of Nineveh
02. Grand Gathas of Baal Sin
03. Sacred Geometry
04. The Magickan and the Drones
05. Mystics of the Pillar
06. When Halos of Candles Collide
07. Defeating the Giants
08. Illumination - The Face of Shamash
09. Negative Theology
10. The Greater Chain of Being (instrumental)
11. The Epigenesis

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