Ringo Starr: ainda em 1970, um álbum gravado em 10 dias
Resenha - Beaucoups of Blues - Ringo Starr
Por Rodrigo de Andrade
Postado em 04 de outubro de 2010
Ringo sempre se demonstrou um grande fã de canções de country e western. Muitas das músicas que ele canta nos álbuns dos Beatles são variações roqueiras desses estilos. Basta lembrar de What Goes On em Rubber Soul ou a própria composição dele no Álbum Branco, Don’t Pass Me By. Em Help há um verdadeiro clássico country cantado por ele: Act Naturally.
Ringo Starr - Mais Novidades
Em maio de 1970, enquanto participava das sessões de All Things Must Pass — o legendário álbum solo triplo de Harrison —, Ringo conheceu Pete Drake. O renomado músico de Nashville estava em Abbey Road registrando pedal steel guitar para o disco de George. A afinidade musical acabou aproximando os dois.
Drake já havia trabalhado com Elvis e Bob Dylan. Starr questinou sobre o fato de Nashville Skyline — disco de 1969 de Dylan — ter sido gravado e concluído tão rapidamente quanto comentavam. Pete disse que sim, que em pouco tempo ele era capaz de produzir um álbum. Logo os dois passaram a discutir sobre a possibilidade de registrarem um disco só de country.
A intenção de Ringo era gravar material na Inglaterra e enviar as fitas master para serem finalizadas por Pete em Nashville. Mas Drake soube convencer Starr de que o ideal seria ele ir até os Estados Unidos para realizar todas as sessões.
Quando voltou para Nashville, Pete solicitou que vários dos melhores compositores de country escrevessem canções inéditas para o álbum de Ringo. Starr voou para os EUA no dia 22 de junho de 1970. Imediatamente ouviu as demos e escolheu as músicas que lhe interessaram. Drake havia reservado o Music City Recorders Studio e contratado vários dos músicos de estúdio mais requisitados do Tennessee para as gravações: Jim Buchanan, Charlie Daniels, D.J. Fontana, Buddy Harman, Chuck Howard, Roy Huskey Jnr, The Jordanaires, Ben Keith, Jeannie Kendal, Jerry Kennedy, Dave Kirby, Grover Lavernder, Charlie McCoy, Sorrells Pickard, Jerry Reed, George Richey e Jerry Shook (foto de todos abaixo). Além de cantar, Ringo tocou bateria e violão em algumas faixas.
No dia 1º de julho — em menos de 10 dias — os trabalhos estavam encerrados e Ringo já retornava para a Inglaterra. Em setembro, o segundo álbum solo de Starr naquele ano era lançado. Beaucoups of Blues é composto por 12 canções e, sem dúvida, um disco incrível de country. Promovendo o lançamento, um single foi lançado com um lado-B inédito: Coochy Coochy. Quando Beaucoups of Blues foi relançado em CD, em 1995, essa música foi incluída como faixa bônus, junto com Nashville Jam, que reunia todos os músicos presentes nas sessões.
Apesar de ser muito bem cotado pela mídia especializada, e sem dúvida ser muito superior ao trabalho anterior do artista, não vendeu tão bem. Nem mesmo chegou a entrar nas paradas inglesas. Talvez o fato desses primeiros títulos solo de Ringo não receberem o devido reconhecimento se deva ao incrível avanço discográfico dos seus ex-colegas Beatles na época.
Anos mais tarde, em retrospecto, muitos críticos apontaram essa como sendo a obra prima de Ringo. Talvez não seja para tanto, tendo em vista vários outros clássicos incríveis lançados por ele nos anos posteriores. Mas ainda assim, é um clássico indiscutível do country rock.
Data de Lançamento:
25 de setembro de 1970 (RU)
28 de setembro de 1970 (EUA)
Lado A
1 – Beaucoups of Blues (2:33)
2 – Love Don’t Last Long (2:45)
3 – Fastest Growing Heartache In The West (2:34)
4 – Without Her (2:35)
5 – Woman Of The Night (2:21)
6 – I’d Be Talking All The Time (2:10)
Lado B
7 – $15 Draw (3:29)
8 – Wine, Women And Loud Happy Songs (2:18)
9 – I Wouldn’t Have You Any Other Way (2:57)
10 – Loser’s Lounge (2:23)
11 – Waiting (2:54)
12 – Silent Homecoming (3:55)
Créditos:
Ringo Starr: vocais, bateria e violão
Bateria: D.J. Fontana
Harmonica: Charlie McCoy
Pedal Steel: Pete Drake e Ben Keith
Baixo: Buddy Harman, Roy Huskey Jr
Vocais: Jeannie Kendal e The Jordanaires
Violino e Rabeca: Jim Buchanan, Grover Lavernder, George Richey
Guitarra e violão: Charlie Daniels, Chuck Howard, Dave Kirby, Sorrells Pickard, Jerry Kennedy, Jerry Reed, Jerry Shook
Fotografias e capa: Marshall Fallwell
Engenheiro de som: Scottie More
Produção: Pete Drake
Buzz Rabin compôs a faixa 1.
Bobby Pierce compôs a faixa 10.
Larry Kingston compôs a faixa 8.
Chuck Howard compôs as faixas 2, 9 e 11.
Sorrells Pickard compôs as faixas 4, 5, 7 e 12.
Larry Kingston e Fred Dycus compuseram a faixa 3.
Chuck Howard e Larry Kingston compuseram a faixa 6.
Posição nas paradas:
EUA: 65º lugar (Billboard), tendo permanecido por 15 semanas no Top 200.
Texto publicado originalmente no site de (anti)jornalismo (contra)cultural Os Armênios.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dirk Verbeuren, do Megadeth, agradece Pete Sandoval por ter inspirado "legiões de bateristas"
Moyses Kolesne manda recado a quem reproduz discursos de Lemmy sobre política
Como Jason Newsted criou o riff de "Blackened" do Metallica e a reação de James e Lars
A humilhação que Ozzy Osbourne sofreu num show e Tony Iommi jamais esqueceu
Novo disco de Tony Iommi mantém acesa a chama do Sabbath, segundo resenha da Classic Rock
O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
Devido à demanda, U2 anuncia data extra no Brasil
O astro do country de quem Dave Mustaine tem mágoa até hoje: "É uma implicância minha?"
Slayer toca "Reign in Blood" na íntegra no México; confira setlist e vídeos
O pior disco do Pink Floyd, de acordo com a Paste Magazine
A música do Iron Maiden que influenciou o Big Four do thrash metal, segundo o Ultimate Guitar
Marko Hietala arrisca palpite sobre o que levou Floor Jansen a sair do Nightwish
"Stairway to Heaven" nem "Comfortably Numb"? O solo que Slash coloca acima de todos
Os cinco melhores discos do Megadeth, segundo Mateus Ribeiro
A noite em que Chuck Berry invadiu show de banda punk e deixou todo mundo de queixo caído
A única banda de hair metal que Eddie Vedder respeitava: "Pelo menos tinham força"
A opinião de Matt Sorum sobre bastidores do Guns N' Roses e perfil de Axl Rose
A única música de "Somewhere in Time" do Iron Maiden que não fala sobre espaço e tempo

O melhor show que Ringo Starr dos Beatles viu em todos os tempos, segundo o próprio
Quando George Harrison e um Ringo bêbado salvaram Eric Clapton de uma saia justa no Cream
A curiosa e sincera opinião de Neil Peart sobre Ringo Starr
O motivo que impediu a reunião dos Beatles segundo Ringo Starr



