Iron Maiden: sinal de ousadia de uma banda que não ousa

Resenha - El Dorado - Iron Maiden

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Por Igor Z. Martins
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Minha relação com o Iron Maiden, que já tem mais de 10 anos, nos últimos tempos, é marcada pela “linha fina entre o amor e o ódio”. Apaixonado pela banda desde os 12 anos de idade, eu cresci vestindo camisetas que ostentavam diferentes tipos de Eddies, comprando os discos da banda e pregando que não havia nada melhor no mundo do rock que Iron Maiden. No entanto, nos últimos tempos, mais especificamente após o lançamento de “Dance Of Death” (2003), eu comecei a implicar com o fanatismo dos fãs da banda – talvez porque minha adolescência já havia ido embora, junto com o fanatismo, que nem sempre, em se tratando de fãs do Iron Maiden, vai embora após os 20 anos de idade – e com a total falta de capacidade de se reinventar que o time de Steve Harris demonstrava.
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Quando saiu seu último disco de estúdio, “A Matter Of Life And Death” (2006), eu odiei até às minhas entranhas. No entanto, há alguns meses, ouvi novamente o álbum e cheguei, inclusive, a ter uma resenha publicada aqui no Whiplash!, na qual eu falava sobre os pontos positivos do álbum. A principal tecla na qual eu batia era a mesmice da banda, a falta de peito pra fazer algo inusitado, além do exagero de dedilhados de baixo de Steve Harris no início das canções e da performance demasiada e consequentemente irritante de Bruce Dickinson.

Então, quando há alguns meses a banda anunciou um novo álbum de estúdio, prontamente fiz minhas preces para que o trabalho, que possivelmente poderia ser o último da banda, como sugeria o título, “The Final Frontier”, fosse algo realmente digno de uma banda que é aclamada a melhor banda de heavy metal. Eu espero, ardentemente, que aí venha um álbum “destruidor”, criativo, corajoso. Um álbum que aponte para o futuro, e não para o passado da banda.

E, após o suspense feito por uma contagem regressiva no site oficial do Maiden, o grupo liberou para download uma nova canção, chamada “El Dorado”, primeiro single e amostra do que será “The Final Frontier”. O site também anunciou o nome das canções que vão compor o álbum, a capa e disponibilizou uma arte gráfica para download, que parece ser a capa desse novo single. Eu achei a arte da capa do álbum e a arte do single ambas legais. São diferentes, mas nada de obras de arte, como em “Seventh Son Of A Seventh Son” (1988), por exemplo.

Mas, vamos ao que interessa: A canção! Quando apertei o play, senti um temor congelante de que fosse ouvir um dedilhado de Steve Harris! Para minha surpresa e felicidade, não havia dedilhados nem arpejos irritantes, tão presentes nos últimos discos. Quando Bruce Dickinson entrou cantando, meu coração também se encheu de felicidade, porque ele não estava gritando desesperadamente como tem feito ultimamente. Dickinson pegou a mania, parece-me, de querer provar ao mundo que ainda sabe cantar, e, para tal, eleva exageradamente o tom das canções que canta, fazendo com que sua performance se assemelhe a uma choradeira desesperada.

O andamento de “El Dorado”, ainda que tenha marcas registradas da banda, como o baixo cavalgando, é um tanto atípico. A canção é mais pesada que o usual, e a progressão das notas não se situa no manjado “Dó-Ré-Mi”, outra marca registrada do Maiden – e do punk rock! No refrão, apenas, Bruce eleva sua voz, o que é compreensível, já que os refrões da banda são historicamente marcantes, altos e melódicos.

Posso dizer que o que mais me chamou a atenção nessa nova canção, além do peso extra, foi a performance do Bruce. É muito semelhante ao que ele fazia em seus álbuns solos, pelos quais eu sou realmente apaixonado; aquela coisa em tons mais médios e um tanto agressivos – incluindo aquelas risadas diabólicas, como as que aparecem em canções como “Welcome To The Pit” ou “Trumpets Of Jericho”, de sua carreira solo.

O trabalho das guitarras também é bastante interessante, diferente. Não há, na música, aquelas melodias felizes e mais manjadas que fazer “O Nome do Pai” em missa. Daí o peso e característica “rocker” da música.

O problema, todavia, é que, a canção, por não ser estilisticamente exatamente igual a músicas de outras épocas do Maiden, tende a não agradar os fãs tradicionais da banda. Se o álbum seguir o estilo de “El Dorado”, então nós teremos aí outro “Fear Of The Dark” (1992) ou “The X Factor” (1994), que trazem uma proposta diferente e que, por tal, desagradou e ainda desagrada boa parte dos fãs.

Eu vou continuar torcendo para que o disco seja diferente, ousado e criativo. Assim, as chances de desagradar os fanáticos é grande! O que é sinônimo, claro, de brilhantismo e quebra de paradigmas, que são atributos que os fanáticos mais desprezam.

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Sobre Igor Z. Martins

Jornalista do interior do Paraná, Igor entrou no mundo do rock pesado em 1998, com "The X Factor", do Iron Maiden. Posteriormente, cairam em seus ouvidos Metallica, Guns N'Roses, Dream Theater, Megadeth, etc. Eclético, consegue escutar Oasis, Death, Pantera e Pink Floyd em sequência! Gasta mais da metade do que ganha com CDs, sendo, assim, chamado de "burro" por aqueles que acreditam que "é só baixar da Internet". Quer lhe dar um presente, fazê-lo feliz? Dê-lhe um CD! Comportar-se como criança diante de um CD novo e sentir o cheiro de encartes são marcas de sua paixão louca pela música!

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