Kinks: velho carro de Guerra celebrando mais de 50 anos
Resenha - Village Green Preservation Society - Kinks.
Por Elias Rodigues Emidio
Postado em 06 de junho de 2010
Existem dois tipos de álbuns que se tornam clássicos. Os clássicos instantâneos que são aqueles que alcançam sucesso imediatamente após o seu lançamento, como exemplo podemos citar "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band" dos Beatles e "Dark Side Of The Moon" do Pink Floyd. E aqueles que apenas são reconhecidos muito tempo depois de seu lançamento, neste caso o melhor exemplo talvez seja "The Velvet Underground & Nico" do Velvet Underground, entre tantos outros.
Quando o assunto é The Kinks a primeira que vem a cabeça da maioria das pessoas são o mega sucessos "You Really Got Me" e "All Day And All Of The Night" do início da carreira da banda, quando a banda ainda fazia um rock bem básico bastante calcado na tradição do blues e outros estilos musicais congêneres, assim como os grupos de The Beatles e The Who no começo da carreira. Apenas os fãs mais ardorosos da banda lembram-se da existência do disco "The Village Green Preservation Society" que marca o ápice da fase áurea da banda nos anos 68/69 que também inclui os discos "Arthur (Or the Decline and Fall of the British Empire)." (uma das melhores, se não a melhor, ópera rock já feita na história) e "Something Else By The Kinks".

A principal razão do quase esquecimento desta verdadeira obra-prima do rock, talvez seja o fato dela ter sido lançada em 69, um ano após o ano que marcou o ápice do movimento da juventude em prol de causas sociais. A maior parte dos artistas da época lançavam discos que refletiam diretamente o engajamento da juventude no movimento Hippie, cantando versos que traduziam em canções o ideal "Paz e Amor", que sempre foi a marca registrada do movimento jovem na época. Os Kinks apostaram na contramão da maioria dos artistas e lançaram um álbum que celebra a nostalgia do período da infância, cantando e tocando pelo simples prazer de criar música e acabou saindo das gravações com o seu melhor disco de estúdio. Além disso, este disco não contém nenhum grande hit da carreira banda, embora seja recheado de canções belíssimas que agradam infinitamente mais aos ouvidos. Raríssimas vezes na história do rock harmonia e melodia combinaram tão bem, fato que uma sonoridade única que se tornou a marca registrada deste trabalho musical.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | O disco abre com a faixa título "The Village Green Preservation Society", um verdadeiro épico. O baixista Peter Quaife e o baterista Mick Avory criam uma batida estimulante, para que o guitarrista Dave Davis detone a guitarra em um riff sensacional. Some-se a isto um belíssimo trabalho vocal (os vocais no fim da canção são um show a parte) e uma belíssima composição de Ray Davis que exalta as belezas da infância inglesa: geleia de morango, o Pato Donald, Mr. Sherlock Holmes, entre outras. Em poucas palavras a épica canção que abre o disco ficou perfeita. Dando sequencia "Do You Remember Water" relembra os amigos de infância e mantém a qualidade da faixa a anterior, a guitarras e os vocais estão um primor, o refrão da música é nota dez, mas o maior destaque da canção é a batida estimulante da bateria de Mick Avory. "Picture Book" nos recorda dos álbuns de fotografia, rock simples e direto, o grande destaque fica por conta do Baixo de Peter Quaife. "Johnny Thunder" é mais um rock direto, tipicamente inglês, a canção tem uma base rítmica contagiante, o maior destaque é a bateria, sempre criativa diga-se de passagem, de Avory. A simpática "Last Of The Steam- Powered Trains" é outra canção épica, os vocais estão perfeitos, Dave destrói a guitarra em mais um Riff poderoso, Avory sempre uma fera atrás do seu kit e Quaife dá um show no baixo, mas o grande destaque da canção é o belo trabalho feito com as gaitas. A próxima faixa é a super contagiante "Big Sky", cujo grande destaque é a melodia alucinante, simplesmente perfeita, a introdução e a primeira parte da canção com os vocais falados são outro show a parte nesta outra obra prima do disco. A simpática sétima faixa do disco "Sitting By The Riverside" traz uma melodia suave e belíssima, com destaque para o piano, uma das faixas mais tranquilas em todo disco. "Animal Farm" traz a tona mais um riff mortal, que gruda como chiclete na cabeça por alguns dias, além disso em certos trechos da canção pode ser percebido um belíssimo trabalho nas cordas, os vocais estão excelentes e temos outra composição inspiradíssima de Ray Davis, em poucas palavras: temos aqui mais uma clássico dentro do disco. A próxima faixa "Village Green" traz um clima um pouco triste, contrastando com o clima alegre feliz das outras canções do disco, os vocais estão maravilhosos, mas o maior destaque da canção fica por contada melodia com um órgão de causar arrepios na espinha de qualquer apreciador de boa música. "Starstruck" deve ter feito Beatles, Rolling Stones e Who roerem as unhas de inveja: rock simples, direto, ritmo contagiante, etc e tal, rock mais inglês que este é quase impossível. O baixo, guitarra e a bateria estão sensacionais é um dos maiores destaques dentro do disco. "Phenomenal Cat" tem uma introdução com flautas fantástica que nos remete as canções de desenhos animados mais antigos e tem um clima bem alto astral, uma das faixas mais alegrinhas em todo o disco. "All My Friends Are Out There" tem uma batida estimulante criada por baixo e bateria, provando que Quaife e Avory são seguramente uma das melhores cozinhas da história do rock. "Wicked Annabelle" traz as mesmas qualidades das outras faixas Dave dando um show na guitarra, Quaife criando uma linha de baixo matadora, Avory sempre criativo em seu kit, grande música. "Monica" traz a melhor percussão em todo o álbum, mesclando uma boa dose de música latina (especialmente de percussão caribenha), temos outra faixa grandiosa que mantém o pique do disco. Para encerrar o disco outro épico "People Take Pictures Of Each Other" encerra magistralmente o disco com a mesma qualidade do começo, fechamento ideal para este obra-prima do Rock.

Os Kinks, embora tenham tido menos reconhecimento do que Beatles, Rolling Stones, e Cia, foram um dos maiores expoentes e pioneiros da chamada invasão britânica na década de 60. E este disco vem confirmar a merecida posição dos Kinks como uma das maiores e mais influentes bandas de rocks de todos os tempos.
Como já dito anteriormente o álbum não contém nenhum grande hit na carreira, mas é recheado de canções ótimas e merece ser ouvido por pessoas apreciadoras do bom e velho Rock & Roll este velho carro de Guerra que celebra esse ano mais de 50 anos de existência.
Disco básico em uma boa coletânea.

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