Rolling Stones: a essência de um gênero em um registro
Resenha - Exile On Main St. - Rolling Stones
Por Gustavo Berlin
Postado em 11 de dezembro de 2009
Qualquer um que se disponha a ler uma biografia da carreira dos Stones vai, com certeza, se impressionar em algum ponto da estrada com o comportamento de impiedosa autodestruição quase surreal à qual o grupo se submetia. Alguns mais, outros menos, mas todos os membros em alguma medida e contexto se submeteram à meta de instaurar o caos absoluto por onde quer que fossem, tanto no ambiente interno quanto externo de convivência da banda. Exemplos são inúmeros e dignos de uma obra que os aborde exclusiva e detalhadamente, mas vamos nos ater à realidade do grupo no período de 1971/1972.
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Por mais que os registros nos digam o contrário, é impossível dizer até que ponto era sentida a "ressaca" pós-anos 60 que o grupo então vivia, ainda mais levando em conta que os últimos momentos da década que acabara haviam se apresentado caóticos e até certo ponto trágicos para a banda, em contrapartida com as diversas manifestações positivas dos demais artistas da época. A morte de seu ex-líder e fundador (ainda que este houvesse sofrido um sério desafeto dos outros membros e mergulhado em uma escuridão pós-dependência química), o desastroso festival de Altamont e desavenças internas são apenas alguns dos sintomas de uma das épocas mais obscuras da carreira da banda.
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No entanto, este também é, ironicamente, o período de maior relevância artística de toda a carreira dos Rolling Stones, o que indica como o uso maçante de drogas e o consequente estilo de vida boêmia de fato impulsionam a criatividade do grupo.
Afastando-se aos poucos desta época obscura e contando com o virtuoso e produtivo guitarrista Mick Taylor, os Stones se encontravam em 1971 refugiando-se de impostos na França, onde gravavam um problemático novo disco de estúdio que eles viriam a odiar.
O exílio na mansão de Nellcôte marcou um dos períodos mais desenfreados de inquietação interna, com conflitos entre os membros que a esta altura haviam (por bem ou por mal) construído uma vida fora do grupo, marcado também por paranóia excessiva e dependência de heroína por grande parte da comitiva que envolvia a banda, familiares, roadies, engenheiros. . .
O resultado foi um ano para concluir as gravações, que deram origem ao manifesto mais sincero dos Rolling Stones. A música de "Exile On Main St." é nua e crua, sem luz e sombra e com pouquíssimos retoques, um manifesto embriagado do que há de melhor no Rhythm & Blues. A constante figuração do álbum entre os 10 melhores discos de todos os tempos talvez seja equivocada, mas nunca um grupo conseguiu capturar com tanta maestria e espontaneidade a essência de um gênero em um único registro. "Exile" é a raiz do rock n’roll, o gênero em seu estado bruto. As canções não são particularmente memoráveis, mas o clima invocado pelas simples composições com base no blues americano, somado aos arranjos bêbados e indisciplinados simplesmente são o que o rock sempre almejou ser.
O que torna tudo isto mágico é o fato deste álbum ter sido criado sem nenhuma destas ambições em mente, tendo muito provavelmente sido tratado como uma aporrinhação contratual em uma época quando a ùltima preocupação de Jagger, Richards e cia. era lançar um disco de inéditas. Há relatos que indicam que Keith Richards aparecia para as gravações apenas de madrugada, negligenciando seriamente seu compromisso com o grupo. Aparentemente, todas as músicas eram escritas em momentos aleatórios e individualmente, apenas para serem elaboradas e complementadas em conjunto uma vez que sua estrutura já existisse. Este comportamento típico dos Stones (que vivenciou um momentâneo estado de graça durante o período de Nellcôte) incomodava profundamente o jovem Mick Taylor, que trabalhava no disco já visando sua renuncia ao grupo. Como ele mesmo viria a se queixar posteriormente, era basicamente impossível conviver no ambiente da banda sem se deixar influenciar por aquele estilo de vida, o que o deixava profundamente amargurado.
O que a música nos passa é apenas uma sensação de definitiva inquietação, seja ela regada a drogas pesadas ou apenas referente a conflitos de ego. Os arranjos que machucam a melodia e tornam muitas das faixas deficientes são, na verdade, o coração de uma tradução quase perfeita do rock n’ roll, um disco imperfeito onde os defeitos tornam a obra incomparavelmente valiosa. Em um disco como "Exile On Main St.", é irrelevante apontar músicas individualmente, pois é o conjunto que da vida a este solene registro de um grupo extremamente talentoso, que em meio a uma grave crise atingiu o grau mais próximo da perfeição no que ele faz de melhor: um R&B sincero, direto ao ponto e de alguma fora malicioso, que embora há muito tempo esquecido pela própra banda, reside na alma dos Rolling Stones e foi imortalizado neste álbum.
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