Slayer: peso e qualidade num dos melhores discos do ano

Resenha - World Painted Blood - Slayer

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Por Fernão Silveira
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Não que o SLAYER precise provar alguma coisa para alguém, mas os caras acertaram a mão (de novo!). Em "World Painted Blood", recém-lançado trabalho do seminal quarteto thrasher da Bay Area, encontramos um dos melhores discos de 2009. Conciso (11 músicas e menos de 40 minutos), moderno e brutal, trata-se de um trabalho facilmente comparável – em termos de qualidade, e não em tentativa de cópia de um passado de glórias, diga-se de passagem – a obras-primas como "Reign in Blood" (1986) ou "Seasons in the Abyss" (1990).
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Seria injusto classificar "Diabolus in Musica" (1998) e "God Hates Us All" (2001) como álbuns ruins, embora eles estejam alguns degraus abaixo de "Christ Illusion" (2006), que marcou a volta de Dave Lombardo aos tambores do SLAYER. Mas é evidente que "World Painted Blood" recoloca Tom Araya (baixo e vocal), Kerry King (guitarra), Jeff Hanneman (guitarra) e Lombardo no nível de excelência que eles merecem. Eis um thrash metal como manda a cartilha que eles, METALLICA, MEGADETH, ANTHRAX e outros bastiões ajudaram e escrever na Califórnia dos anos 80.

"World Painted Blood", a música, abre o disco de forma magistral. Não é exagero dizer que esta é uma das melhores compostas pelo SLAYER em anos. De cara, ao ouvir as guitarras de King e Hanneman em duelo infernal, já se pode perceber que os trabalhos no estúdio e a produção executiva do onipresente Rick Rubin fizeram muito bem à banda. "Unit 731", que vem na sequência, mata a saudade de fãs afeitos à pegada grindcore de "Undisputed Attitude" (1996). E "Snuff" nos ajuda a recordar o quanto Lombardo é bom atrás do set de bateria.

"Beauty Through Order", com sua coloração altamente doom, é uma das melhores do CD, além de mostrar o quanto a banda se sente confortável em passear pelas mais diversas vertentes do metal. "Hate Worldwide", "Public Display of Dismemberment" e "Psychopathy Red" mostram que não é preciso mais do que três minutos de pauleira para encaixar uma letra profunda, solos alucinados, bateria em altíssima rotação e um vocal que parece socar o seu estômago – receita básica do melhor thrash metal.

O desfile de excelência prossegue em "Human Strain", "Americon" e "Not of this God" (outra digna de lugar em qualquer "Best Of"). E uma boa surpresa fica por conta de "Playing with Dolls", sombria e inquietante, que dá nome ao curta-metragem de animação produzido por Mark Brooks – filme inspirado e baseado nas músicas do disco, encartado como DVD bônus da versão especial americana. Show de bola!

Para seguir o caráter conciso e econômico de "World Painted Blood", vale a pena fechar este review com uma descrição sucinta: ótimo.

"World Painted Blood" – SLAYER

World Painted Blood
Unit 731
Snuff
Beauty Through Order
Hate Worldwide
Public Display of Dismemberment
Human Strain
Americon
Psychopathy Red
Playing With Dolls
Not of this God

Gravadora: American Recordings (importado)

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Sobre Fernão Silveira

Paulistano, são-paulino, nascido nos "loucos anos 70" (1979 ainda é década de 70, certo?) e jornalista. Sua profissão já o levou a cobrir momentos antológicos da história da humanidade, como o título paulista do São Caetano, a conquista da Copa do Brasil pelo Santo André, a visita de Paris Hilton a São Paulo e shows de bandas como Judas Priest, Whitesnake, W.A.S.P., Megadeth, Slayer, Scorpions, Slipknot, Sepultura e por aí vai. Ainda tem muito gás para o nobre ofício jornalístico, mas acha que não vai muito mais longe depois de ter entrevistado Blackie Lawless, Glenn Tipton, Rogério Ceni e, claro, Paris Hilton.

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