Massacration: "Peguem as suas foices e tochas!"

Resenha - Good Blood Headbanguers - Massacration

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Por Thiago El Cid Cardim, Fonte: Whiplash
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Os puristas do heavy metal devem estar enlouquecidos – afinal, os humoristas do grupo Hermes & Renato estão lançando o segundo álbum do Massacration, sucessor de “Gates of Metal Fried Chicken of Death” (2005). “Mas já acabou a graça desta piada, não?”, podem opinar alguns, prestes a roer os cotovelos de tanto ódio. Quem já assistiu aos episódios inéditos do programa dos caras na MTV, no entanto, sabe que eles continuam afiadíssimos em suas paródias musicais (vide o hilariante reggae do Artesanation, por exemplo).

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E sabemos que, com fãs de rock pesado em sua formação, a sátira metálica do Massacration é o ponto alto do trabalho dos caras. Afinal, eles conhecem os clichês tão bem quanto eu e você. Por que não deixar os sujeitos continuarem a brincadeira, então? Agora imagine isso produzido pelo Roy Z. Temos então um álbum de rock-comédia do qual é possível rir e com o qual é possível bater cabeça para valer...se você for um banger com senso de humor, é claro.

A trupe de Detonator adotou um visual muito mais glam/hard, trocando o couro, os espinhos e as correntes por calças de oncinha e zebrinha bem apertadinhas – mais Poison e menos Judas Priest, apenas para deixar claro. Os temas das canções continuam sendo, na falta de uma palavra melhor, “inusitados”. Afinal, estamos falando de músicas sobre dogões de rua com suas dezenas de ingredientes (”Hammercage Hotdog Hell”) ou sobre a chegada da dor de barriga (“Bad Defecation”). Mas a sonoridade ficou ainda mais pesada do que no disco anterior, possivelmente cortesia da produção de Roy Z (Judas Priest, Bruce Dickinson) e da direção artística de Renato Tribuzy.

Basta reparar nas guitarras do primeiro single, “The Mummy”. Tá certo que a letra se guia pelo inglês macarrônico do mestre do brega Falcão, que faz uma participação especial cantando quase uma versão metal de “Black People Car”. E Detonator faz uma introdução com “Tumbalacatumba”, da Vovó Mafalda. Mas veja: a pegada da guitarra, em especial no riff de abertura, tem até um quê de Iron Maiden (senhores, esta é a deixa para vocês pegarem suas foices e tochas).

O novo material de “Good Blood Headbanguers” também deu ao Massacration uma coleção de faixas na medida certa para cantar em shows, com coraizinhos épicos irresistíveis como os de “Sufocators of Metal” e “The Fire, the Steel, the Heavy & the Money”. Na melhor tradição do Manowar, eles fazem ainda diversas saudações ao mundo do heavy metal. A faixa-título é, à sua maneira peculiar, uma homenagem aos fãs, digamos que a “Army of Immortals” do Massacration. Em “The Big Heavy Metal”, eles estabelecem o que seria do dia do metal, com direito até a cantar “parabéns a você”. E “The Hymn of Metal Land” é o hino da nação metálica, para todos cantarmos marchando enquanto seguimos as instruções de Detonator: “mão no peito, mão no saco, mão na xoxota”.

O melhor momento de “Good Blood Headbanguers”, no entanto, é a balada “The Bull”, a primeira da carreira do grupo. Na melhor tradição Reginaldo Rossi, o vocalista declama a dor de cotovelo de uma traição, nos proporcionando o que talvez seja a primeira música assumidamente “dor de corno” da história do heavy metal. E com direito até a diversas menções ao chamado Big Richard que lhe roubou a mulher de sua vida. Simplesmente genial.

Veja bem, se você prefere manter a sua cara de malvadão, dizendo que é um headbanger true que não aceita este tipo de diversão, faça o seguinte: não ouça. Não assista aos clipes. Não leia qualquer notícia a respeito. Aliás, o que você está fazendo lendo este texto mesmo?

Quanto ao resto do mundo do metal, que sabe rir de si mesmo e entende o que é uma diversão sem pretensões, “Good Blood Headbanguers” é o presente ideal para este final de ano. Reúna os camaradas e compartilhe umas boas risadas. Não é disso que a vida é feita, afinal?

PS: Antes que alguém pergunte e/ou se apresse para corrigir, a grafia do título do CD é mesmo “headbanguers”, com um U no final da palavra original, que seria corretamente “headbangers”. O motivo? Prometo que vamos tentar descobrir e avisamos vocês. :-)

E você? O que achou do novo álbum do Massacration? Comente no fórum abaixo.

Line-up - Personagens:
Detonator – Vocal
Blondie Hammet – Guitarra
Headmaster – Guitarra
Metal Avenger – Baixo
Jimmy Hammer – Bateria

Line-up - Músicos:
Bruno Sutter – Vocal
Fausto Fanti – Guitarra
Marco Antonio Alves – Baixo
Felipe Fagundes e Adriano Silva – Backing vocals
Fernando Lima – Bateria (convidado)

Tracklist:
Hammercage Hotdog Hell
The Mummy
Sufocators of Metal
The Bull
The Fire, the Steel, the Heavy & the Money
The Big Heavy Metal
Bad Defecation (The Bost Thunder)
Good Blood Headbanguers
Massacration
The Hymn of Metal Land

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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