Trail of Tears: o "female fronted metal" no divã
Resenha - Bloodstained Endurance - Trail of Tears
Por Pedroamos
Fonte: Blog Pedroamos
Postado em 21 de junho de 2009
No final dos anos 90, houve uma explosão de bandas de metal com vocal feminino na Europa. Dentre muitos gêneros e ramificações, prevaleceram as influenciadas pelo Doom e Power Metal, com pitadas de música erudita. Quase uma década depois, o estilo – denominado muitas vezes pela crítica como "female-fronted metal" – encontra-se saturado e ultrapassado, oferecendo poucas novidades ao bom ouvinte. Apesar de soar um pouco tendencioso, é fato que apenas as bandas mais conhecidas do gênero – Nightwish, Within Temptation, Epica, Tristania, Lacuna Coil, entre outras – conseguiram criar uma sonoridade realmente própria e se manterem firmes em meio à sanguinária competitividade que o atual mundo da música se tornou.

Entre todas as bandas do meio mais underground, encontra-se o Trail of Tears, banda norueguesa que, como diferencial, soube misturar de forma muito agradável fórmulas manjadas dessa cena com o melhor do death/thrash metal: ainda que seu som não apresente nada de realmente revolucionário, o trabalho da banda tornou-se algo realmente peculiar em meio a tanta mesmice.
A ousadia do grupo, em abandonar os vocais femininos de Catherine Paulsen foi tremenda: eles chegaram a gravar um álbum sem ela, com apenas guturais e vocais limpos, estes feitos por Kjetil Nordhus. Contudo, pouco tempo depois, ela retornou. Ainda que a banda não tenha falado muito sobre o assunto, é evidente que seu retorno ocorreu devido a pressão dos fãs mais tradicionais da banda – os chamados "tr00s" pelo meio metal. Em seguida, a banda anunciou a produção de um novo álbum. Porém, após o retorno da cantora, seria evidente que o trabalho não seria grande coisa, apenas um punhado de mais do mesmo para a banda tentar agradar a todos e garantir o pão de cada dia.
Este pressentimento foi bem sucedido... em partes. "Bloodstained Endurance", o sexto álbum da banda, lançado no final de Maio pela Napalm Records é um trabalho confuso e sem muita coesão, que tentou ficar no meio termo entre um metal mais extremo e as fórmulas bem sucedidas do tal "female fronted metal". Isto já se nota na primeira faixa do álbum, "The Feverish Alliance". Aberta por um bonito órgão, as guitarras entram sem nenhuma abertura ou embromação, seguido pelos guturais de Ronny Thorsen. O problema começa com a chegada dos vocais de Catherine: não que ela esteja atrapalhando, mas o refrão soa forçado e artificial, simplesmente não se encaixa na música. Talvez se a banda tivesse deixado apenas o Ronny, a música ficasse melhor.
A canção seguinte, "Once Kissed By The Serpent (Twice Bitten Truth)", parece padecer do mesmo problema: os guturais de Ronny casam com o instrumental extremo e com forte apelo death, mas não há harmonia com a voz de Catherine. A voz da cantora fica perdida no meio de um intrumental que, definivamente, não se encaixa em sua voz. A faixa-título do álbum já acerta por possuir guitarras bem unidas com os violinos, de modo a voz de Catherine poder fluir muito melhor do que nas músicas anteriores. Sua voz revela-se potente e forte o bastante para acompanhar Ronny.
Entretanto, é apenas em "A Storm at Will" que Catherine consegue o espaço que merece. Uma bonita balada cantada apenas por ela, onde a moça se mostra bastante versátil e carismática. Em alguns momentos, sua lembra a de cantoras como Mariangela Demurtas (Tristania) e Nienke De Joung (ex-Autumn). Apesar de algumas passagens comerciais para chamar a atenção, como os líricos, "A Storm At Will" é, no geral, uma balada bem bacana e gostosa de ouvir. "Farewell To Sanity" também explora bem os vocais de Catherine, apesar de sua participação modesta.
A impressão geral do álbum é esta: um death/thrash metal com passagens sinfônicas e uma tentativa bem frustrada de encaixar vocais femininos nas faixas. Apesar das performances de Catherine serem impecáveis, são claramente desnecessárias, deixando evidente que estão lá apenas para chamar a atenção dos fãs de vocais femininos. A pergunta que se faz, ao ouvir mais um trabalho como esse é: qual será o futuro do tal "female fronted metal"? Enquanto muita mesmice e trabalhos previsíveis são lançados, são poucas as bandas que conseguem manter um bom nível de sonoridade, não ficando apenas nas fotos promocionais trevosas e capas de álbuns sombrias. É óbvio que o futuro a Deus pertence, mas do jeito que muitos músicos estão conduzindo o gênero, não é muito difícil prever o seu fatídico fim.
Tracklist:
01.The Feverish Alliance
02.Once Kissed By The Serpent (Twice Bitten By Truth)
03. Bloodstained Endurance
04. Triumphant Gleam
05. In The Valley Of Ashes
06. A Storm At Will
07. Take Aim.Reclaim.Prevail
08. The Desperation Corridors
09. Farewell To Sanity
10. Dead End Gaze
11. Faith Comes Knocking
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