Guns N' Roses: era de se esperar que fosse no mínimo genial
Resenha - Chinese Democracy - Guns N' Roses
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 20 de janeiro de 2009
Nota: 5 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Esta história todo mundo já conhece: depois de 15 anos de espera, finalmente Axl Rose deixa de enrolação e lança o novo álbum de inéditas do Guns ‘n’ Roses, "Chinese Democracy". Nem me cabe entrar, neste espaço tão pequeno, nos motivos que levaram Mr.Rose a demorar mais de uma década para produzir um disco – que, por razões óbvias, tornou-se o mais caro da história, custando a pequena bagatela de US$ 13 milhões. O grande problema é que, depois de tanto tempo, "Chinese Democracy" chega às prateleiras tendo obrigatoriamente que lidar com um inimigo muito mais cruel em seu julgamento: a ansiedade dos fãs. Afinal, o produto final demorou tanto tempo para sair do forno – quando se começou a falar nele, eu tinha 14 anos e o rosto repleto de espinhas, veja só você – que é de esperar, portanto, que ele seja no mínimo genial. Ledo engano, meu caro Watson.
Guns N' Roses - Mais Novidades

Apenas para começar, "Chinese Democracy" nem é, pelo menos para os internautas mais atentos, tão novo assim: boa parte de suas 14 faixas já teve uma ou duas versões diferentes circulando livremente pela web nos últimos anos. Há quem aposte que se trata de uma estratégia de marketing de Axl Rose, único membro remanescente da formação original da banda, para divulgar a bolacha quando ela, enfim, fosse lançada. Se este foi o caso, as vendas abaixo do esperado que o CD obteve indicam que o plano foi pelo ralo abaixo. Mas como estamos aqui para falar de música e não para analisar o desempenho comercial do dito cujo, existe uma expressão que pode defini-lo muito bem: colcha de retalhos. Ou, quem sabe, um Frankenstein musical. Você decide.
"Chinese Democracy" não é um disco ruim. Mas seu grande problema é a absoluta falta de coesão. Nenhuma das músicas parece ter conexão entre si, daquele tipo que indica que elas fazem parte de um todo, de uma única obra. Infelizmente, Rose parece ter esquecido a linha fina que separa um disco "variado" de um disco "desvairado". Falta um tanto de nexo até mesmo dentro de cada faixa, dando a nítida impressão de que as melodias iam sofrendo modificações naturais com o passar dos anos e, numa tentativa de soar moderno, o engenheiro de som foi grudando os pedaços que achava melhores. Uma espécie de greatest hits do "Chinese Democracy".
E o que dizer da quantidade de músicos envolvidos no projeto? Foram, considerando os trechos selecionados para cada música, pelo menos três guitarristas, dois baixistas e dois bateristas diferentes. Como esperar uma sonoridade com um mínimo de integridade com tantas pessoas entrando na fila para assumir o papel do sujeito anterior? Como é possível que o coitado do camarada tentasse imprimir ali a sua marca se, na edição final, o seu riff seria colado ao riff de um dos seus muitos antecessores? Era evidente que, no fim das contas, cada canção, com suas dezenas de camadas, parecesse ter sido gravada por uma banda diferente – apenas com a voz de Axl Rose como elemento comum.
Se é pra ser um disco pop, como ele sinaliza na baladinha "This I Love" ou então na pretensiosa power ballad "Sorry", então vambora. Quer um disco de metal industrial, a la Nine Inch Nails e/ou Ministry, como pode ser nitidamente sentido em "Shackler's Revenge", "Riad n' the Bedouins" ou "Scraped"? Beleza. Hard rock cheio de pompa, como o Queen, tipo em "Street of Dreams"? Yeah, baby. Uma onda mais experimental, com barulhinhos eletrônicos e um violão de inspiração flamenca, como é o caso de "If the World"? Topo. Ou até uma superprodução épica, cheia de cavalgadas sonoras, como as que ouvimos em "Madagascar"? Vá lá.
O lance é que "Chinese Democracy" apenas TENTA ser estas coisas – às vezes, tenta ser até tudo ao mesmo tempo. Mas não consegue.
Uma coisa, no entanto, está absolutamente irrepreensível: a voz de Axl. As cordas vocais do cantor estão em ótima forma e ele grita e se esgoela de maneira rasgada com a mesma fúria de outrora – vide o refrão do single "Better", por exemplo. No entanto, ainda é muito pouco, mas muito pouco mesmo, para justificar tamanho barulho.
Não me entendam mal. Sou do tipo que mais incentiva inovações. Quer pirar e fazer uma coisa completamente nova e inusitada? Tem meu total apoio. Ninguém disse que "Chinese Democracy" tinha que ser um novo "Use Your Illussion". Mas se é pra inovar, então que o faça direito. E não que fique atirando para todos os lados para ver se acerta alguém ou alguma coisa.
Line-Up:
Vocal - Axl Rose
Guitarra - Robin Finck, Ron "Bumblefoot" Thal, Buckethead, Paul Tobias, Richard Fortus
Baixo - Tommy Stinson, Chris Pitman
Bateria - Bryan "Brain" Mantia, Frank Ferrer
Tracklist:
1. Chinese Democracy
2. Shackler's Revenge
3. Better
4. Street of Dreams
5. If the World
6. There Was a Time
7. Catcher in the Rye
8. Scraped
9. Riad n' the Bedouins
10. Sorry
11. I.R.S.
12. Madagascar
13. This I Love
14. Prostitute
Outras resenhas de Chinese Democracy - Guns N' Roses
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
A banda idolatrada por Eddie Vedder que nunca tocou no Brasil: "Ele era fanático"
De Megadeth a Bruce Springsteen, as 10 músicas mais sombrias da história do rock
A banda dos anos oitenta que mudou a forma como Bono enxergava os Estados Unidos
O astro do rock que "deu aula" no Rock in Rio 2026, segundo Gastão Moreira
Jim Root entende que novo álbum do Slipknot irá "magoar algumas pessoas"
O álbum definitivo do Dream Theater, na opinião do vocalista James LaBrie
Por que Lobão foi expulso da Blitz às vésperas do estouro, segundo o próprio
Rudy Sarzo acredita que morte de Randy Rhoads não foi acidente: "Piloto sabia que ia fazer"
Roger Waters e filho criam o Legacy, projeto que celebra a obra do Pink Floyd
A opinião de Fernanda Lira sobre as bets: "Não existe lucro em cima do sofrimento"
O guitarrista que se tornou fã do Kiss após abrir turnê da banda
O Julgamento do Metal Clássico: Rock Justice impressiona na estreia com "You've Been Served"
O período que John Paul Jones considera o pior de toda a história do Led Zeppelin
Como surgiu a ideia de formar o Heaven & Hell, de acordo com Geezer Butler
A música dos Rolling Stones que Mick Jagger tem vergonha, mas ainda canta
Quando Jimi Hendrix chamou Eric Clapton para subir no palco e afinar sua guitarra
As músicas do Paralamas onde a gente "escuta o Herbert chorar" ausência da Paula Toller

A canção polêmica que o Guns N' Roses tocou só duas vezes e abandonou; "Ninguém entendeu"
A banda que Slash diz merecer mais fama: "Um dos melhores rocks crus de todos os tempos"
A estrela de Hollywood que ajudou a transformar uma canção em clássico do Guns N' Roses
Axl Rose estaria ajudando cantora country em projeto voltado ao rock
O corpo esquartejado encontrado no estúdio que acabou em música do Guns N' Roses
O momento que Duff McKagan considera um dos mais importantes da história do Guns N' Roses
A banda gigante que, para Ozzy Osbourne, deveria ter sido ainda maior
Por que os estúdios mais lendários do rock estão desaparecendo?
A canção que Axl Rose gravou sob efeito de cogumelos e que deixou o Guns N' Roses furioso
Os dois guitarristas britânicos que dominaram o blues, segundo Slash
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível



