Guns N' Roses: era de se esperar que fosse no mínimo genial

Resenha - Chinese Democracy - Guns N' Roses

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Thiago El Cid Cardim
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 5

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Esta história todo mundo já conhece: depois de 15 anos de espera, finalmente Axl Rose deixa de enrolação e lança o novo álbum de inéditas do Guns ‘n’ Roses, “Chinese Democracy”. Nem me cabe entrar, neste espaço tão pequeno, nos motivos que levaram Mr.Rose a demorar mais de uma década para produzir um disco – que, por razões óbvias, tornou-se o mais caro da história, custando a pequena bagatela de US$ 13 milhões. O grande problema é que, depois de tanto tempo, “Chinese Democracy” chega às prateleiras tendo obrigatoriamente que lidar com um inimigo muito mais cruel em seu julgamento: a ansiedade dos fãs. Afinal, o produto final demorou tanto tempo para sair do forno – quando se começou a falar nele, eu tinha 14 anos e o rosto repleto de espinhas, veja só você – que é de esperar, portanto, que ele seja no mínimo genial. Ledo engano, meu caro Watson.
5000 acessosChester Bennington: Slash comenta a morte do vocalista5000 acessosFotos de Infância: Pantera

Apenas para começar, “Chinese Democracy” nem é, pelo menos para os internautas mais atentos, tão novo assim: boa parte de suas 14 faixas já teve uma ou duas versões diferentes circulando livremente pela web nos últimos anos. Há quem aposte que se trata de uma estratégia de marketing de Axl Rose, único membro remanescente da formação original da banda, para divulgar a bolacha quando ela, enfim, fosse lançada. Se este foi o caso, as vendas abaixo do esperado que o CD obteve indicam que o plano foi pelo ralo abaixo. Mas como estamos aqui para falar de música e não para analisar o desempenho comercial do dito cujo, existe uma expressão que pode defini-lo muito bem: colcha de retalhos. Ou, quem sabe, um Frankenstein musical. Você decide.

“Chinese Democracy” não é um disco ruim. Mas seu grande problema é a absoluta falta de coesão. Nenhuma das músicas parece ter conexão entre si, daquele tipo que indica que elas fazem parte de um todo, de uma única obra. Infelizmente, Rose parece ter esquecido a linha fina que separa um disco “variado” de um disco “desvairado”. Falta um tanto de nexo até mesmo dentro de cada faixa, dando a nítida impressão de que as melodias iam sofrendo modificações naturais com o passar dos anos e, numa tentativa de soar moderno, o engenheiro de som foi grudando os pedaços que achava melhores. Uma espécie de greatest hits do “Chinese Democracy”.

E o que dizer da quantidade de músicos envolvidos no projeto? Foram, considerando os trechos selecionados para cada música, pelo menos três guitarristas, dois baixistas e dois bateristas diferentes. Como esperar uma sonoridade com um mínimo de integridade com tantas pessoas entrando na fila para assumir o papel do sujeito anterior? Como é possível que o coitado do camarada tentasse imprimir ali a sua marca se, na edição final, o seu riff seria colado ao riff de um dos seus muitos antecessores? Era evidente que, no fim das contas, cada canção, com suas dezenas de camadas, parecesse ter sido gravada por uma banda diferente – apenas com a voz de Axl Rose como elemento comum.

Se é pra ser um disco pop, como ele sinaliza na baladinha “This I Love” ou então na pretensiosa power ballad “Sorry”, então vambora. Quer um disco de metal industrial, a la Nine Inch Nails e/ou Ministry, como pode ser nitidamente sentido em “Shackler's Revenge”, “Riad n' the Bedouins” ou “Scraped”? Beleza. Hard rock cheio de pompa, como o Queen, tipo em “Street of Dreams”? Yeah, baby. Uma onda mais experimental, com barulhinhos eletrônicos e um violão de inspiração flamenca, como é o caso de “If the World”? Topo. Ou até uma superprodução épica, cheia de cavalgadas sonoras, como as que ouvimos em “Madagascar”? Vá lá.

O lance é que “Chinese Democracy” apenas TENTA ser estas coisas – às vezes, tenta ser até tudo ao mesmo tempo. Mas não consegue.

Uma coisa, no entanto, está absolutamente irrepreensível: a voz de Axl. As cordas vocais do cantor estão em ótima forma e ele grita e se esgoela de maneira rasgada com a mesma fúria de outrora – vide o refrão do single “Better”, por exemplo. No entanto, ainda é muito pouco, mas muito pouco mesmo, para justificar tamanho barulho.

Não me entendam mal. Sou do tipo que mais incentiva inovações. Quer pirar e fazer uma coisa completamente nova e inusitada? Tem meu total apoio. Ninguém disse que “Chinese Democracy” tinha que ser um novo “Use Your Illussion”. Mas se é pra inovar, então que o faça direito. E não que fique atirando para todos os lados para ver se acerta alguém ou alguma coisa.

Line-Up:
Vocal - Axl Rose
Guitarra - Robin Finck, Ron "Bumblefoot" Thal, Buckethead, Paul Tobias, Richard Fortus
Baixo - Tommy Stinson, Chris Pitman
Bateria - Bryan "Brain" Mantia, Frank Ferrer

Tracklist:
1. Chinese Democracy
2. Shackler's Revenge
3. Better
4. Street of Dreams
5. If the World
6. There Was a Time
7. Catcher in the Rye
8. Scraped
9. Riad n' the Bedouins
10. Sorry
11. I.R.S.
12. Madagascar
13. This I Love
14. Prostitute

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Chinese Democracy - Guns N' Roses

5000 acessosGuns N' Roses: se este disco for o melhor de Axl Rose...5000 acessosGuns N' Roses: qualidade irregular e sem identidade musical5000 acessos"Chinese Democracy": análise de faixa-a-faixa do álbum5000 acessosResenha - Chinese Democracy - Guns N' Roses5000 acessosTradução - Chinese Democracy - Guns N' Roses

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Chester BenningtonChester Bennington
Slash comenta a morte do vocalista

1712 acessosGuns N' Roses: os 30 anos de Appetite na capa da nova Kerrang!2624 acessosWagner Nascimento: Tocar como o Slash?? Muito fácil!!0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Guns N' Roses"

SlashSlash
Ele teve aulas de guitarra com Myles Kennedy

Breaking BadBreaking Bad
Produtor quer sequência com Slash e Val Kilmer

SlashSlash
Guitarrista enumera seus 10 riffs favoritos

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Guns N' Roses"

Fotos de InfânciaFotos de Infância
Phil Anselmo, Dimebag, Rex Brow e Vinnie Paul

Dave MustaineDave Mustaine
A bizarra semelhança com um Cocker Spaniel

Paula FernandesPaula Fernandes
Aos 19 anos ela ia em shows de Black Metal

5000 acessosMike Mangini: um dos bateristas mais rápidos do mundo?5000 acessosMonsters of Rock: a feijoada que quase derrubou King Diamond5000 acessosPorn Metal: Filmes para inspirar os headbangers solitários5000 acessosLegião Urbana: A homenagem da Vivo a "Eduardo e Mônica"3970 acessosOzzy Osbourne: "Lemmy não era apenas meu amigo, ele era amigo de todo mundo"4351 acessosKiss: banda mandando "Smoke on the Water" em Meet & Greet

Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

Mais informações sobre Thiago El Cid Cardim

Mais matérias de Thiago El Cid Cardim no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online