Free: o segundo álbum, entre o blues e o hard rock
Resenha - Free - Free
Por Ricardo Seelig
Postado em 08 de junho de 2008
"Fire and Water", lançado em 1970, é o disco mais conhecido do Free. Maior sucesso comercial do grupo, traz alguns dos maiores clássicos da banda, como a antológica "All Right Now", o hard clássico de "Fire and Water" e o pesadíssimo blues "Mr Big". Todo esse reconhecimento acaba, mesmo involuntariamente, ofuscando os outros trabalhos do grupo, fazendo com que os holofotes estejam focados em um único lugar. Por isso, escrever sobre um álbum como "Free", segundo registro do grupo inglês, acaba sendo uma obrigação.
Free - Mais Novidades
Após lançar o debut "Tons of Sobs" em novembro de 1968, Paul Rodgers, Paul Kossoff, Andy Fraser e Simon Kirke entraram em estúdio em abril de 1969 e começaram as gravações de seu segundo disco. A sonoridade de "Free" transita entre o blues de "Tons of Sobs" e o hard rock que marcaria seu próximo trabalho, o já citado "Fire and Water". Além disso, há em "Free" algumas pitadas de soul (principalmente nas interpretações de Paul Rodgers) e funk (na malícia da guitarra de Kossoff e no balanço da cozinha de Fraser e Kirke), o que coloca um tempero a mais na já muito bem azeitada música do grupo.
O trabalho abre com "I´ll Be Creepin´", um blues funk sacana e sensual. Primeiro e único single do disco (cujo lado B trazia "Sugar for Mr Morrison"), destaca-se pela linha segura do baixo de Andy Fraser e pela voz única de Rodgers, que canta com um sentimento que vem do fundo da alma. A cativante "Songs of Yesterday", um dos cavalos de batalha da banda, destaca-se pelo excepcional trabalho de guitarra de Paul Kossoff, repleto de classe e sentimento. A reflexiva "Living in the Sunshine" exterioriza as influências soul de Rodgers e, simultaneamente, mostra toda a sensibilidade de Kossoff ao violão.
O clima volta a esquentar com "Trouble on Double Time", um hard rock repleto de balanço onde o destaque é a interpretação de Paul Rodgers. O contraponto vem com "Mouthful of Grass", uma bela música instrumental, onde coros vocais surgem no arranjo acrescentando ainda mais harmonia à composição. Como curiosidade, vale citar que "Mouthful of Grass" foi lançada como b-side do single de "All Right Now" em maio de 1970, funcionando como perfeita antítese ao apogeu hard daquele que é o maior clássico do Free. O blues rock dá as caras na ótima "Woman", uma das mais consistentes músicas lançadas pelo grupo em toda a sua carreira, trazendo performances individuais absolutamente brilhantes de Rodgers, Kossoff, Fraser e Kirke.
A climática e hipnótica "Free Me", calcada no baixo de Andy Fraser, traz um ótimo arranjo onde os destaques são os backing vocals e o solo de Paul Kossoff, que lentamente entrega notas simples mas carregadas de emoção. "Broad Daylight" reúne o peso instrumental do grupo ao apelo soul da voz de Paul Rodgers, e traz mais um ótimo solo de Kossoff. Outra curiosidade: "Broad Daylight" foi o primeiro single lançado pelo Free, em março de 1969, sendo sucedido por "I´m Mover / Worry", faixas do disco de estréia da banda, "Tons of Sobs", de 1968.
"Free" encerra-se com a balada "Mourning Sad Morning", onde a interpretação única de Paul Rodgers ganha o acompanhamento de uma inusitada flauta doce tocada por Chris Wood (Traffic) que, ao lado dos inspirados backing vocals, fazem com que ela seja, ao mesmo tempo, uma das mais belas canções registradas pelo Free e uma das mais diferentes músicas que o grupo gravou.
O álbum ganhou uma excelente reedição remasterizada em 2001, que trouxe nada mais nada menos que dez faixas extras. Estão lá o primeiro compacto do grupo ("Broad Daylight / The Worm"); as versões do compacto "I'll Be Creepin' / Sugar for Mr. Morrison", onde "I´ll Be Creepin´" soa mais crua que a mixagem final presente no disco; "Songs of Yesterday" e "Broad Daylight" gravadas ao vivo nos estúdio da BBC, em Londres; "Mouthful of Grass (Solo Version)", onde temos apenas o violão de Paul Kossoff, deixando claro todo o talento e sensibilidade do falecido guitarrista; versões alternativas de "Woman" e "Mourning Sad Morning", além de "Trouble On Double Time" em um de seus primeiros registros, bem diferente da versão final que conhecemos, mostrando o quanto o grupo evoluiu seu arranjo até chegar naquele que julgaram ideal.
Historicamente, foi neste segundo trabalho que a parceria entre Paul Rodgers e Andy Fraser se consolidou. Os dois dominam a composição das faixas do disco, preparando o terreno para o que iriam fazer em "Fire and Water" e nos trabalhos seguintes do grupo.
"Free" é um ótimo disco daquilo que se convencionou chamar de blues rock, devidamente acrescido do peso do hard rock e de um muito bem-vindo tempero funk.
Clássico e obrigatório.
Faixas:
1. I'll Be Creepin'
2. Songs of Yesterday
3. Lying in the Sunshine
4. Trouble on Double Time
5. Mouthful of Grass
6. Woman
7. Free Me
8. Broad Daylight
9. Mourning Sad Morning
10. Broad Daylight (Single Version)
11. The Worm (Single Version)
12. I'll Be Creepin' (Single Version)
13. Sugar for Mr. Morrison (Single Version)
14. Broad Daylight (BBC Session)
15. Songs of Yesterday (BBC Session)
16. Mouthful of Grass (Solo Version)
17. Woman (Alternative Version)
18. Trouble on Bouble Time (Early Version)
19. Mourning Sad Morning (Alternative Version)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A noite em que Noel Gallagher ouviu "a melhor música de sua vida"
A música do Venom inspirada em um dos grandes clássicos do Kiss
Yngwie Malmsteen explica "não" a David Lee Roth e por que não trabalharia com Dio
Duff McKagan reflete sobre o dramático fim do Velvet Revolver
Epica esgota ingressos para show com orquestra e coral em São Paulo
A opinião nada lisonjeira de Ronnie James Dio sobre o Blackmore's Night
Por que o Rush passou a ensaiar os próprios erros antes de voltar aos palcos
Marty Friedman admite ter pisado na bola em saída do Megadeth
Angra realizará primeiro show da carreira na Finlândia
O rockstar que se gaba de ter Donald Trump e Elon Musk na agenda do telefone
A música de 1984 que o Metallica tocou ao vivo uma única vez
Ator RJ Mitte, mais conhecido por "Breaking Bad", morre aos 34 anos
A música que foi escrita aos 45 do segundo tempo e virou um clássico dos anos 1970
Ninguém tinha sobrenome na casa onde os Rolling Stones gravaram "Exile on Main St."
A canção dos Beatles em que Paul McCartney já enxergava o fim da banda



A única banda dos anos 1960 que a indústria não sacaneou, segundo Paul Rodgers
A banda setentista que criou seu maior clássico após um show desastroso
O cantor que Brian Johnson considera tudo o que um vocalista de rock deveria ser
Iron Maiden: Review do novo álbum publicado na revista Kerrang


