Motorhead: sujo, muito sujo, pesado, muito pesado
Resenha - Ace of Spades - Motorhead
Por Maurício Dehò
Postado em 02 de junho de 2008
Nota: 10 ![]()
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1980 foi um ano e tanto. "Back in Black", "Heaven and Hell", "Iron Maiden", "British Steel", "Blizzard of Ozz" e "Wheels of Steel". Com certeza um período daqueles para quem curtia comprar um bom vinil, apesar das tristes mortes de Bon Scott e John Bonham. Mas espere um momento, ainda falta algo para completar esta sucessão de clássicos absolutos do Metal. Qual? Imagine um power trio. Um daqueles que não tem medo de nada ou ninguém. O som? Sujo, muito sujo. E pesado. E direto, muito direto, sem tempo para firulas. Está fácil, vai. Além dos seis citados acima, mais um álbum nascido em 1980 marcou época como poucos: é o "Ace of Spades", do Motörhead.

A banda inglesa vinha crescendo, subindo a montanha-russa do sucesso e, depois de dois grandes sucessos em menos de um ano – "Overkill" e "Bomber", ambos de 1979 –, eles não apertaram o freio. Com o pé no acelerador, saíram com esta obra-prima.
"Ace of Spades" demora apenas 40 segundos para mostrar sua relevância, por meio de sua faixa-título, o definitivo clássico do Motörhead. Tudo começa no baixão distorcido do líder Lemmy Kilmister (quem nunca se pegou com esta linha de baixo na cabeça?). Entra a bateria de Phil Taylor e então o riff mais genial ainda de "Fast" Eddie Clarke. A cereja do bolo é o vozeirão rouco e rasgado de Lemmy, que dispara linhas memoráveis até chegar ao refrão: "The ace of spades, the ace of spades!". Pronto. Claro que depois ainda há mais trechos que ficam para a história:
"You know I'm born to lose, and gambling's for fools,
But that's the way I like it baby,
I don't wanna live for ever,
And don't forget the joker!"
Estava feita a magia definitiva deste trio. A banda mais suja e pesada do planeta foi capturada em sua essência. A produção assinada por Vic Maile foi excepcional neste aspecto e trouxe o Motörhead dos palcos, seu habitat, para dentro do discão. Os destaques vão correndo nestes 45 minutos de CD – que, nesta versão relançada pela Dynamo Records, ainda tem três faixas bônus, somando mais cerca de dez minutos. São composições como a acelerada "Love Me Like a Reptile", com letras sempre despachadas e inteligentes de Lemmy, "Live To Win", mais uma comandada no baixo do inglês, e a pegada Country-mas-suja, de "Dance".
Outras boas são "The Chase Is Better Than the Catch", outra com letras sensacionais e a pesadona e meio Punk "The Hammer". Além, é claro, de "(We Are) The Road Crew", um dos grandes clássicos, que homenageia os roadies, profissão anterior de Lemmy – conhecido por ter trabalhado com Jimi Hendrix. Com o vocalista disparando as letras, a base rápida e as batidas simples, mas na medida, é mais uma canção "motörheadiana" inesquecível.
Neste relançamento, são três bônus. O primeiro é "Dirty Love" um B-side que se destaca pelos solos de Eddie Clarke. As outras duas foram retiradas do EP "St. Valentine's Day Massacre", lançamento conjunto do Motörhead com as garotas do Girlschool e que atingiu inclusive o Top 5 nas paradas de singles britânicos – o disco "Ace of Spades" foi quarto colocado na Inglaterra. Deste EP, o maior destaque é "Please Don't Touch", originalmente do grupo Johnny Kidd & The Pirates, que mistura os vocais de Lemmy com os femininos de Kelly Johnson, numa levada mais Rock/Punk. Já "Emergency" traz Eddie Clark dando uma palhinha nos microfones e mostrando algum talento.
Vale notar que o encarte é muito bem feito, com fotos, textos e letras e o CD em si dourado. Realmente um disco de ouro! Tanto que deu vez a um dos ao vivos mais aclamados da cena, o "No Sleep 'Til Hammersmith", de 1981.
Depois de tanto tempo e de tanto sucesso, falar de um álbum deste nível soa até repetitivo. Mas vale muito a dica para quem não conhece muito da banda. "Ace of Spades" é obrigatório, um disco que mostra o Motörhead em sua melhor forma. Mesmo que o estilo da banda seja baseado numa fórmula bem fixa, a mistura de estilos que Lemmy e sua trupe fazem é que torna tudo tão especial e único. Imperdível, fundamental. Um item para a cabeceira de qualquer headbanger.
Formação:
Lemmy Kilmister - baixo e vocal
Eddie Clarke – guitarra e vocal em "Emergency"
Phil Taylor - bateria
Track List:
1. "Ace of Spades" – 2:49
2. "Love Me Like a Reptile" – 3:23
3. "Shoot You in the Back" – 2:39
4. "Live to Win" – 3:37
5. "Fast and Loose" – 3:23
6. "(We Are) The Road Crew" – 3:12
7. "Fire, Fire" – 2:44
8. "Jailbait" – 3:33
9. "Dance" – 2:38
10. "Bite the Bullet" – 1:38
11. "The Chase Is Better Than the Catch" – 4:18
12. "The Hammer" – 2:48
13. "Dirty Love" (bônus)
14. "Please Don't Touch" (bônus)
15. "Emergency" (bônus)
Lançamento nacional – Dynamo Records*
* Também estão sendo relançados "Iron Fist", "Overkill" e "Another Perfect Day". Posteriormente estarão disponíveis ainda "No Remorse" e "Rock 'n' Roll".
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